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Moradores da Zona Leste dependem da chuva para ter água com reservatório do Proama ao lado de casa

O local abriga um reservatório de água pertencente ao Programa Água para Manaus (Proama). De acordo com anúncio do Governo do Estado feito esta semana, eles também deverão ser liberados gratuitamente para uso da população 06/09/2012 às 07:33
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Dona Maria Onete diz que utiliza água da chuva, que fica armazenada em um reservatório, é usada para todas as atividades domésticas, inclusive cozinhar e beber
Náferson Cruz ---

Para sobreviverem à falta de água, há dois anos, os moradores do bairro Jorge Teixeira, 2ª etapa, na Zona Leste, recorrem à criatividade. O local é um dos cinco bairros de Manaus que abrigam reservatório de água pertencente ao Programa Água para Manaus (Proama). De acordo com anúncio do Governo do Estado feito esta semana, eles também deverão ser liberados para uso da população, gratuitamente, a exemplo do bairro Nova Floresta.

Alguns dos comunitários, como costureira Maria Onete Silva, 63, moradora da rua Coirama, tiveram que construir com a ajuda de vizinhos, um sistema de captação de água da chuva a partir do telhado, uma espécie de calha interligadas umas nas outras, que permitem o abastecimento de duas caixas que comportam, cada uma, mil litros de água.

“Quando percebemos o céu nublado, nos preparamos para colocarmos as caixas em direção aos canos”, explicou a costureira. Ela contou ainda que costuma ingerir a água da chuva, que fica armazenada por vários dias nas caixas. O líquido também é usado em outros afazeres como o banho e no preparo das refeições.

Maria Onete, que mora com o marido e a mãe, de 90 anos, conta com o apoio dos filhos que moram no bairro Manôa, na Zona Norte, e de um vizinho, que de vez em quando doa a ela um pouco de água. “É desta forma que vou vivendo, com a ajuda dos meus filhos que vêm aqui uma vez por semana, que levam as minhas roupas para  lavar nas casas deles, ou quando o vizinho doa alguns litros d’água proveniente de um poço artesiano, mas somente quando a água está boa”, disse.

A costureira mora há 15 anos em frente ao reservatório de água do bairro, que tem 13m de altura por 20m de diâmetro. “Aqui não tem água nas torneiras desde quando começaram a fazer as escavações para colocarem as tubulações. O reservatório ficou pronto, mas não funciona, serve apenas como jarro de enfeite”, disse, indignada.

A poucos metros dali, na mesma rua, mora o motorista Orlando Maia, 52. Ele conta que além de utilizar as calhas no telhado para abastecer um tanque feito de alvenaria, que tem capacidade para 3 mil litros de água, ele recorre aos poços artesianos instalados em outros bairros. “Isso só possível em razão da minha função de motorista, mas isso só é viável quando faço o trajeto próximo de minha casa. Quando não consigo, o jeito é juntar as economias e comprar o garrafão, mas só dá para beber, enquanto isso, as roupas e louças ficam sujas por uma semana”, lamentou.

Morando há pouco tempo no local, Orlando Maia disse que, hoje, se arrepende. “Quando cheguei aqui, estava tudo perfeito e tinha água à vontade, mas desde quando iniciou a construção do reservatório, não cai um pingo das torneiras”, completou.