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Cotidiano
ACIDENTE ENTRE EMBARCAÇÕES

Familiares de desaparecidos após colisão no Pará protocolam ação contra empresa

Ação é para solicitar que a Justiça paraense obrigue a empresa Bertolini a reduzir os prazos para fazer a remoção da embarcação. Dos 11 tripulantes que estavam no empurrador, três são amazonenses 04/09/2017 às 19:39 - Atualizado em 04/09/2017 às 19:39
Show empurrador
Foto: Reprodução
Kelly Melo Manaus (AM)

Familiares das nove pessoas que ficaram desaparecidas após a colisão entre o empurrador de balsas da empresa Bertolini e um navio cargueiro há um mês no rio Amazonas, nas proximidades do município de Óbidos, no Pará, protocolaram nesta segunda-feira (4), uma ação de tutela de urgência no fórum de Santarém. A ação é para solicitar que a Justiça paraense obrigue a empresa a reduzir os prazos para fazer a remoção da embarcação, que está a mais de 60 metros de profundidade, e a mais de 15 quilômetros de onde ocorreu o acidente. Entre as vítimas estão os amazonenses Wandel Ferreira de Lima, 47, e Cleber Rodrigues Azevedo, 44.

De acordo com os familiares, a Bertolini tem até o dia 15 de setembro para apresentar a empresa especializada e o plano de salvatagem (resgate) do empurrador, e até novembro para executar a remoção. Mas para eles, além do prazo ser longo, o tempo pode inviabilizar a retirada da embarcação do fundo do rio.

“A gente sabe que o rio Amazonas é muito sedimentoso. Então até novembro, corre o risco da embarcação estar soterrada, o que dificultaria ainda mais a retirada  das vítimas lá de dentro. Esses prazos têm que ser menores e é isso que nós estamos buscando”, explicou o funcionário público Wemerson Almeida, que é primo de uma das vítimas.

Antes de protocolar a ação, aproximadamente 50 pessoas, todos familiares dos desaparecidos, participaram de uma manifestação pacífica em frente ao fórum de Santarém. Nesta terça-feira (05), às 10h (horário de Santarém), eles participam de uma reunião com a cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Pará.

“Nós queremos respostas. Amanhã encerra o prazo para que as empresas interessadas em fazer o resgate apresentem suas propostas comerciais à Bertolini. E nós queremos que esses prazos sejam reduzidos porque a nossa angústia só aumenta a cada dia”, afirmou Almeida. A ação de tutela emergencial ainda não foi apreciada pelo juiz de Santarém.

Outra preocupação, segundo Almeida, é que no local onde ocorreu o acidente não foi realizada nenhum tipo de sinalização para preservar o local e as embarcações regionais continuam navegando na região. “Isso é um perigo porque o rio está baixando e ali passam embarcações com calados enormes. O empurrador tem 20 metros de altura e se o rio baixar muito pode ocorrer um choque com outras embarcações ali”, sinalizou ele.

A CRÍTICA tentou contato tanto com a Marinha do Brasil no Pará quanto a empresa Bertolini  mas até o fechamento da edição não obtivemos retorno. 

Amazonenses entre os desaparecidos

Dos 11 tripulantes que estavam no empurrador no dia do acidente, três são amazonenses. Euclinger da Silva Costa foi resgatado com vida, mas Wandel Ferreira de Lima e Cleber Rodrigues Azevedo, todos do município de Itacoatiara, ainda não foram localizados. Um outro tripulante também sobreviveu ao acidente.

A esposa do desaparecido Cleber Azevedo, Cláudia Almeida, 43, afirmou que até hoje não recebeu nenhuma informação da empresa Bertolini. “Ninguém fala e as buscas estão suspensas. O que a gente percebe é que não existe muito interesse deles e é uma empresa tão grande”, lamentou a dona de casa que tem três filhos com Cleber.