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Fundação Alfredo da Matta comemora 57 anos e enfermeira relembra algumas histórias

No ano em que a Fuam celebra 57 anos de fundação, irmã Ângela lembra de como era o sofrimento de pacientes e o quanto tratamentos evoluíram 28/08/2012 às 07:54
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Há 43 anos trabalhando como enfermeira sanitarista da Fundação Alfredo da Matta, irmã Ãngela acompanhou a evolução dos tratamentos da hanseníase no AM
Carolina Silva ---

Com o trabalho de enfermeira sanitarista, a irmã Ângela Torrecilla, 82, tem uma história que acompanha a trajetória da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), criada em 28 de agosto de 1955, e a própria hanseníase no Amazonas. Aos 39 anos, ela veio da Espanha para se dedicar à assistência às pessoas diagnosticadas com uma das doenças mais antigas da história da medicina.

No ano em que a Fuam, que hoje funciona na Cachoeirinha, Zona Sul, celebra 57 anos de fundação, irmã Ângela lembra de como era o sofrimento de pacientes diagnosticados com a hanseníase e o quanto o tratamento da doença evoluiu nas últimas décadas. “A hanseníase está presente no Brasil há muito tempo. Ainda na década de 40, começaram a surgir os medicamentos para tratar a doença. Mas, antes disso, existiam os leprosários. E no início da década de 80, eu e mais um grupo de médicos, enfermeiros e assistentes sociais pensamos em criar um programa de controle da hanseníase”, contou.

Leprosário era o nome dado a estabelecimentos para onde as pessoas diagnosticadas com hanseníase, também chamada de lepra, eram enviadas, para ficarem isoladas do resto da população, em uma tentativa de ‘conter’ a contaminação pela doença.

“O programa de controle da hanseníase consistiria em conhecer a situação da doença no Amazonas. Porque a realidade não era aquela que estava no leprosário. Então, nós pensávamos que tínhamos que ir ao paciente e não esperar que ele viesse até nós. E, com o apoio do Governo Estadual, começamos pelo interior, conhecendo cada município, em cada comunidade”, disse irmã Ângela.

Evoluções

Assim como a enfermeira sanitarista, a dermatologista Maria de Fátima Maroja, que trabalha há 31 anos na Fundação Alfredo da Matta, também reconhece uma evolução que passa pela infraestrutura da unidade - considerada referência no tratamento da hanseníase - até a melhoria no atendimento aos pacientes com a doença.

“A fundação era um dispensário e foi mudando até se tornar um centro de referência em tratamento da hanseníase nacional e internacional. Até 1979, os pacientes eram obrigados a ficar internados. A partir desse ano, foi abolida essa internação compulsória”, lembrou.

Segundo ela, os pacientes precisavam buscar atendimento em outro local não só para tratamento da doença, como também para prevenção. “O programa de controle da hanseníase, no momento em que passou a ter uma preocupação com o diagnóstico precoce, teve uma melhoria para os pacientes. O Amazonas já chegou a ser o Estado com a maior ascendência em detecção de casos novos. Agora, ocupa o 16º lugar em detecção de hanseníase”, avaliou a dermatologista.