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Funcionário público José Nagib afirma não ter pretensões de cargo na Suframa

Nagib garantiu que seu nome não aparece em indicações para cargos na Superintendência da Zona Franca de Manaus e disse que está afastado por motivos particulares 16/01/2016 às 13:03
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José Nagib no dia de sua posse como superintendente adjunto de planejamento na gestão de Thomaz Nogueira
Janaína Andrade ---

O funcionário público federal, José Nagib, declarou que mesmo que fosse indicado, não pretende assumir o cargo de superintendente Adjunto de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Mas fez uma ressalva à atual superintendente da instituição, Rebecca Garcia (PP) – os cargos de confiança na autarquia sempre foram definidos por meio de escolhas políticas do Governo Federal e não só do superintendente.

“É comum as pessoas que têm os cargos principais da pasta serem nomeados através de um acordo político. A primeira vez quando fui superintendente de operações foi através de uma composição política, e depois, quando fui superintendente adjunto de planejamento, também. Continuam existindo as composições políticas da Região Norte que pleiteiam as indicações”, contou.

Nagib garantiu que seu nome não aparece em indicações para cargos na Suframa e disse ainda que está afastado por motivos particulares. “Essa discussão está ocorrendo paralela a mim. O meu tempo de Suframa já deu”, afirmou.

As declarações de José Nagib ocorreram após a atual superintendente, Rebecca Garcia, condicionar sua permanência à frente da instituição à nomeação de Walter Roberto Sipelli – braço direito do Grupo Garcia, empresa do pai da ex-deputada.

Sipelli chegou a ser nomeado na terça-feira (12) para o cargo, mas no dia seguinte (13), o Diário Oficial da União (DOU) publicou um novo ato (portaria n° 57) do ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (PT), tornando “sem efeito” a portaria anterior (n° 42), de 11 de janeiro publicada no dia 12, referente à nomeação de Sipelli.

Na ocasião Rebecca chegou a declarar que “o cargo de superintendente adjunto é de confiança e quem indica o nome é o titular da autarquia. “Quero deixar claro que não tenho nada contra o nome dele (José Nagib), mas essa nomeação inviabilizaria a minha permanência a frente da Suframa, pois este é um cargo de confiança e ele jamais trabalhou comigo. Não o conheço”, disse Rebecca na terça-feira, 12.

Nagib disse ainda que o fato dos cargos de confiança na Suframa serem definidos através de escolhas políticas do Governo, não era caso de Rebecca ameaçar deixar a pasta.

“Acredito que ela (Rebecca Garcia) não vai sair, não. Não é o caso dela (Rebecca) fazer isso, ela é uma parlamentar experiente e está aberta ao processo do diálogo. Mas aí não sei quem é a pessoa que a bancada está indicando ou vai indicar. Mas a bancada não me indicou. Tenho meu trabalho e vou me dedicar a ele. Isso não é impeditivo para quebrar o trabalho da superintendente atual”, concluiu.

‘Não fui demitido por má gestão’

Em nota, a assessoria jurídica de José Nagib, rebateu novamente a declaração da superintendente Rebecca Garcia, de que ele estaria sendo investigado pela Justiça. “O que existe na realidade e um processo de contas da Suframa, no qual ele (José Nagib) e outros dirigentes tiveram suas contas sugestionadas pela Controladoria Geral da União (CGU) no Estado do Amazonas, como irregulares no ano de 2012, e em 2013 regulares com ressalva, mas todas ainda em tramitação no Tribunal de Contas da União (TCU) sem nenhum tipo de julgamento investigativo”, diz a nota.

“Não fui demitido por má gestão. Isto não é verdade. Fui demitido por uma vontade política do ministro Armando (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) Monteiro e isso já vai fazer um ano. E como era um cargo de confiança o ministro entendeu que eu não era da confiança dele. Mas aí dizer que é por ‘má gestão’ eu discordo”, disse José Nagib.

A reportagem tentou entrar em contato, ontem, com a superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, através do número 981xxxx69, mas não foi atendida até o fechamento desta matéria.

Desligamento

Por pressão do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM), Rebecca Garcia só assumiu a chefia da Suframa quando se desligou oficialmente do Grupo Garcia. Entretanto, indicou Walter Sipelli, funcionário de confiança das empresas de sua família, para o cargo de superintendente Adjunto de Administração da Suframa, indo na contramão do recomendado. A ex-deputada estadual foi nomeada para o cargo de superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro, no dia 26 de outubro de 2015.