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‘Manaus está como uma casa que o pai não manda’, diz Sabino

Para o deputado federal e prefeiturável Sabino Castelo Branco , Manaus é uma casa que o pai não manda e os filhos fazem o que querem. Sabino afirma ser a pessoa que tem moral para arrumar a cidade 26/08/2012 às 10:52
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Candidato Sabino Castelo Branco
Rosiene Carvalho Manaus

Estreante na disputa majoritária, o deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB), aposta no carisma e na projeção conseguida ao longo dos anos por meio de programas de TV e rádio para sair vitorioso nas eleições 2012. O tom do discurso do candidato é o mesmo do xerife eletrônico que o tornou popular: denúncias do caos e promessa de um choque de ordem para colocar a cidade no trilho nos primeiros 120 dias de mandato, caso seja eleito.

Em entrevista exclusiva a A CRÍTICA, Sabino expõe propostas, critica adversários e o antigo aliado, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT)

Por que o senhor quer ser prefeito de Manaus?
Eu me sinto preparado. Segundo, dos nove candidatos a prefeito nenhum conhece o problema da população como eu.

O que o faz melhor que os outros candidatos?
Tenho convivência, do meu programa. Os outros sabem de pesquisas, de assessores. Mas não vão lá com o povo. E o que os olhos não veem, o coração não sente. Eu convivo com esse povo todos os dias da minha vida.

Como está Manaus pelo seu ponto de vista?
Manaus está como uma casa em que o pai não manda e os filhos fazem o que querem. Temos que organizar essa casa e para organizar tem que ter moral.

Qual a sua estratégia para chegar ao segundo turno?
A propaganda na TV vai contar muito. Eu, como conheço, não acredito nessas pesquisas. Falam muito quem vai para o segundo turno, mas faltou combinar com o povo.

Em que momento o senhor decidiu se candidatar a prefeito?
Todo parlamentar sonha em administrar a sua cidade. O governador (Omar Aziz) decidiu pela candidatura da deputada federal Rebecca Garcia (PP). Aceitei e decidi esperar uma outra oportunidade. Mas ela não quis e, então, eu  sai do compromisso que tinha assumido.

Há simpatia maior de Sabino pela deputada Rebecca que pela senadora Vanessa?
Sim. Tenho uma proximidade maior com a deputada. Somos colegas. Fui apresentador da Band (antiga TV Rio Negro, de propriedade do empresário Francisco Garcia, pai de Rebecca) . Nunca tive aproximação com a senadora.

O senhor foi procurado por Vanessa Grazziotin para desistir da candidatura?
Sim. Ela ligou várias vezes, mas nós não conversamos.

Nos bastidores, comenta-se que o senhor pode ser candidato ‘laranja’ da senadora. Como encara isso?
Tenho quatro filhos, fui quatro vezes eleito. Não tem homem que tenha coragem de me propor uma coisa dessas para ser laranja. A senadora Vanessa já foi candidata à prefeita e o povo não a aceitou. Ela perdeu. O povo disse não. Eu nunca me candidatei a um cargo majoritário. Vamos ver o que povo vai dizer para mim.

O senhor tem conversado com o governador Omar Aziz e com o senador Eduardo Braga?
Sim. Liguei na semana passada para o senador Eduardo Braga pedindo o voto dele.

E o que ele respondeu?
Ele começou a rir (risos). Disse: ‘tenho que conversar também contigo’. Nós somos amigos.

O senhor acha que o senador ver com bons olhos a sua candidatura?
Sim. O senador Eduardo Braga foi governador duas vezes deste Estado, teve vários mandatos. Ele teve um sonho de ser prefeito de Manaus e governador do Estado e alguém deu a oportunidade para ele.

Quais parlamentares que estão apoiando a sua candidatura?
Se o governo tem uma candidata e se o prefeito tem um candidato é difícil para quem quer me apoiar sair disso. Até porque já foi feita uma coligação. A candidata do Governo do Estado se chama Vanessa Grazziotin.

E do prefeito?
O do prefeito Amazonino Mendes (PDT) se chama Artur Virgílio Neto (PSDB). Eu gostaria muito que eles (parlamentares) estivessem comigo, mas graças a Deus eu tenho o povo.

E os seus colegas parlamentares, em Brasília,  Quantos o apoiam?
A gente sabe que tem deputados que estão neutros. Não têm simpatia em apoiar a senadora Vanessa. Mas isso eu não gostaria de falar não.

O senhor acha que tem o apoio de alguns colegas que não podem se manifestar publicamente?
Sim. E vou ter até o voto deles.

Nas suas contas, são quantos os neutros?
O Francisco Praciano (PT) não vi se manifestar. A deputada Rebecca até o momento eu não vi se pronunciar. Dos deputados federais, só o deputado Silas Câmara (PSD). E também... Só ouvi. Ainda não vi. Para não ser injusto, teve a reunião dos pastores e me disseram que ele estava com ela (Vanessa).

A propósito, o senhor é evangélico há quantos anos?
Desde 1992. Tem célula na minha casa todas as sextas-feiras.

Qual a sua opinião sobre políticos, que, em época de campanha, se convertem,  vão a cultos para receber o voto desse segmento religioso
(Risos). Minha amiga, um homem pode enganar outro homem, mas não engana a Deus. Se Deus pesar a mão sobre eles, não sabem nem para que lado vão.

