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Cotidiano
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Manacapuru prevê 30 mil turistas no Festival de Ciranda deste ano

Condições da Manoel Urbano, falta de energia e rede hoteleira, contudo, preocupam a população 19/08/2012 às 13:29
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O Carão, pássaro mitológico das cirandas, é um dos principais itens do espetáculo realizado em Manacapuru
Adauto Silva Manacapuru (AM)

É grande a expectativa em Manacapuru para o 16º Festival de Cirandas, naquela que será a primeira edição do evento após a inauguração da ponte Rio Negro, o que deve representar uma maior fluxo de visitantes à cidade durante a festa.

As precárias condições das balsas na travessia do rio Negro e a falta de estrutura da rede hoteleira para receber os mais de 30 mil visitantes que chegam a cidade nos três dias de festa contribuiam para a diminuição no número de turistas.

Com a inauguração da ponte, a expectativa é de que as pessoas que não podem passar os três dias de festa na cidade ou não consigam hospedagem possam ir ao festival e voltar para Manaus, Iranduba ou outros municípios no mesmo dia.

Ansiedade

A cidade está dividida em três grandes nações cirandeiras: Guerreiros Mura, Tradicional e Flor Matizada, que farão apresentação única nas noites dos dias 24, 25 e 26 de agosto, o próximo fim de semana. 

Enquanto as cirandas fazem os últimos preparativos para a apresentação, a cidade começa a se preparar para o evento. De um lado, as cirandas correm contra o tempo e a falta de dinheiro para preparar o espetáculo; de outro, o racionamento de energia elétrica e as péssimas condições da estrada Manuel Urbano (AM-070) são os principais problemas que acidade enfrenta às vésperas da festa, que no Amazonas se inspira no Festival Folclórico de Parintins, que reúne até 150 mil turistas no último fim de semana de junho.

Prejuízos e atraso

Há mais de 30 dias enfrentando o racionamento, devido a problemas em grupos geradores da usina da cidade, a falta de luz é uma das preocupações das cirandas. Diariamente, os bairros sofrem racionamento de quatro horas, o que vem causando sérios problemas para a população, principalmente durante o verão (de julho a outubro).

Para as cirandas, que correm contra o tempo para preparar suas alegorias para a festa, a falta de energia nos galpões tem atrasado o trabalho dos artesãos, que dependem dela para usar 80% de seus equipamentos de trabalho.

Outra preocupação é o funcionamento de energia para a estrutura do Parque do Ingá, local do evento. Com o baixo potencial gerador disponibilizado pela usina, o medo das agremiações é que ocorra um  blecaute durante as apresentações, como aconteceu no dia 2 de agosto, durante a 5ª Mostra de Gestão das Escolas Estaduais de Manacapuru, quando o parque ficou às escuras e a festa foi interrompida.

Temática

A 16ª edição do Festival de Cirandas  terá o “amor”, um “contador de histórias” e o “rio Negro” como temas das Cirandas Guerreiros Mura, Tradicional e Flor Matizada. Na história,  a Mura venceu dez vezes contra cinco da Matizada e três da Tradicional, somando um total de 18 títulos, isso porque em 2010 um erro técnico dos jurados deu o título para as três. Cada Ciranda receberá do Governo do Estado R$ 427 mil para fazer sua apresentação.

Preparação do espetáculo na fase final

A ciranda Guerreiros Mura, detentora do maior número de títulos, levará para o Parque do Ingá oito conjuntos alegóricos para falar de amor. Carlos Pisano, artista plástico da representante do bairro da Liberdade, promete uma grande apresentação na abertura do festival, na busca do 11º título para a Mura. “Através de histórias, lendas e mitos a Guerreiros Mura celebra o amor”, disse.

A Tradicional, ciranda que venceu dois dos três últimos festivais, irá disputar o quarto título em 16 edições do festival. Ela se apresenta na noite de sábado e irá retratar o tema ‘Arquimedes, filósofo, popular contador de histórias das terras de Manacá’. Segundo o artista plástico Helton Campos, a ciranda vai levar para a arena um conjunto alegórico bonito para uma grande apresentação.

