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Cotidiano
mudanças trânsito interior

Interligação de Manaus com municípios da Região Metropolitana vai exigir intervenções no trânsito

Após a construção da ponte cresceu o fluxo de veículos nos municípios interligados à capital, aumentando a necessidade de intervenções 08/01/2012 às 10:14
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Em fase de implantação do instituto de trânsito, Iranduba sofre com a falta de sinalização horizontal e vertical
Julio Pedrosa Manaus

Mais do que uma realidade, a municipalização do trânsito nas cidades da Região Metropolitana de Manaus (RMM) é uma necessidade. Sobretudo nos municípios diretamente interligados à capital pela ponte Rio Negro (Iranduba, Manacapuru e Novo Airão), onde a rotina do trânsito foi significativamente alterada desde que os motoristas passaram a contar com a nova forma de passagem, que acarretou o aumento do fluxo de veículos principalmente nos finais de semana.

A reportagem de A CRÍTICA esteve em Iranduba e Manacapuru, para verificar a situação do trânsito nas duas cidades e em ambas foram encontrados problemas de circulação graves, muito embora os dois municipios já disponham de institutos gerenciadores do trânsito - em atendimento à exigência feita pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) no processo de municipalização.

Em Iranduba, a situação é caótica. Com, aproximadamente, 48 mil habitantes, o município possui hoje uma frota de 2.588 veículos, mas não dispõe de qualquer tipo de sinalização horizontal ou vertical. As poucas placas existentes nas ruas centrais estão enferrujadas e, na maioria das vezes, escondidas. Motos, automóveis e bicicletas trafegam e estacionam livremente, sem obedecer a regras ou fiscalização.

Os moradores se dizem preocupados com o quadro do trânsito na cidade. “Desde a inauguração da ponte, aumentou muito o movimento de carros e estão ocorrendo mais acidentes”, advertiu a comerciante Inês Catanhede Hickman, aconselhando que sejam tomadas providências urgentes. Inês reside em Iranduba desde 1987 e é proprietária de um ponto comercial situado numa das esquinas mais movimentadas da cidade, das avenidas Solimões com Amazonas. Do balcão da sua loja, ela observa o vaivém de veículos e assegura que o trânsito da cidade nunca foi tão agitado.

Situação típica nas cidades do interior, o desrespeito à obrigatoriedade do uso de capacete é comum em Iranduba. A reportagem flagrou dezenas de pessoas - condutores e garupas, inclusive com crianças de colo - andando de moto sem o acessório. Bicicletas dividem espaço nas ruas com carros, motos, caminhonetes e até caminhões.

 O comerciante Lafaiete de Jesus Dourado, 43, sugere que sejam instalados na cidade pelo menos dois semáforos, um no cruzamento das avenidas Amazonas e Solimões, que dá acesso à praça dos Três Poderes, no Centro, e outro na rotatória localizada na entrada da cidade. Ele é a favor também da realização de blitz e fiscalização rigorosa. “Por enquanto, o órgão está fazendo apenas um trabalho de orientação e prevenção, não está adiantando muito”, comenta.

Instituto em fase de implantação

O Instituto Municipal de Trânsito e Transporte de Iranduba (IMTTI) foi criado em 11 de agosto deste ano e ainda está em fase de implantação, segundo a presidente do órgão, Eliane Souza Amorim. Ela explica que a prioridade tem sido regularizar a situação do ente municipal junto ao Detran e Denatran, para que ele possa de fato começar a atuar, definitivamente incorporado ao sistema nacional de trânsito.

 “A documentação está em Brasília para nosso cadastramento e aguardamos a carta deles”, afirma Eliane, admitindo a necessidade de uma intervenção urgente no trânsito de Iranduba. Segundo ela, a cidade experimentou um aumento de 2.304 veículos em março deste ano para 2.588 até novembro, destes 1.070 são motocicletas e 237 motonetas. “Com a ponte, a perspectiva é de que esse número duplique muito em breve”, afirma.

O número de veículos flutuantes na cidade também tende a aumentar. “Muita gente que trabalha em Iranduba e reside em Manaus, percorre e trafega pela cidade e com a ponte aumentou o número de veículos transitando em função disso”, justifica. Eliane diz que está com o projeto da sinalização da cidade pronto e ele será posto em prática assim que o órgão estiver aprovado.

Mais agentes e reforço na sinalização

Muito antes da inauguração da ponte Rio Negro, há, aproximadamente, um ano e meio, Manacapuru já tinha a municipalização do trânsito efetivada. Apesar de contar com sinalização horizontal e vertical, a situação da cidade ainda é preocupante haja vista o aumento de veículos registrado após a construção da ponte. De acordo com o coronel Gilson Nascimento Nonato, presidente do Instituto Municipal de Transito do município, o fluxo aumentou tanto nos dias úteis quanto nos finais de semana. “Antes quem vinha para Manacapuru pernoitava para ir embora no dia seguinte, e hoje é constante o número de veículos”, observou ele, lembrando que está nos planos da prefeitura instalar mais dois semáforos na cidade - hoje existe apenas um situado na esquina das avenidas Principal e Cristo Rei.

 Segundo o coronel, a fiscalização também tem sido constante. “Aumentamos o efetivo de 15 para 32 agentes de trânsito e a cidade hoje está bem sinalizada, inclusive com faixa de pedestre”, informou. Os dois semáforos novos deverão ser instalados na Feira da Liberdade e na confluência da Estrada Manoel Urbano que leva para Novo Airão.