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Cotidiano
ELEIÇÕES 2018

Janela partidária pode deixar Marina Silva fora de debates televisivos deste ano

Emissoras de TV só são obrigadas a convidar para debates candidatos de partidos que tenham ao menos cinco congressistas 10/04/2018 às 07:15 - Atualizado em 10/04/2018 às 07:18
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A Rede de Sustentabilidade, de Marina Silva, tinha cinco congressistas, mas dois de seus deputados federais migraram para outras siglas (Foto: Arquivo AC)
Náis Campos Manaus (AM)

A terceira candidata mais votada nas eleições presidenciais de 2014, a ex-senadora Marina Silva, que obteve mais de 22 milhões de votos, pode ficar de fora dos debates televisivos deste ano em razão da diminuição da bancada do partido que fundou, o Rede Sustentabilidade, na Câmara dos Deputados.

Com o fechamento da “janela partidária”, a sigla de Marina perdeu os deputados federais Aliel Machado e Alessandro Molon, que foram para o PSB, e não conseguiu atrair outros parlamentares. Na mesa de negociações, a falta de estrutura e de fundo partidário não ajudou em novas adesões.

Mesmo sob essas condições, o diretório regional do Rede acredita que sem a presença de Marina nos debates da TV existem outras formas de emplacar a candidatura da acreana, como nas redes sociais e a presença da própria presidenciável em Manaus, que deve acontecer no dia 21. “Para Rede nada foi fácil. Desde a nossa criação e o processo de formalização junto ao TSE enfrentamos dificuldades, mas uma a uma foram sendo superadas. Temos os melhores nomes e apresentaremos propostas de mudança real para o povo do Amazonas”, defendeu o porta-voz do partido, Erick Nogueira.

Nogueira lembrou que a sigla nunca teve condições de tempo de TV ou financeiras, mas que o diretório vai trabalhar com o que tem. Para o diretor, a figura de Marina Silva fala por si só e seu capital eleitoral, de 22 milhões de votos, nas eleições de 2014, tranquilizam a militância por não se tratar de uma pessoa desconhecida. “Temos até julho para fazer coligações e isso pode mudar essa realidade também”, confessou.

Único representante da Rede com cargo eletivo no Amazonas, o deputado estadual Luiz Castro também aposta em possíveis coligações com outras legendas para agregar tempo de TV a Marina Silva. “Marina vai ter espaço nos debates com os demais candidatos a presidente da República, porque até junho teremos adesão de políticos com mandato, que não concorrerão à reeleição e que garantirão espaço nos debates. Mais do que isso, os indicadores das pesquisas pontuarão o percentual necessário (5%) para que ela participe dos debates”, ponderou o parlamentar.

Prejuízos

Para o analista político, Afrânio Soares existe uma série de implicações para o candidato que não participará de um debate televisivo, mas que esses fatos não chegam a ser decisivos. “Ou seja, quem não participa dos debates certamente não perderá a eleição, mas provavelmente vai dar uma sensação no eleitorado de uma menor importância do candidato. Óbvio que a Marina Silva pode, nas redes sociais e em outros meios disponíveis, se contrapor a essa ideia”, detalha.

Afrânio ressalta que a pré-candidata à Presidência da República pode se defender em outras mídias. “Ela pode publicar que está sendo alijada do processo, mesmo tendo representatividade nas pesquisas”, explicou especialista em marketing.

O analista assegura que algum prejuízo a candidatura poderá contabilizar por essa não participação nos debates. “Uma vez que você está na propaganda e não está nos debates, não se tem a possibilidade de confrontar suas ideias com seus adversários, e nem a deles  com os seus”, explica.

Blog

Marcel Valin                                                                                               

Especialista em marketing eleitoral

“Hoje em dia o brasileiro está mais  antenado na política. E o debate politico serve para o eleitor, que já está cansado das propagandas prontas, artificiais,  separar um bom político, com respostas rápidas e ideias coerentes, do ator treinado para as vinhetas de TV; saber se realmente o candidato da sua preferência está apto a receber o seu voto.  Por isso, quem não participa de debate, por vontade própria ou não, perde uma grande oportunidade de se desvencilhar da figura chata do marketing político repetitivo. O grande problema é não poder expor suas ideias. Hoje o brasileiro cansou dos velhos caciques da política. A figura do "novo" é vista como uma salvação do País, e o candidato não pode mostrar, de alguma forma, que ele pode se encaixar nos moldes dessa "novidade política", é muito prejudicial”, afirmou.

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