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Ministro Gilmar Mendes confirma pressão feita por Lula

Para o ministro do Supremo, a demora em julgar o processo produz “infecções oportunistas” 29/05/2012 às 08:57
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Gilmar Mendes disse que relação dele com Demóstenes foi institucional
ROSIENE CARVALHO Manaus

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, declarou, nessa segunda-feira (28),, em Manaus, que a demora do órgão para julgar o caso “mensalão” facilita a aparição de “infecções oportunistas” e “aproveitadores de toda a sorte”.

A afirmação de Mendes foi feita antes de iniciar palestra na Escola Superior de Magistratura do Amazonas (Esmam) e dois dias depois da revista “Veja” publicar matéria indicando que o ministro sofreu pressão do ex-presidente Lula (PT) para adiar o julgamento do caso para 2013. Gilmar defendeu agilidade no julgamento da ação penal, que é o maior escândalo de corrupção da gestão Lula com 36 réus, entre eles o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT).

 “Acho que infelizmente nós estamos demorando muito sobre essa questão do mensalão. Como nós estamos demorando, surgem essas, vamos chamar assim, infecções oportunistas e aproveitadores de toda a sorte que então tentar conturbar o ambiente do tribunal”, declarou.

Em entrevista coletiva que durou 12 minutos, Gilmar Mendes classificou as pressões no Judiciário como um “estágio” pelo qual o País passa. O ministro ressaltou que esse tipo de pressão não vai alterar o entendimento dos membros do STF. “Somos treinados para isso. Vaias, aplausos. Claro que ninguém está imune ao jogo sujo (...). Isso é um estágio do Brasil. É preciso que a gente seja firme e diga as coisas com clareza”, afirmou.

Gilmar Mendes evitou responder os questionamentos sobre medidas que o presidente Lula estaria sujeito por causa da pressão. Também evitou comentar o fato do ex-ministro da Justiça e ex-presidente do STF Nelson Jobim não ter confirmado a versão dele sobre o encontro com Lula. Jobim esteve presente durante a conversa em abril que ocorreu no escritório dele, em Brasília.

O magistrado disse que resolveu falar sobre o caso após ser informado por pessoas confiáveis de que informações envolvendo o nome dele estavam sendo plantadas em relação ao caso Cachoeira. “Inclusive com participação do presidente. Aí isso me preocupou”, disse.

O ministro disse que é ônus da função lidar com pessoas ordinárias que plantam informações erradas. “A gente lida com muita gente ordinária. Vejo hoje muitos desses blogs a serviço da difamação das pessoas. Publicam coisas inverídicas. Não pode é fontes oficiais: um parlamentar, um ex-presidente da República, um ministro da Justiça veicular coisas falsas. Dar curso a isso. Isso não pode ocorrer e é por isso que eu denunciei o fato”, declarou.

O ministro destacou que manteve com o senador Demóstenes Torres uma relação estritamente institucional e nada tem a ver com os maus feitos dele.

“Eu não preciso de blindagem“

A matéria publicada pela revista “Veja” desta semana dá detalhes sobre o encontro do ministro do STF, Gilmar Mendes, o ex-presidente Lula no escritório do ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, que é amigo dos dois.

Nenhum dos três negou o encontro e que o tema “mensalão” tenha sido debatido na conversa. No entanto, Lula e Jobim negaram tom de pressão ao ministro.

Mendes disse, nessa segunda, que na conversa de duas horas estranhou a insistência de Lula sobre a CPMI do Cachoeira. “Ele dizia ao Jobim do controle político que se tinha sobre a CPMI e tudo mais. Disse: presidente não sei se vai alguma confusão na sua cabeça. Eu não tenho nenhuma relação indevida com o senador Demóstenes”. Mendes disse que Jobim e Lula insinuaram que ‘se tiver algum problema, converse com a gente’. “Mas eu não preciso de blindagem. Eu não fiz nada de errado”. O ministro disse que o presidente então o questionou sobre a viagem a Berlim e o encontro com Demóstenes.

Gilmar disse que a viagem foi paga com o dinheiro dele e para visitar a filha. “Aí eu percebi que ele realmente estava mal informado. E estava se valendo daquilo naquele momento para criar constrangimento”.