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Cotidiano
MAUS CAMINHOS

‘Jamais (paguei propina)’, diz Mouhamad Moustafa em depoimento à Justiça Federal

O médico e empresário acusado de comandar quadrilha que desviou mais de R$ 100 milhões da Saúde do Amazonas negou acusações 17/11/2017 às 11:43 - Atualizado em 17/11/2017 às 11:49
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(Foto: Arquivo AC)
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Acusado de comandar uma quadrilha que desviou mais de R$ 100 milhões de verbas públicas da Saúde do Amazonas, o médico e empresário Mouhamed Moustafa negou nesta sexta-feira (17), durante depoimento na Justiça Federal, ter pagado qualquer tipo de propina a secretários ou autoridades. “Não, jamais (paguei propina). Nunca me pediram e eu nunca ofereci”, disse.

Em relação às acusações de que as provas do esquema criminoso haviam sido destruídas, declaradas na última terça-feira (14) pela também ré no processo da Maus Caminhos, a enfermeira Jennifer Nayiara Yochabel, então presidente do Instituto Novos Caminhos (INC), Moustafa  enfatizou que a “história foi forjada”.

O empresário negou, ainda, que o homem apontado como “laranja” dele, Antônio Melo, era apenas um amigo de infância. “Não tinha a possibilidade de ser laranja, porque ele não tinha nada no nome dele. Queria trazê-lo pra cá comigo”, relatou Moustafa, contando ainda que pagava ao amigo para que ele tomasse conta dos pertences pessoais dele do médico e da família em Brasília.

Alegando ter medo de ser roubado e por “não confiar em serviços de empresas de vigilância”, Mohamed Moustafa, confirmou também à Justiça Federal que usava serviços de policiais fora do horário de trabalho para fazer a segurança dele. Quando necessitou de mais policiais, até mesmo fora do Estado, Mouhamad afirmou que pediu auxílio do coronel Aroldo. “Como eu não tinha mais paciência de pedir indicação, pedia ao coronel Aroldo para organizar”.

Quanto às visitas feitas nas Secretarias de Estado de Saúde, da Fazenda e da Casa Civil do Amazonas, o médico explicou que uma “romaria de empresários” pediu a ele o pagamento de serviços. “Era mais uma forma de fazer pressão”, afirmou.

Desvio na empresa

Mouhamad Moustafa contou, ainda, que o funcionário Gilmar Cordeiro não sofreu qualquer tipo de tortura, mas que ele tinha descoberto um esquema para desviar dinheiro da empresa. "Começou com R$ 10 a 12 mil, chegando a R$ 80 mil. [...] Hoje tenho certeza que Jennifer estava envolvida", pontuou.

"Dei a opção a ele de dar descrição e sair demitido ou se recusar e expor o fato. [...] Eu queria me livrar deles", revelou Moustafa sobre a atuação de Gilmar Cordeiro junto a outro funcionário denominado "André".

Outros réus

Moustafa e mais três réus vêm, desde a semana passada, prestando depoimento no processo da Maus Caminhos. São eles Alessandro Viriato Pacheco, Jennifer Nayiara Yochabel e Priscila Marcolino Coutinho. No esquema da Maus Caminhos, desmantelado em setembro de 2016 em operação da Polícia Federal, os envolvidos usavam a empresa Instituto Novos Caminhos (INC) para desviar verbas da Saúde destinadas a três terceirizadas, a Salvare, Total Saúde e Sociedade Integrada Médica do Amazonas Ltda (Simea).