Publicidade
Cotidiano
PREVIDÊNCIA

Mais da metade da bancada do AM anuncia posição contrária à reforma da Previdência

Dos dez parlamentares que estão exercendo mandato, pelo menos seis dizem abertamente que votarão contra a proposta do governo Temer 04/12/2017 às 05:10
Show 1302114
Foto: Reprodução/internet
Antônio Paulo Brasília (DF)

A bancada do Amazonas no Congresso Nacional faz coro com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e admite que não há tempo para votar ainda este ano a proposta de reforma da Previdência Social. E, mesmo sendo a maioria da base aliada do presidente Michel Temer, o governo, que precisa de 308 votos em cada turno de votação na Câmara e no Senado, não contará com grande parte dos votos da bancada amazonense. Dos dez parlamentares que estão exercendo mandato, pelo menos seis dizem abertamente que votarão contra a proposta de reforma previdenciária.

O deputado Alfredo Nascimento (PR-AM) decidiu que vai votar contra a reforma da Previdência. Ele argumenta que a reforma é necessária para estancar a sangria nas contas públicas e rever privilégios, mas ressalta que não há clima para votar uma matéria tão delicada a menos de um ano da eleição presidencial.  “A proposta do governo está desfigurada e não vejo legitimidade e clima político para aprovar neste momento mudanças tão polêmicas”. Para Alfredo, o tema deve ser pauta principal da campanha eleitoral para presidente em 2018, com os candidatos deixando claro suas propostas.

Carlos Souza (PSDB-AM) diz ter convicção de que a reforma da previdência é necessária para o bem do Brasil, para equilibrar as contas e melhorar a economia. Mas, teme que somente a população mais pobre possa pagar pelo déficit. “Não podemos colocar nas costas do trabalhador essa responsabilidade, pois, sabemos que há grandes empresas e bancos, como a Caixa, Banco do Brasil e Bradesco, que devem R$ 800 bilhões à Previdência Social. Tirando 50% das empresas que faliram, será que R$ 400 bilhões não cobrem esse déficit. Temos que nos debruçar e aprofundar bem essa matéria”, declarou Souza.

Silas Câmara (PRB-AM) é taxativo em dizer que a reforma da previdência não deverá ser votada em 2017 e, mesmo que ela vá à votação, ele dará voto contrário. “É preciso o governo e a classe política resolver outras questões da economia que estão pendentes antes de fazer essa reforma”, declarou.

A deputada Conceição Sampaio (PP-AM) disse que vai consultar a população para ver se ela concorda com as mudanças propostas.

Oposição

Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a reforma da Previdência serve apenas para retirar direitos dos mais pobres e criminalizar os servidores públicos. “Hoje, temos um sistema de repartição simples, no qual os benefícios são custeados pelos participantes e diversas outras fontes constitucionais. O que se pretende é retirar essas fontes e assim utilizá-las para pagamentos de juros e dívidas do governo. Querem acabar com o maior programa de distribuição de renda do país para gerar riquezas aos bancos e às operadoras de plano de previdência privada”, disse a senadora.

O deputado Hissa Abrahão (PDT-AM) também é contrário à reforma. Não se pronunciaram os senadores Eduardo Braga (PDMB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM).

Almoço da base

Na tentativa de conseguir apoio da base aliada para votar a reforma da Previdência antes do dia 22 de dezembro, o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), promovem almoço com líderes e deputados aliados para discutir o projeto, a pauta e o calendário de votação. Maia voltou a dizer que ainda não há votos para aprovar a reforma. Para ele, as mudanças nas regras de aposentadoria vão permitir a organização das despesas do governo e o investimento de mais recursos na segurança pública, na educação e na saúde.