Publicidade
Cotidiano
Notícias

Fenômeno de 'terras caídas' volta a ameaçar orla de Parintins, no Amazonas

Há risco de a qualquer momento ocorrer desmoronamento em decorrência de erosão 21/01/2012 às 09:26
Show 1
Rua Nakauth, no bairro de Santa Clara, vem sendo ‘engolida’ por constantes deslizamentos de terra e corre o risco de sumir
Jonas Santos Parintins

Os moradores que têm casas erguidas em ruas próximas à orla de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus) estão em estado de alerta por causa do risco de desmoronamento.

Os pontos críticos da ilha que ameaçam ser tragados pelas águas do rio Amazonas foram interditados pela Defesa Civil do Município desde o ano passado, mas a situação se agrava ainda mais com o ciclo da cheia do rio e em decorrência do período chuvoso no Estado do Amazonas.

Até mesmo o muro de arrimo da cidade, que guarda a praça do Comunas, um dos locais mais frequentados por turistas, está com sua estrutura comprometida. O muro de contenção da orla apresenta rachaduras e parte dele foi condenado pelo Corpo de Bombeiros.

No Festival Folclórico de 2011, os barcos foram proibidos de ancorar neste trecho da orla. Várias placas chamam a atenção e sinalizam a atracação para distante dali.

Em duas áreas extremas da ilha o perigo também é evidente. No bairro industrial de Santa Clara, a rua Nakauth poderá desaparecer e, no final da rua Armando Prado, no bairro de São Benedito, os desmoronamentos ameaçam levar as casas.

“Estamos preocupados porque tem chovido bastante esses dias. Já fizemos vários apelos. Queríamos que interditassem a rua de novo porque os carros continuam passando por aqui”, disse Elieuza Souza, 30, que reside no local.

Emergência

A Prefeitura de Parintins e o Governo do Estado decretaram situação de emergência na cidade por conta dessas áreas de risco, ainda no ano passado. “O problema maior do desbarrancamento é na vazante, porque na cheia do rio a água bate e não deixa o muro de arrimo cair”, afirmou o coordenador da Defesa Civil de Parintins, Sebastião Teixeira.

Ele disse que a subida do rio Amazonas aumentou uma média de cinco centímetros diários. O volume de água no dia 19 de janeiro era superior a 2010 e 2011, relacionado ao mesmo período. Em 2010, a cota fluviométrica marcava 3m60 e, em 2011, apontava 2m36. “Neste ano a régua marcou 4m6”, completou o coordenador.

Seinfra

O prefeito de Parintins, Bi Garcia (PSDB), informou que a prefeitura aguarda a definição com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), e com o Governo Federal para construir o muro de contenção nos bairros de São Benedito e Santa Clara.

“São trechos extensos que requerem um maior volume de recursos financeiros e o município sozinho não tem condições de arcar. Estamos no preparando para fechar os convênios e realizar a obra no primeiro verão”, disse o prefeito. Garcia apontou que esses dois trechos representam o maior perigo de desmoronamento.

Na praça do Comunas, no Centro, onde os paredões do muro de saneamento já apresenta rachaduras, o prefeito anunciou que a prefeitura irá executar a obra com recursos próprios. O município vai desembolsar R$ 200 mil para os serviços.

“Na semana que vem a obra começa na área da praça do Comunas. Ali a situação esta mais fácil de resolver”, conclui o prefeito, que está, em Manaus, e teve ontem um encontro com o governador do Amazonas, Omar Aziz (PSD).

Famílias

A cada chuva, problema se agrava no Nova Vitória. Moradores dizem não ter mais a quem apelar e Seinfra vai enviar técnicos ao local Alexandre Fonseca Casas estão a centímetros da grande cratera que ameaça destruí-las Abandonadas.

É assim que as 20 famílias residentes na avenida João Marcos Posseti, no bairro Nova Vitória, Zona Leste de Manaus, se sentem em relação ao que chamam e descaso das autoridades quanto à situação de perigo que estão vivendo.

Toda vez que chove, o barranco onde suas casas foram erguidas cede um pouco mais, colocando em risco a vida das famílias das áreas superior e inferior do barranco. Moradores dizem que não sabem mais o que fazer.

Eles já procuraram as defesas Civis do Estado e do município e a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab), mas não obtiveram resposta. “Quando a gente vai lá na Defesa Civil dizem que essa área não existe e que nós, moradores, já saímos daqui e fomos indenizados pela Suhab”, disse o morador Ricardo Dias Frota, 32.

Ricardo mostra que parte do barranco já cedeu e há sinais de erosão vistos no solo das casas, As residências de alvenaria estão rachadas e nas casas de madeira os esteios estão cedendo gradativamente.

“Nós pedimos uma solução ao governo e à prefeitura. Se a área desabar, como a gente vai ficar?”, questionou o vigilante com o laudo da Defesa Civil de 2008 que indica que a área é de risco. A Suhab indica que as ações realizadas na área foram solicitadas pela Secretaria de Infraestrutura do Amazonas (Seinfra).

Já a Seinfra diz que os técnicos do Departamento de Engenharia vão analisar a situação da área para inserí-la no Plano de Combate a Erosões e verificar se os moradores foram indenizados. O órgão já identificou 63 pontos de erosão nas zonas Norte e Sul de Manaus para intervenção imediata.