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Inquérito apura enriquecimento ilícito de prefeito de Tapauá

O prefeito em exercício Carlos Gonçalves também é investigado por suspeita de tráfico de drogas e envolvimento no assassinato do secretário de Esportes da localidade 25/01/2012 às 20:39
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O prefeito em exercício de Tapauá, Carlos Gonçalves
Ana Carolina Barbosa Manaus

Na última terça-feira (24/01), mais um inquérito foi instaurado pelo ex-delegado de Tapauá (a 450 quilômetros de Manaus), o 3º Sargento da Policia Militar Rildo da Costa Santos, contra o prefeito em exercício Carlos Gonçalves da Silva (PMDB). Desta vez para apurar indícios de enriquecimento ilícito, improbidades, desvio de recurso público e lavagem de dinheiro. As informações estão disponíveis no site do Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam). O prefeito é investigado também por suspeita de tráfico de drogas e envolvimento na morte do secretário de Esportes da localidade, Paulo Jorge Vitorino da Mota, ocorrida no último dia 17.

No último dia 24, um novo pedido de prisão preventiva do prefeito em exercício de Tapauá (a 450 quilômetros de Manaus), Carlos Gonçalves da Silva, foi distribuído pela desembargadora plantonista Clara Maria dos Reis, e está, agora, nas mãos da juíza Cleonice Fernandes de Menezes Trigueiro, a quem caberá a decisão. Na representação criminal, cuja acusação é o assassinato do secretário municipal, o delegado Fábio Martins Silva solicita as prisões de Elissandro Oliveira da Silva e Edivaldo Gomes da Silva, que já se encontram presos suspeitos de envolvimento no crime.

De acordo com o advogado do prefeito Carlos Gonçalves, Jender de Melo Lobato, as denúncias são infundadas e não há indícios de que o prefeito tenha cometido qualquer crime. Ele classifica as denúncias como “um jogo político de interesses” de pessoas que querem prejudicar o prefeito e alega que o PM Rildo da Costa instaurou o inquérito policial para apurar o “enriquecimento ilícito do prefeito” quando sua disposição para o distrito policial já não tinha mais validade legal. “O sargento, sem poder, protocolou, no dia 23 (de janeiro), um inquérito por lavagem de dinheiro. Ele fez tudo com a data retroativa de 5 de janeiro, enquanto o município já tinha outro delegado”, destaca.

Lobato também afirmou que os dois suspeitos presos acusados da morte do secretário de Esportes de Tapauá não mencionaram durante depoimento na delegacia da localidade qualquer envolvimento do prefeito no crime e em Manaus, mudaram o discurso. “O Fábio (Martins Silva) protocolou (o segundo pedido de prisão preventiva) no plantão, enquanto ele deveria ter protocolado no expediente normal. A própria juíza plantonista informou que (o pedido) não era urgente e concluiu que ele deveria ser julgado no expediente normal”, afirma.

Ele também garante que o prefeito era amigo do secretário de Esportes, bem como de sua família e o nomeou chefe da pasta de esportes a pedido do próprio secretário, que exercia a função de professor na localidade.

 

Enriquecimento ilícito

Sobre o enriquecimento ilícito, o advogado destaca que o inquérito foi baseado em uma nota fiscal de prestação de serviços à Prefeitura Municipal de Tapauá no valor de R$ 4,3 mil e que o inquérito não tem base legal, já que não foi gerado a partir de provas levantadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que poderia porventura ter sido realizada pela Câmara Municipal, por exemplo. “Quem pode ficar rico com R$ 4 mil?”, indaga. Além disso, Lobato lembra que a denúncia ainda não foi convertida em processo, pois não houve a oferta da mesma por órgão competente, a exemplo do Ministério Público. “Eles estão fazendo todo tumultuo para demonstrar que o prefeito é bandido”, disse, sem citar nomes.

 

Tráfico de drogas

A acusação de tráfico foi formalizada após Carlos Gonçalves ter mandado que pessoas próximas queimassem uma quantidade não revelada de drogas que chegou ao município em um avião fretado que saiu de Manaus, conforme relatos de testemunhas. Ele alega que a droga não o pertencia e que ele não sabe a procedência e nem o destino do material após a chegada ao município. A acusação o levou à prisão preventiva. Ele permaneceu na condição de preso na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), em Manaus, entre os dias 31 de dezembro e 7 de janeiro, quando teve o pedido de relaxamento de prisão atendido pela Justiça.

A última movimentação do processo por tráfico aconteceu no dia 23 de janeiro, quando o envelope contendo as provas relacionadas à acusação seguiu para o desembargador Luiz Wilson Barroso para análise.