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Governador Omar Aziz vira prefeito informal em Manaus

Enquanto o prefeito Amazonino Mendes (PDT) descansava, nesta quinta-feira (03/05), da viagem que fez à Miami, o governador Omar Aziz (PSD) capitaneava visitava às vítimas da cheia em Manaus, acompanhado de vereadores, deputados estaduais e federais 03/05/2012 às 21:59
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Ao ser questionado sobre a ausência de Amazonino nas áreas alagadas, Omar Aziz respondeu: "O prefeito deve estar fazendo algumas ações. Ele decretou emergência”.
André Alves Manaus

Enquanto o prefeito Amazonino Mendes (PDT) descansava, nesta quinta-feira (03/05), da viagem que fez à Miami, o governador Omar Aziz (PSD)  visitava as vítimas da cheia em Manaus, acompanhado de vereadores, deputados estaduais e federais.

Questionado sobre a ausência de Amazonino nas áreas assoladas pela enchente, o governador disse que “o prefeito deve estar fazendo algumas ações”. “Ele decretou emergência”, comentou Omar. 

Após decretar emergência, na última sexta-feira (27), em virtude da cheia que ameaça ser recorde em Manaus, Amazonino Mendes embarcou para os Estados Unidos, onde passou o “feriadão”. Ele retornou de viagem quarta-feira (2).

De passagem pelo bairro Raiz, Zona Sul, um dos mais afetados pela cheia, Omar Aziz ouviu reclamações sobre o atraso nas obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

Ele prometeu avaliar o cronograma do Prosamim e minimizar a situação dos moradores com a doação de madeiras, construção de passarelas e, em último caso, a concessão de auxílio-aluguel  para as famílias afetadas. Naquela região, mais de 600 famílias estão prejudicadas.


“Cabe a nós tentar minimizar o sofrimento dessas pessoas.  Nós estamos hoje com 74 mil famílias debaixo d’água. Em todas as calhas dos rios nós temos dificuldade. Em Manaus, temos 10 mil famílias com problemas”, disse o Omar Aziz. “Ontem conversei com o ministro da integração e é de conhecimento do Brasil todo a situação que os amazonenses estão vivendo”, comentou.


Para o presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador Isaac Tayah (PTB), a Prefeitura de Manaus deveria ter uma ação mais efetiva na ajuda às vítimas da enchente. “O prefeito sabe da necessidade da população. Assim como em um casamento, deveria estar presente não somente na alegria, mas na tristeza também”, afirmou Tayah. O líder do prefeito da CMM, vereador Leonel Feitoza (PDB), assegurou que a Prefeitura está trabalhando.


“A Prefeitura está ajudando as famílias e, na medida do possível, fazendo o que tem que ser feito. Mas é uma cheia muito grande, uma catástrofe para a cidade de Manaus. Tanto é assim que o governador veio in loco ver essa questão, que é muito séria”, comentou Feitoza. Além do bairro Raiz, a comitiva governamental também visitou os bairros Betânia e Presidente Vargas, em região conhecida como “Bariri”.


Solução
De acordo com a Agência de Comunicação do Governo (Agecom), há intervenções do Prosamim programadas para os bairros visitados nesta quinta-feira pelo governador. Ao todo, 7.528 famílias deverão ser beneficiadas. As 600 famílias que vivem em áreas alagadas entre a Betânia e a Raiz serão remanejadas pelo Prosamim até o primeiro semestre de 2013.


O mesmo deve ocorrer no bairro Presidente Vargas, onde outras 600 casas devem ser retiradas. O governo também promete remanejar 4.780 famílias do São Raimundo, Glória, Bairro do Céu, Aparecida e parte do Centro, e mais 2.148 famílias de áreas alagadas no São Jorge, Zona Oeste. A intervenção só ocorrerá depois da cheia.

Prejuízos

A dona de casa Maria Leila Silva, 30, que mora na casa de número 15 na rua Ipiranda, no bairro Raiz, Zona Sul de Manaus, é uma das mais afetadas pela alagação. A água invadiu o imóvel onde reside, destruiu praticamente todos os móveis da residência e a dona de casa precisou mudar-se para o bairro Betânia, onde atualmente divide aluguel de R$ 600 com a cunhada e o sogro. “Nos sentimos completamente abandonados”, afirmou ela, que ontem caminhava dentro de sua casa alagada, no bairro Raiz, com água acima do joelho.


Juntamente com os três filhos, a dona de casa Rosinete Ferreira Nazaré está “ilhada”, dentro de casa, em virtude da cheia. Os filhos (de 5, 7 e 10 anos), já não estão mais frequentando a escola porque não conseguem sair de casa. As pontes do Beco Ipiranga, onde residem, foram cobertas pela água da enchente. “Fomos esquecidos”, lamentou. “Estamos entregues às baratas”, reforçou a doméstica Fátima Pereira Oliveira, 33, que também mora no Beco Ipiranga com o marido e seis crianças.