Publicidade
Cotidiano
Notícias

Minorias: lideranças de Manaus buscam representantes na CMM

Organizações querem discutir propostas que sejam assumidas por candidatos e ajudem a enfrentar o preconceito 26/08/2012 às 13:40
Show 1
Articulação de organizações sociais tenta assegurar, na CMM, mandatos de vereadores que garantam direitos
Rosiene Carvalho Manaus

As lideranças de movimentos que representam as minorias em Manaus, sem candidatos puro-sangue, usam os 42 dias que precedem a eleição para definirem apoio a nomes que tenham a coragem de representá-los na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e na prefeitura.

O preconceito é a principal barreira para que candidatos sentem frente a frente com representantes de homossexuais, prostitutas e até mesmo com os  indígenas. A consequência é que os mandatos eletivos reproduzem o preconceito.

Prova disso é que permanece engavetada na CMM, há três anos, um projeto simples que poderia dar à Associação de Prostitutas e Ex-Prostitutas de Manaus o título de órgão de utilidade pública, o que facilitaria a atuação da entidade.

A associação - que já existe há cinco anos e luta para que mulheres que atuam nesse ramos tenham acesso a políticas públicas de saúde e de combate à violência - não conseguiu o título porque teve como principais oponentes os vereadores da bancada evangélica.

A coordenadora-geral da associação, que tem cerca de 1.100 mulheres cadastradas, Sebastiana dos Santos Barata, afirmou que está desanimada com os políticos. “Já recebemos muitas promessas em época de campanha que não foram cumpridas depois. A última foi a vereadora Marise Mendes (PDT) que reuniu com a gente e no dia seguinte à eleição, as portas se fecharam para associação”, declarou.

Este ano, Ana, como é conhecida, disse que a associação está sendo cautelosa na análise e ainda não fechou com nenhum candidato. “Já fomos abordadas sobre uma candidatura própria, mas consideramos que é cedo porque nossa associação só tem cinco anos. Ainda está se estruturando”, afirmou.

O presidente da Associação dos Garotos da Noite, Dartanhã Silva, disse que a entidade escolheu para este pleito apoiar o candidato Gerson Neto que, embora não represente, faz parte do movimento LGBT. “Nessa eleição, ele não aglutinou todo movimento. Mas estamos nos preparando para lançar um candidato em 2014. Pode ser o próprio Gerson, dependendo do desempenho dele este ano”.

As religiões de matriz africana, segundo dados do IBGE, somam em Manaus cerca de 3.160 seguidores. O pai de santo Alberto Jorge afirmou que a ideia não é ter representante religioso e sim políticos democráticos. Ele disse que é contra o uso de igrejas como currais eleitorais para barganhar vantagens e reproduzir o preconceito e a intolerância na sociedade.

Falta de unidade atrapalha
O principal entrave para que candidatos representantes de povos indígenas cheguem ao poder é a falta de unidade entre as etnias. Essa é a opinião do funcionário da área administrativa da Funai, João Melo, que está fazendo um levantamento da quantidade de candidatos indígenas no Amazonas em 2012.

E é justamente a falta de unidade dos povos que somam cerca de 60 mil votos que dificulta inclusive a identificação dos candidatos indígenas. “A nossa experiência nos diz que não estão organizados. Eles são 60 mil eleitores. Se fossem votar num indígenas, elegeriam um deputado federal, dois deputados estaduais e vários vereadores. Mas, na prática, não é assim. É quase impossível ter uma unidade. Até porque os candidatos brancos não têm interesse que seja assim”, disse João Melo.

No Município de Barreirinha, são oito candidatos indígenas, incluindo o prefeito Messias que tenta a reeleição. Todos da mesma etnia: saterê-maué. O Município de Jutaí tem três candidatos indígenas ao cargo de vereador. Em Anamã, dois indígenas disputam uma vaga na Câmara Municipal.

Chefes de terreiro discutem nomes
Na sexta-feira, à tarde, oito chefes de terreiro da Coordenação Amazônica das Religiões de Matriz Africana e Ameríndia (Carma), estavam reunidos com o presidente da organização, Alberto Jorge. Na pauta: as eleições de 2012.

Segundo Alberto Jorge, a Carma, presente em todos os Estados da Região Amazônica, posta na página da organização no Facebook informações sobre candidatos do povo de terreiro. Em Manaus, Alberto Jorge disse que não há nenhum candidato de dentro do movimento religioso. Mas que essa questão está sendo trabalhada com as bases. “A orientação do Carma é votar em quem é de axé. Onde não tem candidato, o que nos preocupa é votar em pessoas que estejam comprometidas com o Estado laico”.

Ele considera que ainda não há uma maturidade para que esse dado seja dado, mas que essa ideia já começa a ser trabalhada com a base. Disse que a ideia é não reproduzir outros modelos de políticos religiosos. “O pastor Marcelo Crivella está no Ministério da Pesca sem que saiba colocar uma minhoca num anzol. Usam a fé, religiosidade e a ignorância da população para trocas políticas”, criticou o líder religioso.

Representação
A bancada evangélica, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), é representada por três nomes: Amauri Colares, Luiz Mitoso e Marcel Alexandre. Os rodoviários também têm um representante na CMM, o vereador Jaildo dos Rodoviários. A Câmara tem três médicos com mandatos.