Publicidade
Cotidiano
Notícias

Grupo de haitianos que chegou nesta sexta-feira em Manaus não tem para onde ir

O padre Gelmino Costa está preocupado com a vinda de novos imigrantes em pouco tempo e há risco deles serem obrigados a dormir nas ruas 21/01/2012 às 09:36
Show 1
Abrigos de Manaus e de Tabatinga já estão lotados
Felipe Libório Manaus

Após a primeira semana do mutirão da Polícia Federal para regularizar a situação dos haitianos em Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), um barco com 39 imigrantes aportou nesta sexta-feira (20) na capital amazonense. Os haitianos chegaram à cidade sem ter para onde ir.

De acordo com o pároco da Paróquia de São Geraldo, Gelmino Costa, que é ligado à Pastoral do Migrante, 11 dos recém-chegados serão abrigados pela igreja Assembléia de Deus e os 28 restantes por conterrâneos que já estão há mais tempo na cidade.

“Os locais em que nós costumamos abrigar os que chegam já estão todos lotados. No entanto, mesmo os que serão hospedados por outros haitianos recebem colchões e alimentação, até que consigam se estabelecer”, disse o padre.

Os imigrantes que atracaram no porto de Manaus vêm de uma viagem de três dias pelo rio Solimões. Segundo Roseléne Josephe, 46, muitos dormiam nas praças em Tabatinga e recebiam ajuda da Igreja católica e de moradores da cidade.

“Nós ficamos três meses e meio em Tabatinga. Lá não havia emprego, nem onde ficar. Quem nos dava comida era a Igreja e nós tínhamos que nos manter como podíamos”, afirma ela.

Rua

Desde segunda-feira (16) a Polícia Federal realiza um mutirão em Tabatinga para regularizar a situação dos haitianos que aguardam na cidade pela abertura do pedido de visto humanitário.

Para dar início ao processo, os imigrantes precisam ser entrevistados pela PF, que envia o processo para o Conselho Nacional de Imigração (CNIg) em Brasília. A regra só é válida para os que cruzaram a fronteira antes do dia último dia 12, quando o CNIg aprovou uma resolução que restringe a entrada de haitianos no Brasil.

Com o mutirão, a PF pretende atender em um mês todos os cerca de 1,3 mil que estão na lista de espera para pedir o visto. Para acelerar o processo, a entrevista está sendo dispensada.

Para o padre Gelmino Costa, a vinda de tantos imigrantes para Manaus em pouco tempo é preocupante. “Nós já abrigamos uma média de 100 haitianos e não temos onde colocar os que chegaram agora. Se o governo não fizer nada, nós vamos ter haitianos dormindo nas ruas como ocorre em Tabatinga”, afirma.