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Cotidiano
Interrupção água

Interrupção no abastecimento de água na Zona Leste não é novidade para moradores

Anúncio de que bairros da Zona Leste ficariam sem água nessa terça foi motivo de riso entre os moradores , que não veem abastecimento há 20 anos 11/01/2012 às 07:56
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Para moradores, uma das soluções para a falta d'água é a reativação de reservatório
Carolina Silva Manaus

Ao contrário do que a concessionária Águas do Amazonas anunciou na segunda-feira, 9, de que a interrupção do abastecimento de água no Conjunto Castanheiras, Zona Leste de Manaus, seria apenas das 8h às 21h de terça-feira(10), para os moradores não foi nenhuma “novidade”. Segundo eles, as interrupções no serviço de distribuição de água no local ocorrem diariamente, há quase duas décadas.

De acordo com a concessionária, a interrupção do abastecimento de água desta terça-feira foi necessária por conta dos serviços de interligações em adutoras localizadas nas proximidades da ponte da alameda Cosme Ferreira, no bairro Coroado, também na Zona Leste. E além do Conjunto Castanheiras; afetou os bairros São José 1, 2 e 3; Zumbi 1, 2 e 3; Conjunto João Bosco; Loteamento Carijó; Ouro Verde; Tancredo Neves; e Comunidade de Deus.

 Já faz parte do cotidiano dos moradores do Conjunto Castanheiras buscar alternativas para poder ter água nas residências. É o caso de um morador da rua São Marcos, que todos os dias precisa transportar várias vezes uma caixa d’água de 50 litros na carroceria do seu carro para abastecê-la no poço artesiano do vizinho que mora, aproximadamente, a 10 metros da sua casa.

Com uma família de sete pessoas, a moradora Ana Lúcia Lira, 46, disse que já chegou a pagar por semana de R$ 70 a R$ 80 ao caminhão-pipa para ter água em casa e, atualmente, também recorre ao poço artesiano do vizinho. Segundo ela, mesmo com a constante falha de distribuição da água no conjunto, as contas para o pagamento do consumo não param de chegar. “Cobram, em média, R$ 60 para que eu não tenha água em casa. É um absurdo”, reclamou.

Cansada de pagar por um serviço que não usufruía, a moradora Rogéria de Souza, 30, pediu o cancelamento do abastecimento de água, pela concessionária Águas do Amazonas, na sua residência. “Não achamos justo pagar pelo que não estamos usando”, reclamou. A moradora explicou, ainda, que a solução foi juntar dinheiro com o vizinho e comprar uma mangueira de 100 metros para abastecer o reservatório da sua casa com água do poço artesiano de um morador de outra rua.

Para estes moradores, uma das soluções para o problema da falta d’água no conjunto, é a reativação do reservatório da concessionária Águas do Amazonas no local.

 

Falta d’água é realidade há muitos anos

Morador do Conjunto Castanheiras há quase 20 anos, o comerciante Delane de Souza, 64, chegou a rir do anúncio da concessionária sobre a interrupção no abastecimento de água durante toda a terça-feira(10). “Chega a ser engraçado eles informarem que vai faltar água aqui, enquanto que todo dia sofremos com esse problema”, disse.

 O comerciante informou que já chegou a passar quatro anos consecutivos comprando água semanalmente de caminhão-pipa para ter água em casa e no comércio. “O jeito foi comprar uma mangueira de borracha para abastecer com a água do poço artesiano do vizinho.”

Para o diretor técnico institucional da concessionária Águas do Amazonas, Arlindo Sales, a dificuldade para a normalização da prestação do serviço no Conjunto Castanheiras deve-se às fraudes e furto de água por meio de ligações clandestinas nas adjacências do local.