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Famílias amazonense reduzem dívidas, aponta pesquisa

Amazonenses diminuíram de R$ 228,81 milhões para R$ 202,37 milhões o endividamento em 2011, ou 11,55% de queda 17/07/2012 às 08:41
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Manaus foi uma das únicas capitais da Região Norte a apresentar recuo no nível de endividamento, incluindo Belém
Luana Gomes Manaus (AM)

Após atingir uma dívida de R$ 56 mil em apenas um cartão, Leonardo Bezerra resolveu reverter a situação e diminuir os gastos. Embora sob sufoco por um longo período, o profissional de Educação Física conseguiu reduzir sua dívida para uma faixa de  R$ 5 mil.

Embora pareça incomum, a redução nos valores das dívidas faz parte da nova realidade dos manauenses, de acordo com a “Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras”, elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).

Conforme o levantamento, em 2011, o montante de dívidas na capital amazonense teve uma queda de 11,55% ante o valor registrado em 2010. Os valores saíram de R$ 228,81 milhões para R$ 202,37 milhões.

A retração na quantia foi registrada mesmo com o aumento no número de famílias que se endivididaram, na transição de 2010 para 2011. Os dados apontam que a quantidade de grupos familiares com “contas no vermelho” teve alta de 0,66%, ao saltar de 266,59 mil para 268,36 mil. Ainda assim, no mesmo período, a média de endividamento para cada família passou de R$ 858 para R$ 754.

De acordo com a pesquisa, este saldo é o segundo menor registrado em 2011 no País, atrás apenas de Boa Vista. Na capital roraimense, o valor da dívida por família era de R$ 633, embora tenha sido superior ao de 2010 (R$ 615).

Para ser um dos que compõe os dados da capital, Bezerra precisou “suar” bem mais, passando a trabalhar em mais três academias e mantendo ativa a sua empresa de eventos na área.

Ele comentou que, como forma de controlar as dívidas, resolveu cortar os gastos desnecessários, assim como o uso de vários cartões. Além disso, entrou em negociação com seus credores, cujo resultado foram descontos que chegavam a 90%.

Contudo, apesar do esforço, o controle das dívidas não é um desempenho alcançado pelos homens, segundo o mestre em Economia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Francisco de Assis Mourão. O professor apontou que as mulheres da região costumam ser as “cabeças” da família, em virtude do típico comportamento dos homens amazonenses, que costumam “abandonar seus lares”. “A mulher, apesar de ser gastadeira, quando vira arrimo da família, passa a ter o comportamento contrário”, observou.

De acordo com o professor, as mulheres assumem uma responsabilidade que as impede de fazer gastos a mais do que estava previsto para o mês.

Manaus foi uma das únicas  capitais da Região Norte a apresentar recuo no nível de endividamento, junto a  Belém. Na cidade paraense, o resultado foi menos expressivo, com a redução de apenas 0,02%, quando a dívida local saiu de R$ 306,37 milhões mensais  para R$ 306,30 milhões por mês.

Devido as dívidas das duas capitais representarem 66,05% do montante de dívidas de toda região, as duas foram responsáveis pelo resultado positivo adquirido no Norte.

Região

De acordo com informações da Federação, dentre as Regiões brasileiras, a Norte foi a única onde houve redução do valor da dívida das famílias entre os dois anos. Com base nos dados, o montante de dívidas das famílias nortistas era de R$ 775,85 milhões por mês em 2010, mas teve uma queda de 0,7% no ano posterior (R$ 770,09 milhões).

Segundo a pesquisa, 66,32% das famílias da Região estão endividadas, do qual a maioria está concentrada em Rio Branco (76,79%). Boa Vista é a capital nortista com o menor número de famílias nessa condição (59,26%).

No Norte, a parcela da renda comprometida é de apenas 25,71%. Conforme a justificativa da assessoria técnica da Federação, como o rendimento médio mensal das famílias da Região Norte é de R$ 3.644,83, 30,33% inferior ao da média nacional (R$ 5.231,53), implica em uma capacidade menor de endividamento das famílias.