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Lindemberg disse "Matei, matei", após invasão da polícia

A afirmação foi feita pela última testemunha de defesa, o agente do Gate, Paulo Sérgio Schiavo, que comandou as negociações na época 15/02/2012 às 10:59
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Viatura com Lindemberg Alves chega ao Fórum de Santo André para o terceiro dia do julgamento do assassinato da jovem Eloá Pimentel
Débora Melo / UOL São Paulo

A última testemunha arrolada pela defesa, o agente do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) Paulo Sergio Schiavo, iniciou o terceiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, 15, depois de mantê-la como refém por cerca de cem horas em outubro de 2008.

Em seu depoimento, Schiavo, que hoje é primeiro-tenente da Polícia Militar, mas na época comandou as negociações em mais de cem horas de cárcere privado, voltou a confirmar a versão da polícia de que o apartamento só foi invadido quando um tiro foi ouvido dentro do apartamento. O agente, entretanto, afirmou à advogada de defesa que o réu fez mais dois disparos depois da invasão: um seria em direção a Eloá e outro a Nayara Rodrigues, amiga da vítima também feita refém e baleada na ação. Ao ser questionado pela promotora, porém, o policial titubeou e não deu certeza se de fato teria visto os disparos, dizendo que apenas “acreditava ter visto”.

Schiavo afirmou ainda que, quando ajudou a imobilizar Lindemberg após a invasão, o réu dizia “matei, matei”, se referindo à vítima. “Ele disse eufórico que havia conseguido matá-la: ‘matei, matei’”, afirmou.

Na segunda-feira, Nayara afirmou que ouviu apenas três disparos no intervalo entre a explosão da porta e a entrada dos agentes no local.

“Ela pode ter se confundido”, disse Schiavo sobre a fala da testemunha. Segundo ele, os cinco policiais que estavam no apartamento vizinho ouviram o disparo antes da invasão. O policial, entretanto, ressaltou que a ordem de invasão já havia sido dada e que a ação poderia ser executada em qualquer situação que configurasse risco para as reféns.

Os irmãos de Eloá assistiram a todo o depoimento, e a mãe dela chegou apenas no final, por volta das 12h20.

Depois da fala do policial foi decretado recesso de uma hora para o almoço. Na volta é aguardado o depoimento de Lindemberg. Sua  advogada disse, ao chegar ao fórum de Santo André, que o réu vai falar hoje pela primeira vez

Depois disso, os debates são abertos, com uma hora e meia para a acusação e uma hora e meia para a defesa, além da réplica e da tréplica. Somente depois disso, os jurados vão se reunir para discutir o caso e, depois, a juíza lerá o veredicto.