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Famílias vivem em embarcações por falta de moradias em Manaus

Várias embarcações, que ficaram encalhadas nas proximidades da Feira da Manaus Moderna, servem como moradia de pais, mães e crianças da cidade 24/12/2012 às 11:39
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Família vive, com quatro crianças, há cinco meses neste barco, encalhado na região da feira Manaus Moderna
Ana Celia Ossame ---

O período da vazante do rio Negro, mais intenso nesse período ano, deixa um cenário de lixo por todos os lados e nesse ambiente de um odor desagradável, várias embarcações ficaram encalhadas nas proximidades da Feira da Manaus Moderna, no Centro. Nelas, vivem algumas famílias para as quais as festas de final de ano não vão acontecer, apesar de em duas delas viverem nove crianças com idades que vão de 12 até dois anos. São famílias cujos chefes trabalham como vigias dos barcos e têm que se manter permanentemente nos barcos, faça chuva ou sol, tenha cheia ou vazante.

Mãe de cinco filhos e grávida de outro, Eliane Braga do Nascimento, 32, mora num dos barcos que estava com furo no casco e por isso ficou no seco. Trabalhando junto com o marido, portador de deficiência  física, ela afirma  não haver qualquer motivo para festas. “Aqui não vai ter nada de Natal não, a gente é muito pobre”, responde Eliane, de pronto, justificando o fato por sobreviver de “bicos”, como chama trabalhos avulsos feitos pelo marido.

CONFORMISMO

Natural de Roraima, vive em Manaus desde os 11 anos. Mesmo sem condições de comprar presentes para as crianças e nem fazer qualquer comida especial para celebrar a data, Eliane não demonstra nenhum inconformismo, pois a vida sempre foi assim, difícil para ela.

Na vazante a vida fica mais difícil porque o porto está mais longe da feira, mas não há o que fazer. “Não tem alternativa, não temos casa e vivemos desse trabalho”, afirmou ela, que é beneficiária do programa Bolsa Família, do Governo Federal, e por isso preocupa-se em manter as crianças na escola.

O dinheiro do benefício ajuda e muito, mas segundo ela, viver ali nas proximidades da feira evita que a família passe mais necessidades alimentares. “A gente consegue muita doação e alimenta as crianças”, explica. A água usada para a alimentação e a higiene é comprada.

Os espaços cercados por dejetos onde fica o barco a incomoda porque os filhos têm que brincar no meio de garrafas pets, sapatos velhos e outras detritos. “Essa sujeira é muito ruim, falam que são os que moram na beira que jogam lixo, mas vem por todo o lado”, afirma, acrescentando que na cheia, a partir de janeiro, o barco já estará calafetado e ficará mais próximo da feira. O que não deve mudar é a vida da família, que continuará encalhada na pobreza e na falta de perspectivas.