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Cotidiano
PRODUÇÃO

Margaridas já são as flores mais vendidas em Manaus

Flores começaram a ser cultivadas em Iranduba em 2015 e já têm “sangue amazonense” 15/12/2017 às 15:40
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Ag. Conversion Manaus

Se, em São Paulo, as flores preferidas são as rosas e, em Brasília, as orquídeas são unanimidade, os manauaras gostam mesmo é de margaridas. Segundo dados de uma de das maiores floriculturas de Manaus, a cidade consumiu mais de 100 hastes da flor até agosto deste ano, número superior a todas as outras capitais brasileiras onde a empresa opera.

Além das margaridas, outras flores bastante consumidas em Manaus são as gérberas, da mesma família - as asteraceae. A explicação pode estar na novidade: faz apenas dois anos que as flores são cultivadas no Amazonas.

Como A Crítica mostrou em agosto de 2015, até aquela data, as flores que eram revendidas em Manaus vinham, em sua maioria, de São Paulo, estado responsável por cerca de 60% da produção nacional. No entanto, o empreendedorismo de um técnico agrícola, um empresário e um cultivador de Iranduba, a 27 quilômetros da capital, mudou esse cenário: hoje, já existem margaridas e gérberas puramente amazonenses no mercado.

Segundo o produtor rural Edenilson Nunes, conhecido como “Galego”, foi preciso um alto investimento para combater dois elementos que sempre impediram qualquer tentativa de cultivar flores no estado: o calor e a luz. Manaus tem uma média de 27ºC de temperatura durante o ano, segundo instituições internacionais. No verão, no entanto, os dias oscilam ao redor dos 35ºC, segundo o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

“Cultivar espécies novas funciona na base da tentativa e do erro. No início, gastamos uma quantia representativa de dinheiro em estratégias que não deram certo até adquirirmos alguma experiência em relação ao plantio na região amazônica. Algumas variedades ainda não se adaptaram enquanto outras já são comercializadas com um bom padrão de qualidade”, avalia “Galego”.

Hoje, existem cerca de dez variedades de flores cultivadas no Amazonas - entre elas, as margaridas e as gérberas, cujas sementes ainda chegam de São Paulo. Ao contrário dos centros produtores, em que as hastes são colhidas após cerca de 90 dias, em Iranduba, elas chegam a demorar até 130 para chegar ao ponto de corte.

 “O clima aqui é difícil. É um desafio. Estamos testando até a gente acertar”, conta o técnico agrícola Paulo Rufino, que também decidiu apostar no negócio.

Mas nem tudo são desvantagens: a umidade da floresta amazônica aduba o solo e permite não apenas sua fertilidade, mas uma facilidade maior para regar as flores. Hoje, os produtores já acreditam que plantaram oito mil hastes, que, com o tempo, chegarão ainda mais baratas ao consumidor manauara. Com oito mil mudas plantadas por semana, o produtor rural explica que abrir um novo mercado é um grande desafio. “Ele precisa criar o hábito de comprar flores no dia a dia para enfeitar sua casa, o que não é feito hoje em função do custo elevado”, finaliza.

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