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Cotidiano
Política, Eleições 2012, TRE-AM, Ministério Público Eleitoral, PTN, Anamã, Amaturá, Borba, Lábrea

Militante do PTN é presa após ameaçar invadir e atear fogo em cartório, no Amazonas

Declarações da secretária do PTN, Kelly Mar, do município de Manicoré, resultaram na sua prisão nesta quarta-feira (10) 10/10/2012 às 16:03
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Inconformados com a derrota nas urnas, militantes do PTN de Manicoré ameaçaram invadir e atear fogo no cartório
Síntia Maciel Manaus

O procurador eleitoral Edmilson Barreiros confirmou na tarde desta quarta-feira (10), a prisão da secretária do PTN do município de Manicoré – situado a 333 quilômetros de Manaus -, Kelly Mar, após a declaração ao jornal A Crítica, de uma possível invasão seguida de incêndio ao cartório do referido município, em vitude de possíveis fraudes nas eleições da cidade.

Conforme Edmilson, a declaração foi o suficiente para que o juiz eleitoral de Manicoré, Jeferson Galvão de Melo, acatasse o pedido de prisão da militante do PTN, que foi solicitado pelo Ministério Público Eleitoral.

“A declaração desta senhora de invadir e tocar fogo no cartório de Manicoré é algo criminoso, é um atentado à democracia”, disse ele, durante uma coletiva de imprensa, que também contou com a presença do presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), desembargador Flávio Pascarelli, e o juiz eleitoral de Lábrea, Jorcenildo Dourado.

Segundo Barreiros, ainda na tarde desta quarta-feira, ele e Pascarelli se deslocariam com uma equipe da Polícia Federal até Manicoré, para acompanhar a prisão da militante do PTN, e verificar se há outras pessoas envolvidas na possível tentativa de invasão ao cartório local, que não chegou a ser concretizada.

“Há meios civilizados para que aquelas pessoas que tenham se sentido prejudicadas pelo resultado das eleições possam questionar. Aqueles que atentarem contra a democracia serão punidos” asseverou Pascarelli.

Tanto ele quanto Edmilson Barreiros asseguraram que não há como as urnas eletrônicas, utilizadas na votação do último domingo (7), terem sido violadas, como alegaram vários candidatos derrotados no interior do Amazonas.

Distúrbios
Alem de Manicoré, outros distúrbios em virtude do resultado das eleições também foram verificados nos municípios de Amaturá Anamã, Borba e Lábrea.

Neste último, de acordo com o juiz eleitoral Jorcenildo Dourado, foi necessário o reforço na segurança do cartório, pelas policias Militar e Civil, para garantir não só integridade do prédio, bem como dos servidores. Dourado também solicitou à polícia a investigação e identificação dos envolvidos nas ameaças.

Segundo ele, alguns simpatizantes políticos ameaçaram os servidores do cartório, após as eleições, além de insuflar a população espalhando o boato de que 1.300 títulos de eleitor da Zona Rural do referido município seriam entregues antes das eleições.

“Me certifiquei com o chefe do cartório e o que havia eram apenas a segunda via de 11 títulos de eleitores para serem entregues”, informa o magistrado.

Dias antes das eleições, relembrou Jorcenildo, alghumas prisões foram efetuadas na cidade, entre elas a de um empresário, por porte ilegal de arma de fogo. Em sua residência também foram encontrados a quantia de R$ 30 mil escondidos dentro do banheiro. Ele não descarta a possibilidade de que o dinheiro apreendido seria utilizado na compra de votos.

“Quem se sentiu prejudicado nestas eleições tem medidas legais para contestar o resultado. O que não pode é insuflar o povo à prática de crimes”, observa.

De acordo com o desembargador Flávio Pascarelli, apesar da ocorrência de alguns casos isolados, não ocorreram conflitos violentos no interior do Amazonas, pois houve um levantamento prévio dos locais onde poderiam ocorrer conflitos.

“Visitei 14 municípios antes das eleições e onde foi identificado algum tipo de problema mais sério, foi solicitado o reforço policial para lá”, destacou.