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Cotidiano
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Moradores do Tarumã usam internet para defender área verde

Junto com os ambientalistas, moradores fazem denúncias em blogs para combater a expansão imobiliária e industrial no local 20/05/2012 às 19:22
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Ao longo da avenida do Turismo, a floresta dá lugar a condomínios e empresas
Milton de Oliveira Manaus

Moradores do bairro Tarumã, na Zona Oeste, aderiram às redes sociais para combater a expansão imobiliária e industrial no local. A iniciativa começou no ano de 2000, por meio de uma Organização Não Governamental (ONG) chamada Mata Viva, composta por moradores, ambientalistas e profissionais de diversas áreas. As notícias sobre o Tarumã nas redes podem ser acompanhadas no blog aguabrancaonline.blogspot.com. Para os moradores, a luta não é política, mas sim de consciência ambiental. “Toda a população deveria participar, pois não se trata de defender meu pedaço de terreno ou o pedaço do vizinho, mas sim uma área de floresta que ainda resiste aos ataques dos grandes empresários e especuladores imobiliários”, disse a moradora Mariana Viana, 35.

A constante expansão urbana na área vem provocando mudanças no comportamento dos animais, que ainda sobrevivem em fragmentos de mata urbana. “Como estão desmatando, muitos animais, como o sauim-de-coleira, cobras, pacas e tucanos estão se refugiando nas áreas próximas às residências. É comum você ver esses animais no quintal”, contou a moradora Graça Mitouso, 62, que mora há 20 anos no Tarumã. Ela explica que, as pessoas que moram no bairro queriam viver perto da natureza. “Hoje, o que vemos aqui é que as pessoas destroem a natureza para ocupar o lugar, algo diferente do que nós pensávamos há 20 anos. Então, não há uma adaptação das pessoas à natureza, mas ao contrário. As pessoas querem concreto e asfalto”.

Igarapés ameaçados
Moradores ainda alertaram para o risco de assoreamento de igarapés, como o da Água Branca. “Eu fico me perguntando se os exemplos de outras grandes cidades que trataram mal a natureza não servem para nós. Até quando vamos estragar os igarapés, asfaltando ou cimentando as margens, sem nenhum planejamento? Em algum momento, a natureza vai nos ‘pedir contas’”, questionou o professor Saturnino Fernandez, 42. Questionada pela reportagem de A CRÍTICA sobre os critérios na emissão de licenciamentos e autorizações de construções nos últimos quatro anos no Tarumã, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) respondeu, por meio de sua assessoria, que “a cidade cresce de forma ordenada” e que “o maior inimigo do desenvolvimento sustentável urbano se chama invasão”.

Outro tom
Mas a opinião do antropólogo Ademir Ramos é diferente da apresentada pela Semmas. “Há facilidade de licenciamentos. Há licenciosidade. Os pequenos ocupantes são punidos, enquanto os grandes especuladores ficam impunes”, ressaltou. Ainda conforme o professor, a área do Tarumã, desde a década de 50, é “terra de rapinagem e saque”. “Na década de 70, todas as pedras usadas na construção do aeroporto internacional Eduardo Gomes, foram retiradas da Cachoeira Grande, destruindo o local. Então, começou um processo de especulação imobiliária por parte de pessoas físicas e jurídicas, e o poder público se mostra omisso ao que acontece”, frisou.

Além das pedras, areia e madeira foram “saqueadas” do local, disse o antropólogo. “Mantiveram uma espécie de cortina verde na frente e atrás tudo foi saqueado”, concluiu.

Para o professor, os moradores do Tarumã devem formar um “comitê de força” para indicar ao Ministério Público Estadual (MPE) quem são os especuladores e iniciar projetos de preservação, exigindo soluções das autoridades públicas.