Nas cores lilás e branca, a ciranda Flor Matizada, a  pentacampeã representante do centro da cidade e dos bairros de Correnteza, Biribiri e São Francisco, está na fase de acabamento de cinco módulos alegóricos que, segundo o  presidente Alexandre Queiroz, vão retratar o rio Negro.  “Nosso tema é ‘Elos do rio Negro e os encantos de um novo Eldorado’. Os módulos vão se dividir em dez grandes alegorias. Estamos preparados e confiantes”, destacou.

TRÂNSITO

Estrada vai exigir atenção


Trechos da Manoel Urbano estão comprometidos (Foto: Ney Mendes)

Buracos por toda extensão da rodovia AM-070. É isso que motoristas que trafegam pela estrada Manoel Urbano encontram quando viajam com destino a Manacapuru ou Novo Airão.

A área compreendia entre os quilômetros 26 e 54 é a que possui o maior número de problemas. No km 54, a parte da pista que desmoronou no período da cheia e ainda não recebeu reparos, além de causar a retenção de veículos nos horários de maior movimento, aumenta o risco de acidentes devido à falta de sinalização no local.

Com o fim do contrato da empresa que fazia a sinalização e monitoramento da estrada, a área está abandonada, o que pode provocar problemas a quem pretende visitar Manacapuru durante o 16º Festival da Ciranda, evento que deve levar mais de 10 mil veículos até a cidade e 30 mil turistas.

Segundo motoristas, o maior fluxo de veículos depois da inauguração da ponte Rio Negro e a falta de conservação têm contribuído para o maior número de acidentes. Para os profissionais  que trafegam diariamente pela estrada, os problemas vão além do risco de acidentes.

Segundo o taxista Aroldo Praiano, os prejuízos são inúmeros. “A gente reconhece o perigo que essa buraqueira causa para quem trafega pela estrada. Além disso, tem os prejuízos que nós temos com os veículos. Estouro de pneus, aros danificados, quebra da suspensão, tudo é prejuízo pra gente”, comentou.

Duplicação prevista para iniciar neste mês

A duplicação e reconstrução da pista da rodovia AM-070, a Manoel Urbano, terá o passo inicial no fim deste mês. É o que promete a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra). “A Comissão Geral de Licitação analisou as propostas, tem um vencedor e até o fim do mês será assinado o contrato com a empresa vencedora e emitida a Ordem de Serviço pela Seinfra para que as obras tenham início de imediato”, informou a assessoria de imprensa do órgão.

 A previsão é que R$ 236 milhões sejam usados na duplicação da rodovia Manuel Urbano (AM-070), segundo orçamento prévio elaborado pelo  Governo do Estado. A obra prevê a ampliação da pista, nos 78 quilômetros de extensão, e também obras nos acostamentos e de sinalização de trânsito.

O projeto original de duplicação da AM-070 passou por algumas adequações por conta da última enchente, mesmo assim os trabalhos terão início ainda neste mes de agosto. Quanto aos buracos e processos erosivos verificados ao longo da rodovia, a Seinfra informa que “todos serão trabalhados, até porque com o processo de duplicação da pista, toda a base será recuperada e vai receber asfalto novo. O projeto prevê todas as questões levantadas anteriormente, inclusive a sinalização, que ficará a cargo do departamento Estadual de Trânsito - Detran/AM. O prazo de realização da obra é de dois anos”, finaliza a nota.

SISTEMA DE LUZ

Energia será interligada a Iranduba

A interligação da rede elétrica de Manacapuru ao sistema do Município de Iranduba pode ser a solução definitiva para a falta de energia na “Princesinha do Solimões”. Segundo o diretor de Geração e Operação de Energia para o Interior do Estado da Eletrobras Amazonas Energia, Radi Gomes de Oliveira, a interligação está prevista para ser concuída amanhã. 

“A subestação de energia localizada no bairro Novo Manacá já está pronta, a linha de transmissão de energia também, o que estamos fazendo é distribuir a rede dentro da cidade”, explicou.

Radi reconheceu os problemas no abastecimento, mas garantiu que eles vão acabar. “A partir dessa interligação, os consumidores podem ter a certeza de que daremos um fim a esse problema”, garantiu.