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Cotidiano
Reunião Codam

Maior investimento no interior do Amazonas é cobrado durante reunião do Codam em Manaus

Vice presidente da Fieam, Nelson Azevedo, cobrou nova postura em relação à economia do interior do Amazonas 04/05/2012 às 07:48
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Thomaz Nogueira (Suframa), Isper Abrahim (Sefaz), Aírton Claudino (Seplan) e Athayde Félix (Fieam) durante a reunião
Renata Magnenti Manaus

O Conselho de Desenvolvimento do Estado (Codam) se reuniu nesta quinta-feira (3) e aprovou 36 projetos. Entretanto, as discussões se voltaram para os agricultores afetados pela cheia, guerra fiscal e voltou à pauta a necessidade de fomentar a economia do interior do Estado.

Diante da queda de projetos inscritos no Codam, queda no volume de investimento e na geração de emprego, o empresário e conselheiro do Codam, José Azevedo, cobrou uma nova postura em relação à economia do Estado.

“Em  45 anos do modelo Zona Franca de Manaus, não evoluímos nada em relação ao fomento de novos negócios econômicos. Sabemos, por exemplo, que, anualmente, há cheia e seca e precisamos tirar proveito deste fenômeno”.

Azevedo explicou que, após a cheia, durante a descida dos rios, a área de várzea fica fértil. Segundo ele, na região do rio Nilo aproveita-se essa fertilidade para investir em agricultura. “É no mínimo estranho produzirmos alto tecnologia e não produzirmos alimentos que levamos à mesa. Compramos estes itens de Roraima, Ceará e de São Paulo, quando temos a condição de produzimos aqui”, disse.

Para o conselheiro, é preciso ainda garantir a sustentabilidade da economia regional. “Produzimos juta, por exemplo, mas recentemente tivemos devido à concorrência do produto que estava vindo da Índia”. Na avaliação dele, a demora em fazer algo pode levar o interior irá ao esvaziamento, e o problema vai se concentrar na capital. “Sabemos que o modelo Zona Franca é finito e, por essa razão, precisamos avançar. Temos visto e registrado alta índice de desemprego na indústria e o Codam serve exatamente para que os conselheiros discutam, não só o PIM, mas o interior”, destacou.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, lembrou da necessidade em se investir na economia local e reforçou a situação precária, devido a cheia, em que se encontram 3.800 agricultores rurais que moram em área de várzea. “Precisamos dar opções a estas pessoas e agora vamos oferecer o Crédito de Custeio Agropecuário para o setor primário”, disse.

Outra discussão levantada, foi a de que é necessário “blindar” o modelo Zona Franca. O superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, que disse esta lutando para que o Amazonas continue tendo autonomia de gerir sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) diferentes da situação dos demais Estados brasileiros. Ele informou que está em consulta pública e discussão, no site do Supremo Tribunal Federal (STF), a súmula vinculante sobre a “guerra fiscal”.

Thomaz disse ainda que tem visitado fábricas de pequenos porte e feito uma relação de indagações dos empresários que servira como base para novas medidas da Suframa. A próxima reunião do Codam está prevista para o dia 26 junho.

Os investimentos aprovados ontem no Codam somam R$ 454 milhões. Mas, quando comparados com os R$ 1.243,64 aprovados também na segunda reunião do ano em 2011, a quantia é bem menor. No entanto, o montante aprovado ontem é ligeiramente superiores aos R$ 353 milhões da segunda reunião de 2010.

Em relação aos empregos que podem ser abertos, os projetos aprovados ontem falam em 1.370. Em 2011, foram 1.887 e, em 2010, também na segunda reunião, 2.023. “Esses dados, apesar de mostrarem queda, não são tão ruins. As coisas vão melhor, não acendemos a luz vermelha”, disse o secretário de Estado da Fazenda, Isper Abrahim.

O secretário de Planejamento do Estado, Airton Claudino, reforçou as palavras de Abrahim, argumentando que, embora a curva esteja em declínio, não há motivo para pânico.

No ano passado, o Codam aprovou 226 novas projetos que somaram investimentos de R$ 4.682 bilhões e 16.985 empregos. Destes, sete foram para produzir tablets que totalizaram investimentos de R$ 255 milhões.