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Greves de agências reguladoras devem reforçar prejuízos no Polo Industrial de Manaus

Fora a greve dos auditores da Receita, PIM teme mais perdas com adesão das agência reguladoras 19/07/2012 às 07:35
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Servidores federais em greve realizaram passeata nesta quarta (18) pela manhã
Luana Gomes Manaus

Os representantes do setor industrial estão pessimistas com mais uma greve no Estado, desta vez envolvendo as agências reguladoras federais. No Amazonas, os servidores da categoria aderiram ontem ao movimento, deflagrado no País desde segunda-feira. Em meio ao acúmulo de dificuldades, a estimativa da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) é que haja um recuo de aproximadamente 15% no faturamento deste ano, em relação ao de 2011 (US$ 41,2 bilhões).

De acordo com o vice-presidente da entidade, Nelson Azevedo, em sintonia com as paralisações que vem ocorrendo desde o mês passado, a greve das reguladoras deve prejudicar ainda mais o desempenho do setor, especialmente quando são responsáveis pela fiscalização dos insumos industriais. Azevedo comentou que a expectativa anterior dos dirigentes era de que houvesse melhora no segundo semestre, mas os prejuízos consolidaram o ano como “perdido”.

Azevedo argumentou que, além das paralisações, na qual algumas categorias completaram um mês, a concorrência com os importados, a crise econômica mundial e, consequentemente, o desaquecimento do mercado, são grandes influenciadores da performance negativa das empresas do polo. Inclusive, para evitar prejuízos em demasiada, algumas optaram pelas férias coletivas por um tempo ampliado.

Agências
O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação no Amazonas (Sinagências-AM), Altemir Belém, em média 100 trabalhadores do total de trabalhadores destes órgãos participam do movimento. De acordo com ele, cada agência deve contar com 40% dos servidores para atender os usuários, pouco além do que determina a legislação.

Conforme a entidade, no Estado, as atividades foram paralisadas no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), nas Agências Nacionais de Vigilância Sanitária (Anvisa), de Transporte Terrestre (ANTP), de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e de Telecomunicações (Anatel).

Belém ponderou que existem aproximadamente 160 trabalhadores trabalhando nestes setores. Desta forma, uma das reivindicações é que o governo elabore concursos públicos para atender a demanda.

O dirigente avaliou que, caso a greve se estenda, o polo deve sentir reflexos significativos. Belém exemplificou que, no caso da Anvisa, muitos insumos ficarão retidos, o que deve prejudicar o abastecimento. “O efeito é imediato com a paralisação das agências”, frisou.

Um mês de paralisação dos auditores
Mesmo depois de 30 dias de operação padrão e crédito zero, os auditores não estão preparados para desistir das negociações, principalmente com o “descaso” do governo. A proposta é que haja uma reunião no dia 31 de julho, para possível acordo.

De acordo com o presidente da delegacia amazonense do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindfisco Nacional), Eduardo Toledo, a deflagração da greve resultou em retenção de mercadorias em portos e aeroportos do País.

O presidente abordou que o número de declarações de importação (DI) aumentou nas filas de espera. Anteriormente, 160 DI’s compunham as filas de desembaraço, agora são 500.

A partir do dia primeiro de agosto, os servidores devem tratar as novas estratégias do movimento. “Estamos prontos para um período mais longo”, finalizou.