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Greve da Suframa gerou prejuízos de US$ 5 bilhões, diz Fieam

Após  interrupção da paralisação, Governo Federal promete por proposta de plano de carreira dos funcionários do órgão no orçamento de 2016 16/07/2015 às 23:03
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Cerca de 90% das 950 unidades de carga (contêineres e carretas) já foram vistoriadas e liberadas
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

Com o fim da greve decretada ontem (16), o próximo passo para os servidores da Suframa - que não tiveram reajuste salarial aprovado até o momento - será acompanhar se a proposta de plano de carreira e equiparação salarial da categoria será incluída na Lei Orçamentária de 2016. Esta é a promessa do governo federal

A paralisação de 56 dias chegou ao fim na tarde de ontem, por decisão do Sindicato dos Funcionários da Suframa (Sindframa) que, a pedido de parlamentares da bancada da região Norte, deram um voto de confiança para intermediar a reestruturação salarial junto ao governo.

“Achamos por bem confiar nos nossos parlamentares, como a sociedade já se sentia prejudicada. Acreditamos que seria uma saída vantajosa para a gente. Se o governo tiver de enganar será os parlamentares do Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá. Pediram para a gente acreditar porque eles seriam avalistas dessa negociação”, ressaltou o presidente do Sindframa, Anderson Belchior.

A greve começou no dia 21 de maio, quando o governo decidiu vetar ao artigo 9º da MP 660/14, que excluiu o plano de cargos e salários dos 730 servidores da Suframa. Eles reclamam que ganham salários inferiores aos servidores com carreira equivalente no Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), a quem a Suframa está vinculada.

Durante assembleia, em maio deste ano, os servidores da Suframa votaram pela paralisação por tempo inderteminado (Foto: Antônio Lima)

Até o momento, a Câmara dos Deputados já adiou por cinco vezes a votação que pode derrubar esse e demais vetos da presidente Dilma Rousseff (PT).

O deputado federal Pauderney Avelino disse que vai continuar acompanhando o assunto, com a reunião da Lei Orçamentária que chega ao Congresso mo dia 30 de agosto. “Vamos avaliar essa agencia executiva federal. O ministro prometeu colocar na Lei Orçamentária a inclusão do anexo 5 do reajuste da Suframa. Vou continuar acompanhando como venho fazendo há dois meses”.

A reportagem procurou por telefone o superintendente da Suframa, Gustavo Igrejas, para comentar o fim da greve, mas não obteve sucesso.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) avaliou que “de forma responsável os servidores acataram o pedido do governo. “Há um compromisso do governo a partir da criação da agência executiva. Mas a proposta de fazer a previsão da nova carreira na LDO, só a partir de 2016.

Atualmente, 800 servidores estão lotados na Suframa, sendo 155 aposentados e 34 pensionistas; 540 servidores ativos e 71 terceirizados da Fucapi mantidos sob decisão de liminar. Em 2014, foi realizado concurso para preenchimento de 241 vagas, mas houve uma evasão de mais de 38% de servidores.

Impacto da reestruturação salarial: R$ 84 milhões 

Nas justificativas para o veto,  o governo federal argumentou que não há previsão orçamentária do impacto financeiro de R$ 84 milhões este ano, além de descumprir a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2015. Além de que o aumento descumpre o artigo 63 da Constituição Federal, que proíbe emenda de despesas.

Prejuízo de quase US$ 5 bilhões

O movimento causou prejuízos estimados em US$ 5 bilhões no período de dois meses, se contar o tamanho do faturamento industrial previsto para este ano, que é de US$ 30 bilhões, disse o vice-presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo.

“Se não fosse o governador para tentar minimizar nossa  dificuldade, estaria prejudicado o abastecimento do comércio, itens de necessidades básicas. Melhor estarmos todos juntos, brigarmos contra o governo federal. Greve é direito do trabalhador, mas temos que ver até onde não prejudica o interesse público”, pontuou Azevedo.

A greve acumulou prejuízos de R$ 150 milhões a menos com recolhimento de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entre maio e junho, por conta de quase 200 mil fiscais que ficaram represadas por falta de servidores.