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Cotidiano
Economia

Mercado já começa a caminhar para a quarta revolução industrial

Quarta onda industrial exige incorporação de tecnologias como IoT, impressão 3D e big data por parte das empresas. 04/12/2016 às 14:00
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Empresas que ignorarem as novas tendências na indústria dificilmente sobreviverão à nova onda. / Foto: Reprodução
Geizyara Brandão Manaus-AM

A indústria tem passado por transformações desde 1780, com a primeira revolução industrial, que se caracterizou no aprimoramento das máquinas a vapor. Atualmente, seguimos para a consolidação da quarta revolução industrial com a aplicação de tecnologias e digitalização dos processos: a indústria 4.0.

Segundo o gerente-executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves, a indústria 4.0 não tem apenas uma definição, porém o que se tem de concreto é a incorporação de tecnologias digitais na produção industrial.

O diretor de vendas para o Sul da América Latina da Infor, Gabriel Lobitsky, exemplificou o funcionamento da indústria 4.0 no setor eletro-eletrônico. “Um refrigerador que conectado a internet das coisas, envia informações de funcionamento diário, como temperatura e consumo de energia. Enviando os dados ao fabricante, ajuda a garantir que, de maneira preventiva, o seu cliente tenha uma experiência sem precedentes”, esclareceu.

Para Lobitsky, metade das indústrias brasileiras está pronta para embarcar na nova onda industrial, porém o que precisa mudar é o pensamento do empresariado. “[...] Precisam entender que investir em tecnologia agrega muito valor aos seus negócios, não só otimizando o uso dos seus próprios ativos como adicionando uma camada que é muito importante e muito difícil de medir, que é a satisfação do cliente”, afirmou.

Mudança gradativa

Apesar dos altos custos que envolvem montar uma indústria do tipo 4.0, o gerente-executivo de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), João Emílio Gonçalves, ressalta que pode ser feito de forma gradativa.

“Você pode fazer melhorias incrementais e isso torna possível a adoção de tecnologias digitais por um número muito maior de empresas. Não é uma área que estamos entrando com muito atraso, mas precisamos entrar com velocidade, porque os outros países estão começando a se mover rápido”, explicou o gerente-executivo da CNI.

Todos os setores industriais podem se beneficiar das inovações tecnológicas que a “quarta onda industrial” proporciona.

De acordo com Lobitsky, as empresas de eletroeletrônicos, automotivo e máquinas e equipamentos industriais estão em destaque como as que estão mais avançadas e destaca que a Zona Franca de Manaus (ZFM) tem um grande potencial. “Na capital amazonense, como é um polo da indústria, grande parte das indústrias da Zona Franca de Manaus se enquadram nesse perfil e podem, facilmente, começar a tirar proveito da inovação e gerar valor”, garantiu o diretor de vendas da Infor.

Amazonas

O Amazonas avança para preparar os profissionais para lidar com essa tendência do mercado industrial, uma vez que a Zona Franca de Manaus possui multinacionais que tornam cada vez mais acessíveis as tecnologias digitais. Porém, os gargalos da mão de obra e educação profissionalizante precisam ser ultrapassados, para isso, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, revela que já existe um trabalho sendo desenvolvido para fornecer capacitação em parceria com empresas.

O Instituto Senai de Educação (ISE) já está em processo de licitação para construção e Azevedo adianta que está previsto para ser localizado no Clube do Trabalhador – Sesi, na Zona Leste de Manaus, pretendendo englobar unidades com laboratórios e sistemas que possam atender essa nova modalidade da Indústria 4.0.

O vice-presidente da Telit, Ricardo Brunello, concorda que é preciso atacar os gargalos. “O maior potencial do mundo são os países emergentes, por todo esse gargalo de infraestrutura, por todo esse gargalo de improdutividade que não temos. Hoje, o custo de você produzir uma mercadoria no Norte do Brasil, em Manaus, descer para o grande centro consumidor que é o Sudeste, ele é extremamente caro”, comenta.

Destaque

Algumas das tecnologias para compor uma Indústria 4.0 são: bigdata, computação em nuvem, inteligência artificial, impressão 3D e internet das coisas (Internet of Things – IoT), que consiste na conexão em rede de objetos de todo tipo para coleta e troca de dados.