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Mulher que se apropriava de cartões do Bolsa Família no AM, em Eirunepé, ganha a liberdade

O marido dela, José Arnaldo Martins da Silva, 43, irmão do vice-prefeito do município, que também foi preso durante a operação, continua preso na carceragem da delegacia 10/10/2015 às 17:29
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Raimunda Nonata foi solta e o marido dela, José Arnaldo, continua preso
Kelly Melo Manaus (AM)

Após passar vinte e três dias presa, a empresária do município de Eirunepé (distante 1.160 quilômetros de Manaus), Raimunda Nonata de Oliveira Lopes, 44, presa no mês passado após ser flagrada com vários cartões de beneficiários do programa Bolsa Família e suspeita de se apropriar indevidamente de cartões magnéticos de clientes para realizar saques irregulares, ganhou a liberdade mediante pagamento de fiança, na tarde de quinta-feira.

O marido dela, José Arnaldo Martins da Silva, 43, irmão do vice-prefeito do município, que também foi preso durante a operação, continua preso na carceragem da delegacia.

O delegado de Eirunepé, Mauro Duarte, explicou que o processo dos suspeitos foi encaminhado para a Justiça Federal, que decretou a liberdade de Raimunda, mediante o pagamento de fiança no valor de R$ 78,8 mil, por ela ser ré primária.

“A Justiça Federal arbitrou a fiança e o valor foi pago. Por isso Raimunda foi posta em liberdade”, disse ele. No entanto, Arnaldo Martins teve a prisão preventiva mantida por ser o dono dos estabelecimentos onde as transações aconteciam e já ser investigado pelo mesmo crime.

Na época, o casal e dois funcionários foram denunciados à polícia por reter os cartões dos clientes, a maioria deles indígenas, e realizar saques sem autorização. Além disso, o casal costumava cobrar valores superfaturados dos clientes e não emitiam nota fiscal.

Durante a operação, os suspeitos foram surpreendidos no escritório de uma das lojas de Arnaldo, com mais de 480 cartões do Bolsa Família e várias cardenetas, onde eram feitas as anotações de quem estava devendo. Os dois funcionários, identificados Francisco Ivanclay Soares de Lima, 23; Pedro Ribeiro Neto, 29, chegaram a ser presos, mas foram liberados em seguida, também mediante pagamento de fiança.

Sonegação de imposto

Ontem à tarde, o delegado de Eirunepé, Mauro Duarte, realizou uma reunião com os comerciantes do município, para cobrar que eles passem a emitir notas fiscais. Assim com Arnaldo, a Polícia Civil identificou que a maioria dos estabelecimentos comerciais não costumam dar aos clientes nenhum documento fiscal dos objetos comprados.

“Isso é crime de sonegação. Vamos chamar a atenção desses comerciantes, pois a não emissão de documento fiscal pode render uma prisão, com reclusão de dois a cinco anos”, alertou o delegado. O próximo passo, segundo ele, é cobrar os prestadores de serviços que atuam na cidade.