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Governo impõe ‘proposta’ aos grevistas das universidades federais

Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) rechaçou postura do Governo Federal de impor reajuste já negado e fim da greve. A partir das 15h desta sexta-feira (3), os professores da Ufam se reúnem para avaliar o “acordo” firmado entre o governo federal e o Proifes 03/08/2012 às 08:34
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Marcha do funcionalismo público federal foi realizada no dia 18 de julho, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Luana Gomes Manaus (AM)

A contragosto da grande parcela de professores universitários que estão com “braços cruzados” há exatos 78 dias, o Governo Federal deve enviar a última proposta de reajuste salarial ao Congresso Nacional, firmando acordo com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), uma das três entidades sindicais. De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes/SN), o acordo com a Proifes não é válido, visto que ela representa apenas sete das 57 universidades e dos 37 institutos federais que aderiram à paralisação.

Por meio de assessoria, o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, comentou que o Poder Executivo federal não deve apresentar nova contraproposta e que o acordo está aberto para receber as assinaturas das outras entidades – Andes/SN e Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Tecnológica (Sinasefe).

De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua) e coordenador do Comando Local Unificado de Greve (CLGU), Antônio Neto, o governo fechou acordo com uma entidade que não tem representatividade com os docentes. Neto apontou que, as poucas universidades sindicalizadas ao Proifes estão se desvinculando do sindicato, como a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O representante afirmou que a greve deve continuar para pressionar o governo a retornar a mesa de negociação, especialmente quando o “acordo” firmado não altera em nada o movimento. “As grandes universidades não estão ligadas a esta entidade, que tem cunho governista. O governo fez acordo com ele mesmo. Esta federação se faz presente apenas como fantoche”, acusou.

Nesta quinta-feira (2), integrantes do comando de greve local participaram de uma reunião no qual foi discutido o acordo entre a Federação e o Governo Federal. Conforme posicionamento dos docentes, esta “quebra na mesa de negociação, a partir de uma decisão unilateral”, reforça a paralisação das atividades.

“Pseudoacordos”

Conforme comunicado do Andes, “o governo manteve seu método no trato com os servidores públicos federais, o qual nega o processo democrático de negociação”. De acordo com a entidade – que conta com mais de 72 mil sindicalizados, através de 110 seções sindicais espalhadas pelo território nacional –, o poder executivo firmou um “pseudoacordo” com os docentes.

A Proifes contesta, afirmando que 5,22 mil professores participaram da votação eletrônica, dos quais 3,85 mil foram favoráveis a proposta do governo.


Nova reunião

A partir das 15h desta sexta-feira (3), os professores da Ufam se reúnem para avaliar o “acordo” firmado entre o governo federal e o Proifes. Apesar das representatividades terem avaliado o acordo como um total desrespeito, os professores precisam votar sobre a continuidade da greve.