Publicidade
Cotidiano
Notícias

Médicos Sem Fronteira elabora documento para divulgar situação crítica de haitianos no AM

Coordenadora da ong que está em Tabatinga relata vulnerabilidade sanitária e de saúde de imigrantes que estão no município 05/01/2012 às 17:34
Show 1
Chegada de haitianos em paróquia de Manaus vindos de Tabatinga
Elaíze Farias Manaus

A organização internacional Médicos Sem Fronteira (MFS) está elaborando um documento para dar visibilidade nacional e internacional à precária situação dos haitianos no município de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), fronteira do Amazonas com a Colômbia.

A ong pretende relatar a vulnerabilidade social, sanitária e de saúde e ausência de segurança alimentar dos imigrantes. A MSF é a maior organização mundial de ajuda médico-humanitária.

Três membros da MSF estão no município há pouco mais de um mês realizando uma advocacy, cuja ação consiste em “dar visibilidade ao que está invisível e merece mais atenção”, segundo explicou a coordenadora da equipe no município, Renata de Oliveira Silva.

Praça

Atualmente, mais de 1.200 haitianos estão em Tabatinga aguardando o visto da Polícia Federal, mas a maioria deles vive em situação crítica, sem condições sanitárias adequadas.

Muitos deles não têm onde morar e são obrigados a dormir nas ruas e nas praças, segundo Renata Oliveira da Silva. Desde que a imigração haitiana teve início, mais de três mil haitianos já entraram no Brasil por meio do território do Amazonas. A maioria deles permanece no Estado, metade residindo na capital amazonense.

Renata disse que a situação dos imigrantes já merece uma atenção especial das autoridades brasileiras. Ela demonstrou preocupação com a ausência de auxílio ou mesmo de medidas operacionais por parte do poder público brasileiro em relação aos haitianos.

Desde que a imigração começou, há pouco mais de um ano, as ações de assistência aos haitianos se limitou à medidas de padres da Igreja Católica, algumas igrejas evangélicas e voluntários da sociedade civil.

Competição

Renata defendeu a necessidade de se montar um projeto mais amplo que de apoio aos haitianos.

Em Tabatinga, a equipe da MSF tem atuado na distribuição de kits de higiene pessoal e de produtos de limpeza. Os membros também tentam se articular com autoridades locais para tentar planejar específicas aos haitianos.

Renata expôs outra preocupação: a “competição” que a intensa presença de haitianos pode provocar junto à população local. “Queremos minimizar impactos sócias. Como há muitos haitianos, os hospitais começam a ficar superlotados e as pessoas reclamar da demora de atendimento”, disse ela.

Psicóloga

Não há médicos da MSF atuando no município atualmente, mas está confirmada para a próxima semana a ida de uma psicóloga para prestar auxílio às ações de saúde junto aos haitianos, segundo informou a assessoria de imprensa da MS.

“Os haitianos estão esperando o requerimento da permanência deles no Brasil, mas eles não sabem o que vai acontecer. Chegam no país sem saber exatamente o que vão passar aqui”, declarou a assessora da MSF, Vânia Alves.

A situação dos haitianos chegou ao conhecimento da ong por meio de uma rede de contatos. Em novembro, uma primeira missão foi enviada a Tabatinga.

“Os haitianos estão esperando o requerimento da permanência deles no Brasil, mas eles não sabem o que vai acontecer. Chegam no país sem saber exatamente o que vão passar aqui”, declarou a assessora da MSF, Vânia Alves.

Prefeitura

O prefeito de Tabatinga, Saul Bemerguy, transferiu para o governo federal a obrigação de prestar auxílio aos haitianos.

“Acho que quem tem mais obrigação é o governo federal. Foi o ex-presidente da República que disse que o Brasil é um país de todos e disse para os haitianos virem para cá. Isso deve ser resolvido pelo Itamaraty”, disse.

Ele alertou para a explosão de um caos social caso nenhuma ação conjunta com outras instâncias governamentais for realizada.

“Sem a força do governo federal não podemos resolver a situação. Temos 20% da população de Tabatinga abaixo da linha de pobreza; A gente não consegue nem manter o nosso povo direito. A presença dos haitianos aqui está superlotando os serviços sociais, os postos de saúde, mas mesmo assim estamos ajudando dentro do possível”, disse Bemerguy, que pretende se reunir com o governador do Amazonas, Omar Aziz, em dez dias reiterar pedido de apoio.

Diferente do que vem ocorrendo no Acre, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conan) não está realizando distribuição de alimentos aos haitianos. O superintendente local da Conab, Thomaz Silva, disse que esta demanda ainda não chegou ao órgão no Amazonas.