Publicidade
Cotidiano
Economia, idiomas, Mandarim

Idioma mandarim desperta o interesse de profissionais, em Manaus

O domínio do idioma oficial da China é uma competência valorizada, mas escassa no mercado. Por isso, empresários e profissionais investem para aprender o chinês 08/01/2012 às 16:21
Show 1
O empresário Thiago Freire partiu para o aprendizado da língua mais falada no mundo para expandir a parceria com fornecedores orientais
Priscila Mesquita Manaus

Nas últimas décadas, o domínio dos idiomas inglês e espanhol dava aos currículos profissionais o diferencial procurado pelas empresas. No entanto, a liderança da China na economia mundial trouxe novos desafios para as organizações, que buscam fornecedores ou compradores do oriente, e para os profissionais, que podem dar um salto na carreira com o aprendizado do mandarim (língua oficial da República Popular da China).

O empresário Thiago Freire é um dos que já percebeu a oportunidade de ampliar os negócios com o domínio do idioma mais falado no mundo. Proprietário da importadora Freire Import, diariamente ele precisa se comunicar com fornecedores chineses, que enviam para Manaus máquinas para construção civil. Desde 2005, Thiago utiliza a língua inglesa para conversar com os orientais, mas sua meta é usar o mandarim.

“Estudo o idioma há dez meses, mas ainda não dá para utilizá-lo em reuniões de negócios. Espero atingir uma fluência melhor daqui a um ano”, afirmou o empresário, que na última terça-feira (3) desembarcou em Manaus após reuniões na China. 

De acordo com Thiago, que estuda na escola Wizard (unidade Parque Dez), a fluência em chinês é uma competência rara e muito valorizada pelas empresas que atuam no comércio exterior. “Contrataria muito fácil uma pessoa com domínio da língua para gerenciar projetos que temos no exterior”, disse.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a China é o principal fornecedor de insumos para as empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). De janeiro a novembro de 2011, o parque local adquiriu US$ 3,9 bilhões em insumos vendidos pela China, o que representou um crescimento de 14,3% ante ao mesmo período de 2010.

Ascensão na carreira
Em 2009, o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) iniciou a qualificação de 300 alunos que buscavam se aperfeiçoar para atuar no setor de turismo, por meio do aprendizado do inglês, espanhol, francês ou mandarim. A iniciativa, realizada em parceria com a Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), conta atualmente com 23 alunos de mandarim, que devem concluir o curso até 2013.

Segundo o Diretor de Relações Empresariais e Institucionais do Cetam, Leonardo Bruno Monteiro, o domínio dessa língua estrangeira é um trampolim para a carreira profissional.

“A progressão é certa. Esses profissionais serão procurados, porque as empresas buscam pessoas que já tenham essa habilidade. As organizações não podem esperar quatro anos para que um funcionário aprenda chinês. Elas querem alguém pronto”, explicou.

Para a coordenadora pedagógica da escola Wizard (Parque Dez), Dayana Braga, o mandarim é a ‘língua do futuro’. “Inglês e Espanhol já fazem parte da grade normal de qualificações. Quem quer ganhar espaço no mercado deve estudar o chinês e se dedicar”, recomendou.

“Sou  professora de inglês, mas há seis meses comecei a estudar mandarim. A economia da China está crescendo muito e acho que conhecer o idioma oficial do País vai abrir muitas portas no mercado de trabalho. Será um diferencial no currículo, a possibilidade de dar um salto na carreira. O aprendizado da língua é, com certeza, bem mais difícil que o inglês. Cada palavra no mandarim tem um som e, se você emite o som errado, acaba falando outra palavra. Na minha área, essa habilidade será importante para que eu ofereça serviços de tradução”, afirmou Magda Pelegrin, 19, estudante do idioma.

Ela explica que o perfil dos alunos que se dedicam para aprender o mandarim se difere do perfil encontrado nas classes de inglês. “Quem estuda chinês geralmente trabalha no Distrito Industrial e já fala um ou dois idiomas estrangeiros”, comenta.