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Cotidiano
POLÍTICA

Mulheres são 45% nos partidos do AM; em Casas Legislativas elas são apenas 4%

Contraste mostra que as mulheres ainda encontram obstáculos para ascender a cargos na ALE e CMM, por exemplo. Dos 24 deputados estaduais do Amazonas, apenas uma é mulher 07/03/2018 às 22:37 - Atualizado em 08/03/2018 às 08:40
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Foto: Divulgação
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Quase metade do exército de cabos eleitorais dos partidos políticos no Amazonas, as mulheres encontram obstáculos para ascender a cargos nas Casas Legislativas. No Estado, do total de 231 mil pessoas filiadas a legendas (mão de obra estratégica e barata nas campanhas eleitorais), 45% são do sexo feminino, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No Legislativo, contudo a participação feminina é reduzida. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), dos 41 vereadores que foram eleitos no pleito de 2016 somente quatro são mulheres, assim,  a proporção é de 9,7%. Já na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) esse percentual cai para 4%. Dos 24 deputados estaduais, Alessandra Campêlo (MDB) é a única mulher.

No ranking estadual da participação de mulheres nas legendas, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) lidera com 56% do total de 2,4 mil filiados. Na sequência, o Partido Social Cristão (PSC) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB)  contabilizam 49% de presença feminina.

Em números absolutos, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) é a sigla que possui mais mulheres no Amazonas com 10,1 mil filiadas. O Partido dos Trabalhadores (PT) fica em segundo lugar com 7,8 mil mulheres. Em seguida, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) soma 6,2 mil mulheres filiadas, o que equivale a 42%.

Em âmbito nacional, a pesquisa realizada a pedido do Movimento Transparência Partidária (MTP), que tem como coordenador o cientista político Marcelo Issa, apontou que a cada 10 filiados, quatro são mulheres. De acordo com Issa, a ausência de mulheres nos partidos se dá por conta da permanência dos mesmos dirigentes partidários por longos períodos e a falta de uma melhor distribuição de estrutura e recursos.

A conselheira federal de Psicologia, Iolete Ribeiro, destaca que “o mundo da política ainda é sexista”. “Apesar de termos uma legislação que busca incentivar a participar das mulheres ainda não existe uma cultura de sustente a presença feminina. As pessoas que dão vida aos partidos não compartilham das concepções que embasaram a aprovação das cotas. Assim, a lei acaba se transformando em instrumento artificial”, disse.

Para a presidente do PR Mulher, Jaqueline Sebben, o empoderamento pode mudar o quadro político. “Empoderar é um ato diário. Você pode começar compreendendo que mulheres não são substituíveis e que nenhuma nasceu para ser sua inimiga. Uma vez que se compreende isso, você também compreende que lugar de mulher é onde ela quiser. E a partir do momento que as mulheres tiverem essa visão, elas estarão fortificadas e o quadro político vai mudar”, disse.

Presença reduzida na ALE

A principal dificuldade de ser a única mulher na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), de acordo com a deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB), é “emplacar pautas que dizem respeito aos interesses das mulheres”.

Problemas relacionados à saúde e segurança pública não são resolvidos por conta da ausência feminina no parlamento. “A sub-representatividade das mulheres nas casas legislativas colabora para que esses problemas se agravem”, afirmou.

A parlamentar torce para que neste ano mais mulheres possam ser eleitas. “A tarefa é árdua, pois não existem cotas e muito menos financiamento para aumentar a participação das mulheres. Só ocupando espaços de poder vamos melhorar o debate e a fiscalização das demandas específicas das mulheres”, destacou Campelo.

A deputada ressaltou o trabalho do partido para reverter essa situação. “O MDB Mulher trabalha em campanhas educativas, com foco na maior participação de mulheres nas eleições”, disse.

Queremos participar’

A professora Cristiane Balieiro (PSB) concorreu nas eleições de 2016 como vice-candidata na chapa “puro-sangue” com Serafim Corrêa (PSB) para a prefeitura de Manaus. Já neste ano, é a aposta da sigla como pré-candidata à Câmara dos Deputados.

Como profissional da educação, Balieiro conta que o desejo de ir além das manifestações que iniciaram em 2013 e por não se conformar com as dificuldades da área, decidiu se filiar ao Partido Socialista Brasileiro e participar dos processos eleitorais no Amazonas.

“Não é fácil, nós sabemos que esse universo é predominante e tradicionalmente masculino. Quando se entra nesse universo com força de ideias, com coragem assusta os homens, porque eles veem uma mulher invadindo o espaço deles de igual para igual. Mas temos que ter equilíbrio e dizer que não viemos tomar o lugar, mas  queremos participar”, disse a professora. 

A professora ressalta que apesar do acúmulo de funções e da dupla jornada de trabalho, as mulheres precisam participar da política. “Eu me encontrei na política. A mulher não deve se assustar, não deve ter medo e, principalmente, não deve baixar a cabeça”, disse.

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