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Cotidiano
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Movimentação grande na sede da prefeitura de Manacapuru à procura de cargos na administração

Centenas de pessoas vão à sede da Prefeitura de Manacapuru em busca de cargos na administração do prefeito Edson Bessa 07/01/2012 às 09:13
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Sede da Prefeitura de Manacapuru, na sexta-feira, lotada de populares em busca de apoio do novo prefeito
Lúcio Pinheiro Manaus

Tão acirrada quanto a briga pelo comando da Prefeitura de Manacapuru, que se estende desde as eleições de 2008, está a disputa por uma vaga no “cabide de emprego” que pode representar a nova administração da cidade. Reconduzido à cadeira de prefeito há quatro dias, Edson Bessa (PMDB) ainda toma ciência da situação administrativa do município, enquanto “correligionários” e eleitores que se declaram apoiadores dele se acotovelam fora e nos corredores do prédio da prefeitura em busca de “um lugar ao sol” no novo governo.

Um ano e oito meses após o ter o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) por abuso do poder econômico durante a campanha eleitoral, Bessa foi novamente empossado prefeito de Manacapuru, após decisão monocrática do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, em 29 de dezembro passado.

Nessa sexta-feira (6), uma das eleitoras de Bessa que batia à porta da prefeitura era Maria José da Silva Lima, 35. Para ela, uma vaga de serviços gerais no governo do novo prefeito seria o suficiente. “Vim aqui fazer o que todo mundo está fazendo. Estou atrás de emprego”, confessou Maria. Desempregada desde 2010, ela disse que, ao lado do marido e cinco filho, vive da coleta de material reciclável, catado na no lixão da cidade.

 Era o segundo dia que jovens, mães e pais de famílias desempregados montavam plantão nos corredores e escadas da prefeitura na esperança de sair dali empregado. “Já trabalhei cinco anos e oito meses como vigilante pela prefeitura. Sai com a administração passada. Agora quero ver se consigo voltar”, contou José Evandro Dias, 35, desempregado há dois anos.

Do lado de dentro da prefeitura, Bessa despachava ontem com os “correligionários” do seu primeiro escalão, já devidamente acomodados nos comandos de secretarias, que há quatro dias eram ocupados pela equipe do ex-prefeito Ângelus Figueira (PV). “Aí fora tem simpatizantes e correligionários. Primeiro estou conversando internamente. Nomeei os secretários e, a partir da nomeação deles, vêm as nomeações do 2º e 3º escalões do governo, para que a máquina possa fluir”, disse.

O prefeito informou que tem dedicado os primeiros dias de trabalho para se informar sobre a situação financeira da prefeitura e de cada secretaria. “Nós estamos numa fase de transição. Estamos trabalhando dia e noite. Obtendo informações para planejar nossa administração”, explicou Bessa.

 No comando de Manacapuru amparado por uma liminar (decisão rápida e temporária), Bessa declarou que vai evitar o discurso de confronto com o grupo de Figueira. Mas disse que não recebeu uma prefeitura perfeita. “Já conversei com garis, por exemplo, e me informaram que estão com o salário do mês de dezembro atrasado”, ressaltou o prefeito.

Disputa afeta a economia

Populares ouvidos por A CRÍTICA nas ruas de Manacapuru, nessa sexta-feira(6), elegeram a economia da cidade como o primeira vítima da guerra travada entre Edson Bessa e Ângelus Figueira pela prefeitura. “A cada mudança de prefeito, pessoas são demitidas para abrir espaço aos aliados do novo prefeito. Isso gera uma instabilidade no comércio, que perde clientes e ganha inadimplentes. É o funcionalismo público que aquece a economia da cidade”, declarou o conferente de estoque Sandro Frazão, 38.

 Para o vigilante José Cardoso dos Santos, 61, o desenvolvimento da cidade acaba tropeçando diante da instabilidade política. “No final das contas, nenhum (dos prefeitos) consegue fazer nada”, comentou José. A partir do dia 1º de fevereiro, quando o TSE volta do recesso, a disputa pela prefeitura de Manacapuru retorna. O ex-prefeito Ângelus Figueira promete lutar para reverter a decisão da Justiça, e voltar ao comando do município que é o maior colégio eleitoral do interior do Estado.

Oposição promete ser responsável

Aliado de Ângelus Figueira, o presidente da Câmara Municipal de Manacapuru (CMM), vereador Anderson José Rasori (PRP), o “Paraná”, prometeu, ontem, uma oposição responsável. “Fazendo oposição, vou respeitá-lo (Edson Bessa), pois não faço oposição a nomes. Quem colocou a gente na Câmara foi povo e vou trabalhar para o bem do povo”, disse.

A disputa entre Bessa e Ângelus na CMM é equilibrada, com cinco vereadores aliados de cada lado. A mesma serenidade demonstrada pelo vereador “Paraná” ao falar da vitória dos inimigos políticos tem sido vista nas ruas por parte dos simpatizantes dos dois grupos.

 “Desde quando tornou pública a decisão do TSE, iniciaram as manifestações democráticas, mas sempre de maneira ordeira e pacífica”, informou o comandante do policiamento em Manacapuru, coronel PM Fabiano Bó. Tanto Ângelus quanto o seu vice, Messias Furtado (PSD), não se encontravam nessa sexta-feira (6) em Manacapuru. E também não atenderam às chamadas feitas aos números 92xx-xx34 e 91xx-xx45.