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Cotidiano
PESQUISA

Mamografia pode ‘mascarar’ diagnóstico de câncer de mama, analisa estudo da FCecon

Pesquisa verifica necessidade de incluir ultrassonografia. É possível estarmos “perdendo mulheres”, alerta pesquisadora 12/01/2018 às 16:41
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Foto: Arquivo A Crítica
acritica.com

Uma pesquisa científica desenvolvida na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) vem analisando se o exame de mamografia realizado em mamas predominantemente densas pode mascarar ou ocultar lesões importantes no diagnóstico do câncer mamário. Segundo pesquisadores, pode haver necessidade de complementar tal diagnóstico com ultrassonografia, nesses casos.

Segundo pesquisadores, a mama densa é a quantidade aumentada de tecido fibroglandular em relação ao tecido gorduroso no parênquima mamário, composto de lóbulos, ductos gordura e tecido fibroso. Conforme o envelhecimento das mulheres, ocorre a liposubstituição dos tecidos.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) recomenda uma mamografia de rastreamento de prevenção para as mulheres entre 50 e 69 anos, sendo apenas um exame a cada dois anos. O problema, segundo a graduanda em Medicina Ana Carolina Ramos, que cursa o 6º ano na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é que a mama densa, por ser totalmente de tecido fibroglandular, faz com que o exame da mamografia apareça na cor branca e as alterações das neoplasias, que são os nódulos e outras lesões que podem ser neoplasias, também aparecem da mesma forma no exame.

“Se a pessoa tem a mama predominantemente densa e faz a mamografia para rastrear se tem alguma neoplasia, pode ser possível que algumas dessas lesões sejam mascaradas pela mama densa. É nisso que o projeto se centra. É um estudo para saber a prevalência da mama densa no Estado do Amazonas, a prevalência das lesões neoplásicas em mulheres com mama densa à mamografia e a importância da complementação da ultrassonografia a isso”, disse a estudante.

‘Estamos perdendo mulheres’

Segundo Ana Carolina, o Ministério da Saúde preconiza que faça a complementação com a ultrassonografia apenas se a pessoa for sintomática, ou seja, se tiver lesões palpáveis. Para a estudante, a pesquisa vem questionar se não estamos perdendo uma parcela de mulheres que não são sintomáticas e que fazem apenas o exame da mamografia e não é detectada nenhuma lesão.

“Como a incidência do câncer de mama no Amazonas só perde para o câncer do colo de útero, o projeto vem questionar exatamente isso. Será que apenas em mulheres sintomáticas precisamos fazer a ultrassonografia? Ou será que não perdemos uma quantidade de pessoas que não têm lesões palpáveis, que poderiam ser descobertas as lesões com a ultrassonografia, apresentando a mama densa a mamografia”, contou.

Apoio da Fapeam

A pesquisa é realizada com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic). O programa visa disseminar o conhecimento científico por meio do envolvimento das instituições, pesquisadores e estudantes de graduação em todo o processo de investigação, proporcionando principalmente aos alunos a experiência prática e o desenvolvimento de habilidades em pesquisas.

No momento, a pesquisa está coletando dados de mulheres atendidas na FCecon que fazem mamografia com densidade mamaria elevada, mulheres assintomáticas,  com lesões sintomáticas e mulheres maiores de 18 anos. Até o momento a pesquisa já conta 25 pacientes, mas o número deverá ser maior até o mês de março deste ano.

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