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Cotidiano
Na Corregedoria de Justiça

Ministro Francisco Falcão afirma que irá combater a corrupção no Judiciário brasileiro

Falcão tomou posse nesta quinta-feira (06), em Brasília. O ministro ficará à frente do órgão de fiscalização do Poder Judiciário por dois anos 07/09/2012 às 10:09
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“Procurarei desempenhar minha missão com humildade e discrição, o que não significa tolerância com os desmandos", afirmou Falcão
A Crítica Manaus, AM

O ministro Francisco Falcão afirmou, ontem, ao tomar posse, em Brasília, como corregedor nacional de Justiça, que vai combater com rigor a corrupção no Judiciário.

“Procurarei desempenhar minha missão com humildade e discrição, o que não significa tolerância com os desmandos. Onde houver corrupção, a Corregedoria Nacional agirá com mão-de-ferro”, prometeu Falcão que substituiu a ministra Eliana Calmon.

O ministro ficará à frente do órgão de fiscalização do Poder Judiciário pelos próximos dois anos. Falcão declarou que atuará com independência e direcionado ao resgate da boa imagem da Justiça brasileira.

“Temos de tirar as maçãs podres que existem no Judiciário, infelizmente”, declarou o novo corregedor, referindo-se a uma minoria de maus juízes cujo comportamento não está de acordo com princípios éticos e morais, informou a agência CNJ.

O ministro elogiou o trabalho realizado por sua antecessora, Eliana Calmon, classificando-a como “grande vitoriosa” na batalha de afirmação do órgão. Ele garantiu que dará seguimento ao trabalho iniciado pela antiga corregedora, incluindo as inspeções realizadas nos tribunais.

O ministro adiantou que inicialmente visitará os Estados ainda não inspecionados pela ministra Calmon, começando por Goiás. “Estão completamente enganados os que pensam que, com a saída de Eliana, o trabalho vai ser modificado”, avisou.

Missão Espinhosa

Em seu discurso de posse, o ministro Falcão disse encarar o seu trabalho à frente da Corregedoria Nacional como uma missão que impõe grandes responsabilidades, sendo ao mesmo tempo espinhosa e edificante.

“Assumo nesta hora a Corregedoria Nacional de Justiça com a plena convicção da responsabilidade que o cargo impõe e o compromisso de exercê-lo como uma verdadeira missão voltada para os grandes objetivos que levaram à criação do Conselho Nacional de Justiça”, declarou.

Em seguida, acrescentou que irá imprimir à sua gestão um perfil mediador e ao mesmo tempo rigoroso. Para Falcão, o CNJ é um “divisor de águas na história do Poder Judiciário”. O ministro descartou qualquer possibilidade de restrição aos poderes do órgão.

“Essa batalha já está ganha, a ministra Eliana Calmon foi a grande vitoriosa e o papel do CNJ é irreversível”, concluiu.

Calmon deu nova imagem à Justiça

A ex-corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, afirmou que o trabalho desenvolvido pelo órgão nos últimos dois anos contribuiu para mudar a imagem do Judiciário, conferindo maior transparência.

“Conseguimos dar uma nova imagem à Justiça, uma imagem de que as coisas funcionam. O Judiciário tem de se abrir para dar satisfação ao seu jurisdicionado”, destacou Calmon, ao fazer o balanço da gestão dela à frente da Corregedoria Nacional de Justiça em coletiva à imprensa.

Desde que Eliana Calmon assumiu o cargo de corregedora nacional, em setembro de 2010, mais de 10 mil processos foram abertos no órgão, o que equivale a 75% de todas as ações que ingressaram no CNJ no período.

Como resultado do trabalho, cerca de 9 mil processos foram solucionados. Durante a gestão da ministra Eliana Calmon, 50 sindicâncias foram abertas e 38 finalizadas. Algumas delas destinadas a investigar o patrimônio de magistrados.

“Inauguramos a investigação patrimonial, nos casos em que o patrimônio está em desacordo com o declarado à Receita Federal. Era necessário estabelecer esse controle”, reforçou.

A corregedoria recebeu 1.441 reclamações disciplinares contra a atuação de membros da Justiça e arquivou mais de 1.500.

A ministra, cujo mandato no CNJ terminou ontem, classificou a atuação dela como profícua, mas advertiu que ainda há muito o que fazer para melhorar a gestão nos tribunais do País e o atendimento aos cidadãos.