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Jornal impresso mantém informações mais confiáveis

Número um em credibilidade, veículo reforça laços com a população, destacando-se entre os demais meios de informação 19/04/2015 às 09:41
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Para Nizan Guanaes, ler o jornal é requisito fundamental para desempenhar atuação relevante e que faça a diferença
jornal a crítica ---

Muita coisa mudou nos hábitos de consumo de informação nas últimas décadas, mas uma coisa permanece inabalável: o jornal impresso mantém a posição dele como meio de informação mais confiável entre todas as mídias. Mais que a TV, muito mais que a Internet, o impresso se mantém como um registro concreto dos fatos, um documento da notícia, algo que outros meios não alcançaram.

A posição privilegiada do impresso é atestada por meio de pesquisas. A mais recente - e abrangente - aponta que o Amazonas é o terceiro Estado com o maior número de leitores de jornal do País. Trata-se da Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 – hábitos de consumo de mídia pela população brasileira (PBM 2015), que foi elaborada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

O veículo, apontado pela pesquisa como o mais confiável entre os brasileiros, também é preferência de 38% dos amazonenses que lêem jornal impresso pelo menos uma vez por semana, fazendo do veículo uma de suas principais fontes de informação. E mais, esse índice vem crescendo; é maior que o verificado em 2014 (37%).

Em todo o País, 7% das pessoas lêem jornal todos os dias. No Amazonas, esse índice sobe para 16%, inferior apenas ao apurado no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, ambos com 19%.

Isso se deve a uma série de fatores identificados em outro estudo, “O poder do meio jornal”, da Ipsos Marplan Media Research. Segundo a pesquisa, a percepção do leitor é que o impresso traz a notícia já analisada, “traduzida” e, portanto, mais útil.

Relevância

Para um dos principais empresários do segmento publicitário brasileiro e presidente do Grupo ABC, Nizan Guanaes, apesar da evolução da Internet, o jornal impresso não deve ser subestimado, nem como veículo de informação diária, nem como canal para anúncios publicitários.

“Eu não conheço ninguém influente que não leia jornal e revista. Eles são essenciais para formar influenciadores de opinião, além do público em geral. A Internet não diminui a importância do impresso. Isso é mito. Ela inclusive potencializa, e muito, o alcance desse conteúdo, gerando milhares de novos leitores”, argumenta.

Em uma discussão que se estendeu pelas últimas semanas de março em relação à eficácia do jornal impresso para veicular, sobretudo, anúncios publicitários, o empresário Martin Sorrel, que comanda a maior empresa de publicidade do mundo, a WPP Group, também se manifestou sobre o assunto. Ao Jornal O Globo, ele destacou a eficácia dos meios impressos.

“Pesquisas recentes mostram que a mídia tradicional pode ser mais engajadora, e que leitores tendem a registrar melhor a informação veiculada em revistas e jornais impressos”, enfatizou.

Mercado

As opiniões dos dois empresários começam a criar uma nova corrente que contraria a opinião vigente do mercado, de que a plataforma digital é a única grande aposta para investimentos e aporte publicitários. Para Guanaes, uma plataforma não exclui a outra.

“Seja no papel, seja em plataformas digitais, os veículos se complementam. No caso do impresso, especificamente, é mais atingido o público de maior poder aquisitivo, o que o torna um excelente veículo para os anunciantes. Temos, no Brasil, cases recentes de formação de valor e marca em campanhas de jornais impressos que comprovam o retorno comercial do meio de comunicação”, argumentou.

Blog: Afrânio Soares, diretor da Action e professor da Ufam

“A mídia impressa não vai desaparecer, mas vai ter que aprender a conviver com o meio digital. Enquanto este é novo e avança a passos largos, o meio impresso tem que manter uma posição. A informação vem tanto por um quanto por outro. Ela não é excludente. O que o mercado nos sugere, e isso é apenas a minha leitura, é que o jornal impresso deve caminhar para atingir um público mais específico, que busque reportagens mais completas e mais arredondadas. A credibilidade do jornal impresso é um ponto muito forte para mantê-lo como um dos principais veículos de comunicação. No âmbito econômico, o alcance do jornal impresso ainda deve crescer, claro, não na mesma proporção de épocas passadas, mas há progressos à vista, muitos deles baseados na tendência da publicidade em continuar se organizando substancialmente para esse tipo de mídia. A publicidade na mídia digital ainda tem ares de invasão de privacidade. Ela ainda é meio “crua” nesse sentido. O internauta acaba sendo pego de surpresa por uma publicidade às vezes incômoda ou colocada ali de forma equivocada. A mídia impressa é mais seletiva. Você, enquanto leitor, vê o anúncio, se interessa, armazena-o e, muitas vezes, reverte esse ato, em compra. O setor imobiliário, por exemplo, dificilmente vai abrir mão da mídia impressa, que é um canal interessantíssimo para seus empresários. Encarte, anúncios de páginas inteiras, continuarão. De forma diferente, adaptando-se, mas estarão lá em grande número”.

Versão impressa ainda é a preferida dos leitores

Para mais da metade da população do País (58%), o jornal impresso é o meio de comunicação mais confiável. Em 2014, esse índice era de 53%, um avanço de cinco pontos percentuais de um ano para outro. Além disso, o meio impresso leva larga vantagem sobre as versões digitais.

Pesquisa da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) revela o tamanho dessa vantagem: 79% dos leitores afirmam preferir a versão impressa, enquanto 10% consomem jornais e revistas em versões digitais.

O cheiro de tinta, o peso do papel, a possibilidade de “tocar” a notícia são algumas das razões citadas por leitores na pesquisa Ipsos para justificar sua preferência pela mídia impressa em relação a outros meios.

Vale ressaltar que o número de leitores, segundo a pesquisa, não está caindo. De acordo com a apuração, permaneceu estável o percentual de brasileiros que lêem jornais ao menos uma vez por semana entre 2014 e 2015: 21%. Apenas 7% lêem diariamente, sendo a segunda-feira o dia da semana mais mencionado pelos leitores (48%), e o sábado o menos mencionado (35%).

A escolaridade e a renda dos entrevistados são os fatores que mais aumentam a exposição aos jornais: 15% dos leitores com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos (R$ 3.620 ou mais) lêem jornal todos os dias.

A pesquisa PBM 2015 foi realizada pelo Ibope com mais de 18 mil entrevistas em todo o País. Nesta edição, o levantamento constatou que a televisão segue como meio de comunicação predominante do brasileiro, com 73% dos entrevistados assistindo TV diariamente, e que 37% da população acessa a Internet todos os dias.