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Moradores temem que expansão de avenida cause impactos no Parque Sumaúma

Área protegida criada em 2003 é considerada um dos poucos refúgios da vida silvestre, de nascente de igarapé e de mata ainda preservados 16/01/2012 às 18:11
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Placa de identificação do Parque Estadual Sumaúma, ainda intacta
Elaíze Farias Manaus

Os impactos que a continuação da Avenida das Torres pode provocar no Parque Estadual Sumaúma preocupam moradores e pesquisadores. Uma mobilização está sendo articulada para esta terça-feira (17), quando acontece a audiência pública para discutir o projeto da ampliação, a partir de 9h, na sede da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra).

Caso o traçado passe por dentro do parque, trechos de mata primária, nascente de igarapé e áreas de concentração da fauna silvestre, como o sauim-de-coleira, podem ser seriamente impactados. Criado em 2003, o Parque Estadual Sumaúma fica localizado no bairro Cidade Nova, na Zona Norte, e tem 51 hectares.

Ivaneide Cruz, moradora do entorno do Parque Estadual Sumaúma e voluntária que atua pela proteção da área, diz que o projeto que teve acesso no ano passado indicava a construção do itinerário dentro da área protegida.

“O parque já está bastante degradado. Não tem infra-estrutura, não tem cerca, não tem guarita, sofre com invasão. Há um recurso destinado ao governo estadual de R$ 1, 4 milhão para as obras de reforma, mas até agora nada fizeram. Caso o itinerário passe por dentro, a situação vai ficar pior”, disse Ivaneide.

Para Ivaneide, a alternativa para evitar o impacto seria a expansão da Avenida das Torres pelo contorno da avenida Timbiras, próximo ao parque. “Havia um projeto anterior do governo que não mexia na área verde. Seria importante que ele fosse retomado”, disse.

O geógrafo Wilde Itaborahy, do Instituto Sociambiental, teme que obra comprometa mais um trecho grande de área verde.

“Os fragmentos florestais de Manaus estão sucubindo um a um. Espécies de primata como o sauim-de-coleira estão ameaçadas. Acho que é possível dar uma solução para o caos viário da cidade sem precisar passar por cima de área protegida”, comentou.

Na avaliação da pesquisadora Rita Mesquita, a Seinfra pode buscar alternativas para evitar a construção da avenida dentro do Sumaúma.

“Ainda não conheço o traçado oficial. Acho que o governo precisa apresentar uma proposta alternativa, que não comprometa a área. O Parque Sumaúma tem três nascentes que compõem o Mindu. Tem uma população muito ameaçada, que é o sauim-de-coleira. É um refúgio para a vida silvestre”, informou.

Outra característica do Parque, segundo Rita Mesquita, é que o local está situado em uma área de encostas íngremes, cuja vegetação serve como proteção contra erosões e desbarrancamentos.

“Acho importante que a construção da avenida, mas ela deve ser colocada no lugar certo. É importante que o local seja protegido porque ele leva qualidade de vida às pessoas”, comentou.

Abandono

Moradores das proximidades do Parque Estadual Sumaúma ouvidos pela reportagem reiteraram a informação de que o local está abandonado.

Segundo eles, que pediram para não ter seus nomes publicados, o local deixou de ter atividades de trilhas suspensas e há um sentimento de insegurança por conta das invasões do local.

“Antes existiam trabalhos de visitações de estudantes e atividades móveis, mas tudo está parado. Há só um vigia, porque os demais funcionários foram demitidos. Há recurso, mas nada fazem”, comentou uma moradora. 

Contorno

Procurada, a titular da Seinfra Waldívia Alencar, disse que o projeto anterior que previa a continuação da avenida em linha foi substituído. Se fosse em linha reta, a ampliação implicaria um traçado por dentro do Samaúma.

Ela afirmou que no atual projeto, a avenida vai passar pelo lado do Parque e resultado em pelo menos oito desapropriações de imóveis. “Vai passar uns 90 metros de distância da nascente do igarapé. Mas a audiência é para explicar o projeto às pessoas e fazer a consulta”, destacou.

Conforme a secretária a nova etapa da Avenida das Torres terá uma extensão de 11,2 quilômetros e tem o objetivo de facilitar o trânsito de ônibus.

O projeto de extensão prevê a ligação com a avenida Max Teixeira até a avenida do Turismo, dando acesso direto a AM 010; a ligação Flores-avenida das Torres e a conexão do Complexo de Flores com a avenida do Turismo e avenida Coronel Jorge Teixeira; a articulação viária nos Franceses, com duplicação da estrada e a sua extensão desde o bairro Campos Elíseos até a avenida Torquato Tapajós.

O portal acrítica.com procurou a direção do Centro Estadual de Unidade de Conservação (Ceuc) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) para obter informações sobre o motivo do Parque Estadual Sumaúma estar abandonado e sem infra-estrutura, segundo alegaram os moradores, mas não obteve resposta até a conclusão desta matéria.