Publicidade
Cotidiano
Notícias

'Flanelinhas' têm vagas ameaçadas em Manaus

Segundo a Aglavam existem atualmente 3 mil ‘flanelinhas’ na capital, sendo 2 mil credenciados junto à entidade e mil considerados ilegais. Só na avenida Eduardo Ribeiro são 60 ‘flanelinhas’ que trabalham em regime de revezamento em dias intercalados 14/01/2012 às 15:57
Show 1
Prevista para maio, a implantação do programa é motivo de preocupação para os trabalhadores
Florêncio Mesquita Manaus

Há mais de duas décadas trabalhando como guardador de carros na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, Henrique André dos Santos, 36, teme ser retirado do local com a implantação do Programa Zona Azul, prevista para ocorrer até maio deste ano. Henrique é um dos 600 “flanelinhas” que atuam nas ruas do Centro e que afirmam terem os “postos de trabalho” ameaçados pelo programa.

Segundo dados da Associação dos Guardadores e Lavadores Autônomos de Veículos Automotores do Estado do Amazonas (Aglavam),  existem, atualmente, 3 mil “flanelinhas” na capital, sendo 2 mil credenciados junto a entidade e mil considerados ilegais. Só na avenida Eduardo Ribeiro são 60 “flanelinhas” que trabalham em regime de revezamento em dias intercalados. “Cada ‘flanelinha’ tem três dias para trabalhar. Metade trabalha segunda, quarta e sexta-feira e os outros 30 na terça, quinta e sábado”, explicou Henrique, que preside a Aglavam. 

Conforme Henrique, o projeto vai prejudicar a categoria porque será um sistema eletrônico que dispensa a mão-de-obra humana. Ele lembra que, em 2003, a prefeitura tentou fazer um sistema parecido só que ao contrário da proposta digital o pagamento era feito com talões de papel que contabilizavam o tempo de estacionamento rotativo, mas não deu certo.

“Os talões eram vendidos pelos próprios ‘flanelinhas’. O lucro com os valores arrecadados era divido em 50% do para a Prefeitura e a outra metade para o guardador”, explicou.

Cada “flanelinha” consegue arrecadar, diariamente, R$ 50. Ele explica que os “flanelinhas” associados são coordenados por líderes de áreas.

 “Já que são muitos associados, temos líderes para organizar a guarda de carros em várias zonas da cidade. Temos líderes, por exemplo, no bairro Eldorado, Ponta Negra Cidade Nova, Educandos, Manaus Moderna entre outros. Só no Centro são 20. Todos os associados seguem as orientações das lideranças”, disse.

Henrique diz que os “flanelinhas” são discriminados por conta da ação dos guardadores ilegais. Para tentar superar a imagem negativa, Henrique explica que os “flanelinhas” tentam adotar uma padronização de comportamento e farda onde são monitorados. “Hoje os guardadores são identificados com crachás e pelas camisas que têm o nome da associação. No entanto, tem muita gente se passando por guardador. Eles são ilegais e se infiltram na nossa categoria só para prejudicar”, disse.