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Manaus teve 17 mortes com indícios de homofobia em 2015, um aumento de 36%

Mais perigo aos LGBTs no Amazonas: conferência traçou o mapa da violência - que se tornou maior em relação a 2014, onde houve 11 crimes motivados por ódio 27/01/2016 às 09:47
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Adesão dos participantes da 3ª Conferência, que aconteceu ontem no auditório da DDPM da Semed, no Parque Dez
Karine Pantoja Manaus (AM)

Espancamento, ferimentos por armas de fogo e armas brancas, asfixia, são as principais formas de como morreram as vítimas da homofobia. A informação foi repassada pela Gerente de Diversidade e Gênero da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejusc), Sebastiana Silva, durante a abertura da 3ª Conferência Estadual de Políticas Públicas de Direitos e Promoção da Cidadania de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), que aconteceu ontem no Auditório da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério (DDPM) da Secretaria Municipal de Educação (Semed), na rua Maceió, no bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul de Manaus.

De acordo com a representante, os dados caracterizam o Estado como um dos locais mais perigosos para a comunidade LGBT. Atualmente em Manaus, os relatórios da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) constam que em 2014 foram registradas 11 casos de mortes que apresenta indícios de homofobia. Em 2015 foram 17 mortes, ou seja, houve um aumento de 36% no índice em relação ao outro ano.

“Todos estes crimes apresentaram características homofóbicas, porém o que precisamos levar em consideração são os requintes de crueldade. Atualmente a homofobia não é tipificada como crime e por isso muitos destes casos passam despercebidos. Ocorrências em que lésbicas, gays, travestis ou transexuais são vítimas acabam sendo registrados como crime de ódio, latrocínio ou crime passional”, disse Sebastiana Silva.

Segundo o integrante do Fórum LGBT/ Amazonas,  Mata Matarazzo que participa evento, a Conferência é de extrema importância devido ao atual momento brasileiro, em que o resultado do preconceito é a violência. “Vemos diariamente notícias sobre o movimento LGBT, bem como temas ligados a identidade de gênero ou orientação sexual e é exatamente por isso que devemos nos concentrar em implementar estas políticas públicas para a comunidade, visto que por conta dessa criminalização equivocada muitos gays e travestis, são vítimas de agressões, abusos e mortes”, disse.

Vítima

Um dos exemplos citado pelo representante do Fórum LGBT, é o assassinato de uma travesti que ocorreu na semana passada, no ponto onde ela realizava programas, na rua Franco de Sá, próximo à Secretaria de Estado da fazenda (Sefaz).

A travesti conhecida como “Ketelen” foi morta com dois tiros no abdômen. Os suspeitos não foram identificados.

Propostas em prol dos municípios

A 3ª Conferência Estadual LGBT terá continuação hoje e tem como principal objetivo discutir propostas de trabalho de acordo com a realidade de cada município, propor diretrizes para a implementação de políticas públicas voltadas ao combate à discriminação e à promoção dos direitos humanos e cidadania.

Com o tema “Por um Amazonas Livre de Discriminação e Preconceito: Promovendo a Cidadania de LGBT”, a comunidade quer trazer a discussão o Enfrentamento à Violência contra a População LGBT, além de Segurança Pública, educação, cultura e comunicação em direitos humanos.

Para a titular da Sejusc, Graça  Prola, estes temas são de grande relevância, pois são vividos por uma minoria que ainda sofre com o preconceito e discriminação . “Estes são temas atuais e importantes que não podem deixar de ser discutidos. São minoria e ainda sofrem com atitudes que incitam a violência e violam os direitos desse público”, explica.

Relatório: Ao fim da conferência, as propostas escolhidas pelos participantes irão compor um relatório que será levado a Brasília, para ser apreciado durante a etapa Nacional da Conferência.

Representação: Na ocasião, o Amazonas, será representado por 27 delegados, eleitos na estadual, sendo 20 da sociedade civil (12 do gênero feminino e 8 do masculino) e 7 pessoas que atuam no poder público. 

Aberta ao público: A coordenação do evento informou que a 3ª Conferência Estadual é aberta ao público, como observadores, ou seja, não poderão votar e nem discutir propostas.