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Melhoria na educação básica depende de mais investimento, diz pró-reitora da Ufam

Pelos dados do Ideb em nível nacional, o ensino médio teve uma estagnação e o ensino fundamental teve a menor evolução desde 2005 17/08/2012 às 07:24
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Selma Oliveira afirma que alfabetizar é o caminho para uma educação sólida
ana celia ossame Manaus

A estagnação do ensino médio mostrada pelo Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do ano de 2011 no País, apontada na última quarta-feira pelo Ministério da Educação (MEC), mostrou ser urgente pensar na importância de uma sólida formação nas séries iniciais, pois tudo em educação depende de uma excelente alfabetização, afirmou a professora doutora Selma Baçal Oliveira, pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Pelos dados do Ideb em nível nacional, o ensino médio teve uma estagnação e o ensino fundamental teve a menor evolução desde 2005. No Amazonas, no entanto, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) avaliou os resultados da rede estadual como positivos por mostrarem a superação, pois se no Ideb de 2005 o Estado estava em último lugar, neste passou para o 9º no ranking nacional.

A meta estabelecida em 2011 pelo MEC para os anos iniciais das escolas do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, era de 4.1 e o Amazonas obteve 4.8, num crescimento de 6,7%.  Nos anos finais, que é do 6º ao 9º ano, a meta era o índice de 3.1 e o Estado atingiu 3.9, um aumento de 8,3%. No ensino médio, a meta era de 2.5 e a nota do Amazonas foi de 3.4, indicando um crescimento de 6,3%. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) destacou o crescimento de 0,6 pontos e o alcance à média de 4,1 para os anos iniciais (1º ao 5º) e o aumento de 0,2 pontos para os anos finais (6º ao 9º), obtendo a média de 3,1.

Líder de Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas e Educação (GPPE), Selma lembrou que concentrar os investimentos nas séries iniciais e na formação de leitores, ou seja, leitura com interpretação correta de textos, vai trazer benefícios gerais para a educação. Isso vai impactar mesmo nos problemas enfrentados pelos alunos que têm dificuldade de entender a matemática e física, por exemplo, porque essa compreensão depende de uma leitura correta do enunciado dos problemas.

“As políticas públicas devem ser pensadas com alcance de longo prazo, para isso precisamos zelar pela infância de nossas crianças”, disse ela, para quem é urgente que sejam tomadas atitudes em direção à valorização da docência, sobretudo daqueles que trabalham com a infância, com mestres bem formados e bem remunerados.

Ao afirmar que a ampliação do analfabetismo funcional se reflete nas universidades, Selma critica a falta de um projeto de futuro para o Brasil e também para o Amazonas, que por ser um Estado rico pode mudar a realidade de ter  um povo culturalmente carente.

Ceti tem o exemplo a ser seguido
Do Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) Senador Petrônio Portela, na Compensa, Zona Centro-Oeste, vem o modelo de escola que dá certo. Ali, 916 alunos permanecem em dois turnos, no primeiro fazendo as disciplinas e no segundo, reforço nas matérias em que há necessidade, explica a diretora Sandra Tavares, comemorando os índices em crescimento da educação no Amazonas.

A aluna Rheyce de Souza Culto, 18, que cursa o 3º ano do ensino médio, diz que os estudos da escola a deixam preparada para os concursos e exames de educacionais. “Nós temos oportunidade de estudar e quando não conseguimos entender, podemos buscar orientação do professor sem sair da escola”, explicou.

3,9 foi o índice geral obtido por toda a rede de ensino do Estado pelo Ideb em 2011. Esse número é resultado da soma dos resultados de toda a rede municipal, estadual e particular.  Mas a rede estadual, cuja meta para 2011 era de 4.1 para os anos iniciais do fundamental, ultrapassou o esperado, alcançada a nota de 4.8.

0,6 pontos foi o índice das escolas da Semed nos anos iniciais (1º ao 5º) e  0,2 pontos para os anos finais (6º ao 9º), na capital amazonense.   A escola Municipal Naíde Soares de Oliveira, no bairro Nova Esperança, foi a que registrou o melhor desempenho entre as escolas da Semed na avaliação dos anos finais, com nota de 5,6.

Histórico
Criado em 2007, o Ideb tem a função de mensurar o desempenho do sistema educacional brasileiro. Para tanto, leva em conta nos cálculos a combinação do resultado dos estudantes em avaliações externas de larga escala (a Prova Brasil e o Saeb), nas provas de língua portuguesa e matemática, com a taxa de aprovação dos alunos brasileiros.