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Cotidiano
Juiz Tapauá

Juiz de Tapauá retorna ao município no dia 9

Esta semana, a cidade de Tapauá foi esvaziada de autoridades. Presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas informou que juiz da Comarca retorna na segunda-feira ao município 06/01/2012 às 07:49
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Vereadores de Tapauá na redação de A Crítica, nessa quinta-feira, tentam saber quem vai comandar a prefeitura do município
Rosiene Carvalho Manaus

O presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), João Simões, informou, ontem, que a partir de segunda-feira, o juiz Adonaid Tavares retorna à Comarca de Tapauá (a 449 quilômetros a sudoeste de Manaus) e, se for necessário, assumirá o Poder Executivo. A cidade enfrenta desde 2008 uma crise política agravada pela prisão do prefeito em exercício e presidente da Câmara Municipal, Carlos Gonçalves (PMDB), e a falta de consenso entre os vereadores da cidade sobre quem deve assumir o cargo vago há seis dias.

O município registrou esta semana a ausência de representantes dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. O auge da crise política de Tapauá veio no último sábado, quando o presidente da Câmara e prefeito em exercício há mais de um ano, Carlos Gonçalves, foi preso por suspeita de envolvimento em tráfico de entorpecente.

 O presidente do TJ-AM, João Simões, disse que não podia apontar quem deve assumir como prefeito em Tapauá no momento por desconhecer a Lei Orgânica do Município. Destacou que o tribunal só age quando provocado. “Quem acha que tem o direito deve recorrer a Justiça”, disse Simões.

O magistrado afirmou que a partir de segunda-feira termina o recesso do Judiciário e o juiz da comarca Adonaid Tavares retornará ao município. Quanto ao fato de Adonaid também responder também pela comarca de Itacoatiara, João Simões disse que como o caso é delicado e uma exceção, o juiz pode ser destacado para ficar apenas com prefeito de Tapauá. “Se for o caso, já que Tapauá vive uma situação que não se vê todo dia”.

O problema levou o deputado estadual José Ricardo (PT) a cogitar a possibilidade de intervenção no município. O deputado estadual informou, por meio da assessoria de comunicação, estudar encaminhar expediente ao Ministério Público do Estado (MPE) pedindo intervenção do Governo do Estado na cidade.

O governador Omar Aziz (PSD) informou, por meio da Agência de Comunicação do Estado (Agecom), que acompanha o caso e aguarda decisões do Judiciário sobre a situação.

A reportagem entrou em contato com o procurador-geral Francisco Cruz para saber se ele já havia dado parecer no pedido de soltura de Carlos Gonçalves, mas as chamadas não foram atendidas.

O advogado do vereador preso, Jender Lobato, informou, ontem à tarde, que ainda não havia novidades sobre o recurso.

 Vereadores falam em injustiça

Os vereadores Gilson Laurindo (PSDB), Gelsi Monteiro (PSDB), Altevir dos Santos (PR), Paulo Almeida (PSC) e Walter Lopes (PSC) estão em Manaus desde a última terça-feira. Eles afirma estão fora de Tapauá, mas trabalhando para que a cidade possa voltar a normalidade. No entanto, não deram previsão de quando retornaram para a cidade.

Os cinco afirmam estar convencidos da inocência do presidente da Câmara, Carlos Gonçalves, e que estão reunidos com advogados para analisar a melhor forma de encontrar uma solução para o problema. Os vereadores disseram que o funcionalismo não está com o pagamento atrasado. Segundo o grupo, o pagamento é feito até o 5º dia útil de cada mês.

 O vereador Paulo Andrade afirmou que, antes da prisão de Carlos Gonçalves, a cidade havia voltado à normalidade. Antes, troca-troca de prefeitos influenciou na administração da cidade. “Tapauá estava andando. As ruas foram recuperadas”, disse o vereador Paulo.

Sem previsão de retorno para Tapauá

Outros dois vereadores, Edicleide Queiroz (PV) e Manoel Diomédio (PV) também estão em Manaus ainda sem previsão de retorno. Edicleide Queiroz é vice-presidente da Câmara Municipal e veio a Manaus, acompanhada do colega de partido, para recorrer ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) o direito de assumir o cargo de prefeita enquanto Carlos Gonçalves estiver preso.

 Diomédio informou , ontem, que os dois reavaliaram a ideia de entrar com um recurso no TJ-AM e agora só devem pedir intervenção da Justiça quando a situação estiver prejudicando a administração da cidade. “Mas a vice-presidente ficará aqui para tentar resolver o pagamento do funcionalismo junto ao banco. E eu não posso abandona-lá nesse momento”, justificou.

Ontem, a merendeira Lucinete Silva, 44, disse que todo mês no dia 3 o pagamento já está sendo feito. "E hoje já é dia 4 e ninguém fala em nada", declarou a merendeira anteontem.