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Cotidiano
‘Operação timbó’

Ministério Público investiga ‘esquema’ fraudulento em Santa Isabel do Rio Negro

Três empresas são suspeitas de participarem no desvio de recursos públicos da prefeitura do município 13/05/2016 às 10:57
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Promotor Lauro Tavares, procurador Mauro Veras e o procurador-geral Fábio Monteiro, em coletiva após as ações da “Timbó” / Foto: Joana Queiroz
Joana Queiroz Manaus (AM)

Ao menos três empresas são suspeitas de participarem do esquema de desvio de recursos públicos  da prefeitura do município de Santa Isabel do Rio Negro. O esquema foi descoberto durante as investigações feitas por Membros do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), que resultou na operação “Timbó”, deflagrada na última terça-feira (10), de acordo com as informações da promotora Cristiane Corrêa.

Na operação foram presos o prefeito do município, Mariolino Siqueira, o filho dele, Mariolino Oliveira Júnior, o secretário de finanças Sebastião Siqueira de Moraes, o secretário de Obras Carlos Augusto Araújo dos Santos, o secretário de administração João Amorim Ribeiro Júnior, a coordenadora da casa de apoio da prefeitura e nora do prefeito, Bruna Soraya da Silva, o assessor Raimundo Mendes Neto, o “Taxista”, e a atual companheira do prefeito, Regina Flávia Dias Coimbra.

A promotora disse que, inicialmente, as investigações apontam que as empresas se beneficiavam com licitações fraudulentas e, em troca, beneficiavam o grupo do prefeito. Uma das empresas que constantemente obtinha vantagens nos processos licitatórios no município, chegou a ceder um imóvel da empresa para o suspeito residir no local, além de um veículo para o ocupante do imóvel utilizar em passeios. “O nosso alvo não era investigar processos de licitações, mas começaram a aparecer essas situações e, agora, não vamos deixar passar”, disse a promotora.

De acordo com Cristiane, antes da deflagração da operação já havia comprovadamente, a existência do crime de peculato por meio de provas materiais, que são os extratos bancários e a movimentação bancário. O próximo passo da investigação foi identificar de que forma o grupo processava a  “lavagem de dinheiro”. Segundo  a promotora, há pelo menos três empresas nesse processo ilícito. Ela não descarta que até o final das investigações, aumente a quantidade de empresas envolvidas no esquema fraudulento, assim como não está descartada a necessidade de novas prisões.

Cristiane explicou que a materialização do crime de lavagem de dinheiro ficou comprovada pela aquisição do patrimônio, móveis e imóveis, e com a própria movimentação bancária que comprovou que o dinheiro da prefeitura saía dos cofres públicos, passava por laranjas e eram gastas com situações pessoais dos investigados.

Delação premiada

 A promotora revelou que um dos investigados fez o pedido de delação premiada e o MPE aceitou. A promotora não revelou o nome do investigado. A operação “Timbó” tem o objetivo de combater as organizações criminosas que utilizam a prática de desvio de dinheiro público.

Movimentação de R$ 1 milhão, segundo o Gaeco

Conforme a promotora Cristiane Corrêa, até ontem, o grupo de promotores e procuradores do Gaeco estava trabalhando na fase de oitivas e interrogatórios dos suspeitos.  Ontem foram ouvidos, o prefeito, Carlos Augusto, Sebastião, Mariolino Júnior e Bruna Soraya. Durante os interrogatórios,  um fato que chamou a atenção dos procurados e promotores  foi a quantidade da movimentação de recursos públicos em favor de um dos investigados, num curto espaço de tempo. De janeiro até a prisão dos suspeitos, aconteceram saques de aproximadamente R$ 1 milhão. O dinheiro foi  sacado das contas da prefeitura diretamente para a conta do suspeito. A promotora informou que hoje será avaliada a necessidade de prorrogação das temporárias de alguns dos envolvimentos.