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Cotidiano
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Famílias denunciam demora no atendimento a pacientes com aneurisma cerebral

Pacientes com dilatação no cérebro  estão aguardando até oito meses para operar no hospital e pronto-socorro Dr. João Lúcio 07/09/2012 às 11:06
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Tereza Batista,43 , luta para que o irmão, Adfelson Batista. 43 consiga realizar cirurgia; ela denunciou ao Minstério Público Estadual (MPE) caso de paciente que 'furou fila", de espera no hospital
Carolina Silva ---

Perto de completar três meses de internação no hospital e pronto-socorro Dr. João Lúcio, no bairro São José, Zona Leste, a secretária Tereza Batista, 43, teme pelo descaso da unidade com o tratamento do irmão, Adelson Batista, 40, que sofre com um aneurisma cerebral. Além de Tereza, familiares de outros pacientes com a mesma doença também estão preocupados com a demora pela cirurgia endovascular, também chamada de embolização, que visa diminuir  a dilatação dos vasos no cérebro.

Tereza e os outros familiares vão recorrer ao Ministério Público do Amazonas (MPE) para que o caso seja investigado. “Meu irmão deu entrada na unidade no dia 11 de junho. Ele teve um aneurisma constatado e depois de 15 dias ele já poderia fazer a embolização. Mas, até hoje, ele permanece internado na fila de espera e ninguém explica o porquê de tanta demora”, contou Tereza. Ela informou, ainda, que denunciou ao MPE, no último dia 3 de agosto, o caso de um paciente que ‘furou’ a fila de espera, prejudicando, assim, outros pacientes que aguardam pelo procedimento.

“Depois da denúncia, o Ministério Público Estadual enviou um ofício à Susam para que eles se explicassem sobre o problema. Os médicos falam que o aneurisma é uma ‘bomba-relógio’. Então, é um descaso deixarem pacientes nessa situação esperando por tanto tempo pela cirurgia”.

No documento protocolizado no MPE constava, inclusive, a relação de mais de dez pacientes que estão internados há meses e que precisam passar pela embolização. Entre eles está Leonice Lopes Chantel que está internada desde 21 de dezembro de 2011 e até hoje espera pela cirurgia.

“Os enfermeiros dizem que não tem material e por isso não há possibilidade de fazer a embolização. Como pode um hospital deixar de salvar vidas por falta de material? E se está faltando há meses, por quê até hoje não resolveram esse problema?”,  desabafou Léia Santos, 18, que está acompanhando o avô, José Cordeiro dos Santos, 74,  um dos pacientes ainda aguardam pelo procedimento.

A dona de casa Maria Edila Bentes, 26, também reclama que o estado de saúde do sogro, Carlos Alberto Costa de Souza, 52, está ficando cada dia pior por conta dessa demora. “O estado dele está ficando cada vez mais grave. Os médicos ficam sempre adiando a cirurgia. Ele está esperando há cinco meses”, desabafou a dona de casa.

 Famílias relatam descaso

O pai de Eva Dilma, 21, veio do Município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), para buscar tratamento para o aneurisma cerebral, no dia 5 de maio deste ano. Eva conta que já está morando no hospital por conta da demora pela cirurgia do pai, de 63 anos.

“É um sofrimento pra toda família esse descaso. E é uma tortura pro paciente que está com a aneurisma”, lamentou Eva. Para que o marido pudesse fazer o quanto antes o exame, Deuza Rodrigues, 33, conta que a família teve que pagar R$ 5 mil a um hospital particular. Agora, ele aguarda a cirurgia há dois meses no hospital João Lúcio.

“Não temos mais condições de pagar a um hospital particular pra continuar o tratamento”.

Em maio do ano passado, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) foi alvo de uma ação civil pública do Ministério Público do Amazonas (MPE). Cerca de 50 crianças estavam internadas em macas e, até mesmo em cadeiras de plástico, nos corredores do pronto-socorro infantil Joãozinho, por falta de leitos na unidade.

A doença

Aneurisma cerebral é uma dilatação que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro; A manifestação mais evidente dos aneurismas é a ruptura seguida de hemorragia; No tratamento do aneurisma cerebral, a embolização é uma importante forma terapêutica; A embolização é um procedimento que acessa a área de tratamento naturalmente, por dentro dos vasos sanguíneos do cérebro.