O senhor acha que o eleitor evangélico vota mesmo no candidato que a igreja apoia?
Uma pessoa que durante quatro anos nunca foi a um culto, nunca demonstrou nem ter respeito e agora vem se dizer ... fazer até carta com pedido de desculpa... O nosso povo sentado no banco que conhece a palavra sabe muito bem quem é quem nesse jogo. O pastor pode até dizer amém, mas os membros não.

Qual será o papel do seu filho, o vereador Reizo Castelo Branco (PTB), na prefeitura caso o senhor seja eleito?
O meu filho pouco se mete onde não deve. Meu filho quando tem que fazer, vai e faz. Mas é um jovem muito reservado.

Ele será secretário no seu governo, caso o senhor seja eleito?
Se ele se identificar e eu ver que tem condições, pode ser. Mas o Reizo nem toca nesse assunto comigo.

Como está o seu relacionamento com a deputada Vera Castelo Branco? Ela vai participar da sua campanha?
Eu e a deputada Vera fomos casados por 20 anos. A deputada me conhece muito bem e eu a conheço muito bem. Essa coisa de ela não falar comigo, isso é dela. Numa separação, sempre um lado sai magoado.

Sua postura é diferente?
Na campanha da deputada Vera, eu fiz tudo que um ex-marido pode fazer.  Hoje em dia quando a deputada precisa de um helicóptero, providencio. Tudo que ela precisa da minha estrutura, ela usa.

Como está a sua participação na campanha do interior? O senhor participou de comício em Coari do candidato Adail Pinheiro?
Sim. Estou indo para apoiar aqueles que me ajudaram.

O senhor não está isolado no apoio a Adail Pinheiro...
Não. O partido do governador faz parte da coligação do Adail. O PMDB (de Eduardo Braga) faz parte da coligação dele. O PTB também.

Há quanto tempo o senhor não fala com o prefeito Amazonino Mendes?
Desde que rompi nunca mais falei com ele.

O senhor não chegou a cogitar o apoio de Amazonino Mendes por causa das eleições de 2008, quando esteve ao lado dele?
Não. Se eu tivesse o apoio dele, hoje, não poderia sair nas ruas. Porque hoje ele é um homem, politicamente, que o povo rejeita. Quem vai ter que dar essa explicação é o Artur.

Caso não ganhe essa eleição, o senhor irá desistir do projeto de ser prefeito de Manaus?
Não. Aprendi que um homem que não tem sonhos nessa vida não serve para viver. O Lula tentou quantas vezes? E só falavam que o Lula, no dia que assumisse, era capaz de os militares tomarem de novo o poder. Mas ele era um homem que conhecia, que surgiu desse povo. E eu surgi no meio do povo.

Curiosidades
A malhação é um dos compromissos diários do prefeiturável Sabino Castelo Branco. Na sexta-feira, a partir das 20h, faz estudos bíblicos, em casa, onde funciona uma célula da igreja Quadrangular.

O senhor assiste novelas, filmes...?
Antes de ser político o que eu tinha de bom na minha vida era o sono. Assistia o Jornal da Globo e os meus olhos começavam arder que eu ia até de manhã. Depois que entrei na política, comecei a ter insônia. Eu sou viciado em televisão, no jornalismo. Não gosto de novelas. Assisto UFC. Eu gosto dos brasileiros.

O senhor vai ao cinema?
Não. A última vez que eu fui ao cinema tentei comprar um ingresso para não entrar na fila, tinha que pagar a mais. Depois saiu no jornal que eu furei a fila e fui vaiado. Aí eu disse, meus Deus do céu, até aqui não me deixam em paz.

O senhor aluga DVDs para assistir em casa?
Eu gosto muito de filmes evangélicos. Assisto muito. Hoje a gente já compra direto na Sky.

Gosta de praticar esportes?
Eu malho todo dia. Quando não vou nadar, eu faço boxe. Vou às 7h30 da manhã ou quando termina as sessões.

O senhor gosta de ler?
Sim. O último livro que acabei de ler foi do Obama, sou fã dele. Pela trajetória, pela coragem.  Leio a Bíblia toda sexta-feira na minha casa, lá tem uma célula.

Vai algum pastor?
Sim. Na sexta-feira o meu pessoal sabe que a partir das 20h não vou para nenhum outro lugar mais.

Qual o livro da Bíblia o senhor mais gosta?
De Salomão. Sábio e rico que diz que tudo é passageiro: o poder, a fama, o dinheiro. A única coisa que não é passageira é a palavra de Deus.

Que tipo de música toca no seu carro?
Eu gosto de música gospel. Gosto de algumas músicas sertanejas, de raízes. Não essas músicas que estão tocando hoje.

O senhor sai para baladas?
Não. Nunca fui da noite. Nunca bebi. Nunca fumei. As pessoas não me conhecem.

Como se diverte Sabino Castelo Branco? Qual é sua válvula de escape?

Vou para chácara. Crio animais e gosto disso. Lá tem pato, galinha, peru. Tem uma casa boa do vereador Reizo. Mas me falta tempo.

Nome: Raimundo Sabino Castelo Branco Maués
Idade: 48 anos
Estudos: Estudou até o 5º ano de Direito na Unip
Experiência: Está no quarto mandato parlamentar. O primeiro como vereador em 2000, pelo PPS, com 1.981 votos; reeleito,  em 2004, pelo PP, com 59 mil votos. Os terceiro e quarto mandatos como deputado federal. É empresário do ramo de frigorífico, policial civil, licenciado, casado e pai de quatro filhos.