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Movimento grevista dos servidores públicos federais tende a 'engrossar' no Amazonas

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal completa nesta sexta (22) uma semana e o reflexo da paralisação afeta fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) 22/06/2012 às 08:16
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Professores da Ufam entraram em greve dia 17 e maio e nela continuam
Renata Magnenti Manaus

Ao menos mais cinco categorias de servidores públicos federais deverão entrar em greve na semana que vem, aumentando, com isso, os “efeitos colaterais” desse movimento que já está causando uma série de transtornos e prejuízos no Amazonas.

Desde esta quinta-feira (21), os servidores do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) estão mobilizados e se optarem pela greve, serviços relacionados à reclamatória e emissão da segunda via do título de eleitor serão suspensos, bem como as fiscalizações partidárias.

Na próxima segunda-feira, servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) decidirão se entrarão ou não em greve. Caso entrem, haverá dificuldade para emissão do Registro Administrativo Indígena (RAI). Além disso, o serviço de demarcação de terra indígena será suspenso.

Na terça-feira será a vez dos servidores do Instituto de Colonização e Reforma Agrária no Amazonas (Incra-AM) deliberar sobre a greve. A decisão favorável terá como efeito imediato, para a sociedade, dificuldade em obter no órgão o Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAF), documento relativo à agricultura familiar.

“Em uma greve, deve-se manter serviços essenciais e nossos serviços não cabem neste item”, disse o representante dos servidores Regino da Silva Brito.

Na quarta-feira, os servidores do Ministério da Saúde e da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) se reunirão também para discutir sobre o indicativo de greve. Se a decisão deles for por cruzarem os braços, cerca de 400 atendimentos na área de endemias deixarão de ser realizados. Alguns servidores atuam em unidades municipais e estaduais de saúde, como no Hospital Tropical.

Os funcionários da Delegacia do Ministério da Agricultura no Amazonas têm encontro marcado para quinta-feira, quando então encaminharão uma decisão sobre cruzar ou não os braços. Se vierem a cruzá-los, os serviços de desembaraços de mercadoria, já afetados pela greve dos auditores da Receita Federal, ficará ainda mais comprometido.

Quem também está se mobilizando por melhores condições de trabalho e salário - reivindicações comuns a todas as categorias de servidores públicos federais - são os policiais federais. Por enquanto, eles não falam em data para colocar o assunto em assembleia, mas não descartam a possibilidade de virem a engrossar o movimento paredista.

Prejuízos computados
Alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) estão sem aula desde o dia 17 de maio e os do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Amazonas (Ifam) tiveram elas suspensas anteontem. De acordo com o comando grevista das entidades, a reposição das aulas deverá acontecer no período de férias. “Temos um calendário de greve, assim como haverá o de reposição de aulas, que deverá ser no período de férias”, disse o professor Marcelo Seráfico.

Movimentos em andamento
Auditores fiscais da Receita Federal estão fazendo operação-padrão na área aduaneira e na área de tributos não estão computando automaticamente créditos.

Auditores fiscais do Ministério do Trabalho também estão em mobilização de greve e toda terça e quarta-feiras suspenderão as atividades. Entre elas, a de homologação contratual.

Efeitos atingem fábricas no PIM
A greve dos auditores fiscais da Receita Federal completa nesta sexta (22) uma semana e o reflexo da paralisação afeta fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM). Se o movimento continuar nas próximas semanas, a situação crítica por que passam nos setores de duas rodas e eletroeletrônico, por exemplo, tende a piorar.

Segundo o presidente da Associação das Indústrias e Empresas de Serviços do Polo Industrial de Manaus (Aficam), Cristóvão Pinto, os dois setores começaram o ano no vermelho e a greve dos auditores constitui um agravante. “Tenho informações de que há falta de componentes devido a lentidão na liberação junto à Receita, por conta do movimento”.

Cristóvão avalia que a greve é legitima, pois a Alfândega está sucateada e o prédio da Receita encontra-se insalubre, por conta da cheia. Não bastasse isso, apresenta problemas estruturais. “Estamos numa terra sem dono”, disse.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, confirmou a informação dos próprios auditores quanto à lentidão na liberação, em função da operação-padrão. “O problema é quando os produtos caem no canal vermelho, que exige vistoria mais detalhada. No modal aéreo, a liberação que era feita em dois subiu para oito, e no marítimo de 5 para 15 dias”, afirmou.

Na avaliação do consultor econômico Martinho Azevedo, a greve dos servidores federais carrega uma impressão pessimista. “Esse modelo de movimento virou rotina, não tiro o mérito do processo, mas questiono a legitimidade em relação à sociedade. São alunos sem aula, empresas em crise com dificuldade de ter acesso aos insumos que adquiriu. Isso é controverso. É uma cadeia de incompreensão quanto à realidade do nosso País”.