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Governador do Amazonas faz alerta aos secretários

Omar Aziz diz que não vai fazer campanha para nenhum prefeito do interior e proíbe secretários de interferirem na eleição. Governador iniciou, na última semana, audiências, com seu secretariado, para atender pedidos dos prefeitos 11/02/2012 às 10:37
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Reunião, na sede do Governo, teve a presença de quatro prefeitos e do primeiro escalão da administração estadual
Lúcio Pinheiro Manaus

No dia em que anunciou o repasse de R$ 4,4 milhões para prefeituras do interior, o governador Omar Aziz (PSD) reafirmou que não vai subir em palanque de nenhum candidato a prefeito, e mandou um recado aos secretários de seu Governo: “Se alguém se meter (na campanha) será chamado atenção. Não quero interferência na vontade do povo”, avisou Omar.

O discurso de Omar distancia-se da postura adotada pelo Governo do Estado nas eleições de 2008, quando o então governador e hoje senador Eduardo Braga (PMDB) participou diretamente das campanhas de seus aliados em pelo menos dois municípios: Manacapuru e Parintins (a 84 e 325 quilômetros de Manaus, respectivamente).

Além de subir em palanque, a três dias das eleições de 2008, Braga distribuiu títulos definitivos de terra a moradores do bairro da Liberdade em Manacapuru. Em Parintins, os aliados do ex-governador tiveram o auxílio de helicóptero, hidroavião e a presença de oito secretários de Estado despachando diretamente da cidade, a 15 dias do pleito.

Ontem, Omar Aziz, que em 2008 era vice-governador de Braga, classificou de injusto o uso da Máquina do Governo Estadual nas eleições municipais. E acrescentou: “Quem tem que decidir quem vai ser o gestor é o povo que mora lá. O governador não mora no município. Não tem o direito de chegar e dizer o que é o melhor para eles”, prometeu o governador.

O candidato apoiado por Braga em Manacapuru, Edson Bessa (PMDB), foi eleito em 2008 com uma diferença de 359 votos do segundo colocado e desafeto do ex-governador, Ângelus Figueira (PV). Bessa foi cassado em abril de 2010, por abuso de poder econômico e voltou ao cargo no final de 2011 por força de liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em Parintins, apesar do apoio do Governo, Enéas Gonçalves (PMDB) foi derrotado nas urnas por Bi Garcia (PSDB), por uma diferença de 6.918 votos. Omar, que promete não subir em palanque no interior, comanda o PSD no Amazonas, partido que detém 15 prefeituras no Estado. A legenda do governador só fica atrás do PMDB de Braga, que controla o Poder Executivo em 24 municípios.

Apesar do discurso de ‘desinteresse’ no resultado das eleições municipais, no último sábado, Omar recebeu Braga na sua residência. Na pauta, segundo o senador, foi discutida a participação dos dois no pleito deste ano em Manaus e também no interior. Com relação a disputa na capital, Omar já declarou que, caso Braga seja candidato, terá o apoio dele. Mas, se o senador indicar um candidato, o governador afirmou que não se sentirá obrigado a apoiar o escolhido. Por sua vez, Braga disse que encarava a declaração do governador com naturalidade, porque também não tinha obrigação de apoiar o candidato de Omar.

Manacapuru recebe repasse

A Prefeitura de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus), governada por Edson Bessa (PMDB), foi a que recebeu a maior parcela de investimentos ontem: R$ 684,3 mil. Edson Bessa, que participou de uma reunião com o governador Omar Aziz (PSD) após o evento, disse que iria pedir do Governo ajuda para finalizar a execução de outros convênios que o Estado tem com o município. “Nós vamos aproveitar essa audiência pra demonstrar as principais necessidades de Manacapuru”, disse o prefeito. O prefeito de Anamã (a 168 quilômetros de Manaus), Jucimar Pinheiro (PSD), disse que vai usar a verba recebida ontem (R$ 80 mil) para concluir um depósito de armazenamento de castanha e por em atividade um incinerador de lixo. “Hoje, nós armazenamos o lixo na cidade, no período da seca. E, na subida das águas, transportamos esse lixo para o aterro que nós temos no lago do Anamã”, disse o prefeito.

Governo libera R$ 4,4 milhões

O governador Omar Aziz (PSD) anunciou, ontem, na sede do Governo do Amazonas, o repasse de cerca de R$ 4,4 milhões em equipamentos, máquinas e veículos para prefeituras do interior e em ações a serem executadas pelas secretárias estaduais. Parte do material foi entregue durante a solenidade, que contou com a presença de prefeitos agraciados com os convênios e de secretários de governo. De acordo com a Agência de Comunicação do Governo (Agecom), as ações buscam estimular a geração de renda no interior, e vão beneficiar diretamente 3.274 famílias. Foram beneficiados com a ação os municípios de Anamã, Anori, Caapiranga, Codajás, Iranduba e Manacapuru. No mesmo ato, foi assinado um termo de cooperação entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) e o Instituto de Terras do Estado do Amazonas (Iteam), de R$ 1 milhão, para a regularização fundiária de três Unidades de Conservação.

Faltam técnicos para implantar projeto

O governador Omar Aziz (PSD) afirmou, ontem, que não há recursos humanos no Amazonas para ele colocar em prática a promessa de administrar as políticas públicas no interior do Estado por calha de rios. “Infelizmente, eu tentei implantar isso e não consegui ainda. Talvez com a implantação do Icoti (Instituto de Cooperação Técnica Intermunicipal), a gente consiga”, declarou Omar. Pouco depois de vencer as eleições de 2010, Omar afirmou que dividiria os municípios do interior em polos de desenvolvimento, por vocação econômica, e criaria coordenações por calha de rios para administrar as ações do Governo Estadual. Até hoje, essa promessa não foi colocada em prática. Segundo o governador, o Governo do Amazonas está com dificuldade para encontrar técnicos capacitados para identificar a vocação econômica de cada região do Estado, e auxiliá-lo a direcionar investimentos. A intenção de Omar é bem vista pelos prefeitos do Amazonas, segundo afirmou o presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Jair Souto (PMDB). “O Amazonas precisa de estratégia. Indo nessa linha, o governador vai ter mais eficiência”, disse Jair. Sobre o Icoti, o governador disse que o projeto está em fase de elaboração. A primeira versão não o agradou. “Achei muito inchado. Não dá para contratar milhares de pessoas”, avaliou Omar.