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Cotidiano
SAÚDE

Medicamento para o tratamento do câncer de mama passará a ser pago pelo SUS

A liberação da medicação atende a uma reivindicação de entidades de classe relacionadas à oncologia e instituições de apoio à causa câncer 18/08/2017 às 11:34
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acritica.com Manaus (AM)

Incorporado à lista de medicamentos padronizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2013, para pacientes com probabilidade de cura do câncer de mama, o Trastuzumab (nome comercial Herceptin) agora será custeado pelo Ministério da Saúde (MS) na sua totalidade, abrangendo também pacientes com neoplasias malignas metastáticas. A medida vai gerar uma economia de, aproximadamente, R$ 4 milhões à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), unidade de referência em cancerologia na Amazônia Ocidental. A verba será remanejada para a aquisição de outros quimioterápicos de ponta, ampliando a oferta de tratamento, explicou o diretor-presidente da instituição, cirurgião oncológico Marco Antônio Ricci.

A decisão foi publicada no último dia 3 no Diário Oficial da União e passa a valer em seis meses. Atualmente, o SUS custeia a parcela do medicamento direcionada a pacientes em tratamentos neo-adjuvantes e adjuvantes. Ou seja: pacientes que necessitam da medicação antes do tratamento definitivo (a exemplo do cirúrgico), ou, que já passaram por ele e precisam de complementação terapêutica para controle. De acordo com a gerente de Oncologia Clínica da FCecon, Dra. Brena Ferreira Uratani, as pacientes com câncer metastático (doença disseminada) também fazem uso da medicação.

Essa parcela foi assumida, desde 2011, pelo Governo do Estado, que só em 2017, investiu cerca de R$ 2,2 milhões na compra do monoclonal de alto custo, uma média de R$ 11,4 mil por ampola. As duas categorias somam 102 pacientes em tratamento com o Transtuzumab na unidade hospitalar atualmente.

“Diferente de um quimioterápico convencional, o Trastuzumab é produzido através de anticorpos monoclonais que bloqueiam a proliferação das células do câncer de mama, gerando um efeito positivo para quem teve a doença controlada por cirurgia. Nos casos das pacientes metastáticas, cujo câncer primário nas mamas já atingiu outros órgãos, o monoclonal ajuda em um controle mais efetivo da doença. Nos últimos dez anos, houve, inclusive, casos de remissão completa do tumor”, explicou.

Conforme a oncologista, antes da incorporação do medicamento, as mulheres com câncer de mama metastático em tratamento na rede pública, que tinham o receptor HER2 - o qual provoca maior agressividade da doença -, tinham menor sobrevida. Elas correspondem a, pelo menos, 25% dos diagnósticos da doença. São, muitas vezes, mulheres com idade abaixo da faixa etária de risco, que hoje é de 60 anos. “A medicação potencializou o tratamento e aumentou em, pelo menos, 10% a sobrevida dessas pacientes”, completou Uratani. Isso porque, trata-se de uma terapia direcionada às células tumorais, que preserva as células saudáveis e provoca menos efeitos colaterais que uma quimioterapia convencional.

Conforme a especialista, o Trastuzumab é indicado especificamente às mulheres com esse tipo de receptor, que acelera o desenvolvimento da doença. Atualmente, um combo aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no Brasil, denominado Perjeta, associa dois medicamentos da mesma família (monoclonais) para combater um outro tipo de receptor associado ao câncer de mama: o HER3.

Após a criação da Comissão de Farmácia e Terapia da FCecon, em 2016, um grupo de pacientes pré-selecionado, com nesse perfil molecular, já faz uso e tem apresentado resultados satisfatórios no controle do câncer de mama. Apesar de ainda não ser fornecido pelo SUS, o combo já é custeado pelo Governo do Estado, fortalecendo o protocolo terapêutico disponível para o tratamento da neoplasia, considerada a mais incidente entre as mulheres no mundo e a terceira no Amazonas, conforme a última projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão subordinado ao Ministério da Saúde.

A liberação da medicação atende a uma reivindicação de entidades de classe relacionadas à oncologia e instituições de apoio à causa câncer, a exemplo da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama).

*Com informações da assessoria de comunicação.