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Cotidiano
SAÚDE

FMT descarta encefalite viral em paciente de Barcelos internado em Manaus

Outros dois casos suspeitos estão sendo acompanhados na unidade, de pacientes oriundos da comunidade de Tapira, em Barcelos 20/11/2017 às 17:31 - Atualizado em 20/11/2017 às 17:39
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Foto: Arquivo A Crítica
acritica.com

O resultado do exame do liquor – líquido cefalorraquiano – colhido de um paciente adulto de 44 anos internado em Manaus deu negativo para encefalite viral. A informação é do infectologista Antonio Magela, da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam). Outros dois casos suspeitos da doença estão sendo acompanhados na unidade, de pacientes oriundos da comunidade de Tapira, no rio Unini, no município de Barcelos, interior do Amazonas.

Outra paciente internada na unidade, uma menina de 10 anos, da mesma comunidade em Barcelos, possui quadro de encefalite viral. O estado dela mantém-se grave, em coma, porém estável, ou seja, não houve alteração de quadro desde que deu entrada no último dia 17 na Fundação de Medicina Tropical. Um terceiro caso, de um rapaz de 17 anos, que faleceu na quinta-feira (16), no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, da mesma comunidade, também está sendo investigado pelas autoridades sanitárias do Estado.

Raiva humana

Uma das hipóteses para a causa da encefalite viral é a raiva humana, uma vez que os pacientes tinham relatos de mordida de morcego, mas a investigação trabalha com outras hipóteses de infecção por arbovirus comuns em área de floresta.

O paciente adulto não apresentou alteração de quadro nas últimas 24h e desde que deu entrada, segundo Magela, está lúcido e orientado. “O resultado do exame de líquor deu negativo para encefalite, sem alterações neurológicas e o paciente segue em observação na unidade”, disse o médico.

O exame de liquor faz parte de um conjunto de exames realizados na suspeita de encefalite viral para indicar se há alteração neurológica e o tipo de vírus que causou a infecção cerebral. Segundo Magela, a suspeita de encefalite sobre o paciente foi em função de ele ser da mesma comunidade e ter apresentado histórico de mordida de morcego, além de se queixar de dores lombares e dormência nas extremidades (pés e mãos). Ainda segundo ele, o paciente vai passar por uma tomografia para verificar as causas dos sintomas apresentados.

Exames fora

Nos outros dois casos será mantida a investigação para indicar o tipo de vírus que causou as infecções. O material recolhido vai para o Instituto Evandro Chagas, em Belém (PA), que é o laboratório credenciado pelo Ministério da Saúde, na região Norte e, posteriormente, será feito diagnóstico molecular no Instituto Pasteur, em São Paulo (SP), com previsão de resultados em vinte dias.

“Só poderemos falar em raiva depois que tivermos os resultados dos exames e não podemos descartar outras causas de encefalite. Agora, diante de um paciente com uma encefalite rapidamente progressiva, inclusive evoluindo para óbito, no caso do adolescente, e que tenha história prévia de contato com morcego, a primeira hipótese é a raiva, mas a confirmação somente será possível quando tivermos em mãos o resultado dos exames de laboratório, que são muito específicos, complexos e demandam tempo para conclusão. Mas não esperamos o resultado para tratar o paciente”, esclareceu o infectologista.

Estratégia

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) e os demais órgãos que compõem o sistema de vigilância epidemiológica do Estado – Centro de Informações Estratégicas de Saúde (Cieves/FVS-AM), do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE/FMT-HVD) e Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/FVS-AM) – montou uma estratégia para investigar os casos de encefalite viral.

Desde domingo (19), uma equipe de vigilância ambiental está em Tapira trabalhando com o apoio da equipe da Secretaria Municipal de Saúde de Barcelos. Amanhã está prevista a chegada de um biólogo e veterinário da FVS-AM para completar a equipe.

O trabalho da FVS-AM na reserva será focado na investigação, busca ativa de novos casos, profilaxia com vacinação e soro para quem foi agredido por morcego, além de vacinação de cães e gatos, captura e controle dos morcegos hematófagos e de animais domésticos suspeitos, coleta de amostras e ações de educação em saúde.

Foram disponibilizadas para o município em torno de 750 doses de soroterápicos, incluindo 250 vacinas antirrábicas humanas, 250 vacinas antirrábicas caninas e 250 soros antirrábicos, além de 100 mosquiteiros impregnados e 200 frascos de repelentes.

*Com informações da assessoria de imprensa