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Cotidiano
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Moradores de Manaus temem o ‘mal da vaca louca’

Eles alegam que fraldas usadas pelo aposentado Antônio Costa que está internado com suspeita da doença, são descartadas em via pública 22/03/2012 às 08:38
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Diretor do HUGV, Lourivaldo Rodrigues, confirmou internação suspeita
Milton de Oliveira Manaus

Moradores do Centro da cidade, na rua Duque de Caxias, estão com medo de contrair o “mal da vaca louca”. Eles alegam que fraldas usadas pelo aposentado Antônio Costa Nunes, 78, que está internado com suspeita da doença, são descartadas no local. Vizinhos do local pediram que as autoridades sanitárias fiscalizassem se o lixo jogado na rua não representa perigo de contaminação.

Internado há dois meses no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), o aposentado apresenta evidências de encefalite, uma inflamação do cérebro.

Segundo o epidemiologista e diretor presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM), Bernardino Albuquerque. existem vários tipos de encefalite e que somente uma necrópsia, após a morte, poderá confirmar se é o caso de “mal da vaca louca.

O Ministério da Saúde informou que até o momento, nenhum caso da doença foi confirmado no Brasil.

Pessoas próximas à família relataram que ele se trancava com cerca de 25 gatos, no porão da casa e que, todas as manhãs, a esposa, Helena Nunes, 82, joga um saco de lixo com fraldas descartadas pelo idoso, na rua Duque de Caxias.

“Ele ficava com os gatos, cheirando fezes e urinas dos bichos. Foi nesse tempo que ele ficou doente e foi para o Getúlio Vargas”, contou uma moradora do bairro.

Tratamento feito em casa
Apesar de entender as dificuldades por que passa a família, uma vizinha do local disse que se preocupa com a segurança dos demais. “A gente sabe das dificuldades da dona Helena, mas ficamos com medo de que as crianças possam ser contaminadas”, disse.

A residência do aposentado possui dois andares, onde moram também uma neta com o marido e a bisneta.

De acordo com o médico veterinário, Fernando Valente, existem gatos que podem ser hospedeiros de um parasita, chamado toxoplasmose, que poderiam causar uma encefalite.

“A contaminação de seres humanos por esse protozoário, que é do mesmo tipo das amebas, é possível. Mas, não podemos semear o pânico, dizendo que temos que eliminar todos os gatos por isso”, destacou o médico.

Ainda segundo ele, existem tratamentos para descobrir se o gato possui tal parasita.

“A maior causa de contaminação de toxoplasmose é a carne bovina mal passada, tipo aquela com sangue, que vemos em alguns lugares”, finalizou.

Silêncio
Os familiares mais próximos ao aposentado não quiseram falar sobre o caso, mas tanto os vizinhos como o diretor geral do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Lourivaldo Rodrigues, confirmaram que o idoso recebeu tratamento no hospital e, depois, foi para casa, onde se encontra dentro de uma incubadora, em um leito adaptado, e recebe a visita de uma enfermeira para a aplicação dos remédios, segundo um morador do bairro.