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Mulheres somam 1,156 milhão de eleitoras no AM

Dados do cadastro eleitoral elaborado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) revelam baixa representatividade nas prefeituras e Câmaras de Vereadores 11/03/2012 às 10:23
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Mulher votando
Rosiene Carvalho Manaus

Com 51% do eleitorado do Amazonas, o voto feminino será decisivo nas Eleições 2012. O Estado, que atualmente conta com apenas seis prefeitas  e 68 vereadoras, tem 1,156 milhão de mulheres habilitadas a votarem neste pleito. Os dados são do cadastro eleitoral feito pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) até a última sexta-feira, 09.

Há dois anos, quando Dilma Rousseff (PT) foi eleita a primeira presidente do Brasil, analistas políticos fizeram previsões de uma onda feminina no poder. A vitória de Dilma animou as mulheres e o “tira-teima” será feito no próximo dia 7 de outubro, quando eleitores e eleitoras irão às urnas renovar as prefeituras e as Câmaras Municipais.

Em Manaus, as mulheres representam 52% do eleitorado com 51.885 votantes a mais que os homens. No total, Manaus tem 604.047 mulheres habilitadas a votar nas Eleições 2012.

A diferença de 51.885 eleitores a mais do sexo feminino, na capital, não pode ser ignorada pelos candidatos à prefeitura e as 41 vagas na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Metade desse número já decidiu eleição para prefeito na cidade. Foi em 2004, quando a vaga era disputada em segundo turno pelos mesmos pré-candidatos de hoje: Serafim Corrêa (PSB) e Amazonino Mendes (PDT), atual prefeito de Manaus. Na ocasião, Serafim derrotou Amazonino com 25.187 votos.

O discurso e propostas de campanha dos interessados a uma vaga na CMM têm que estar voltados às expectativas das  604.047 eleitoras manauenses.  Nas últimas duas eleições, vereadores têm conquistado vitória com votações entre 13 mil e dois mil votos. Apenas dois nomes alcançaram votações em massa para a Câmara Municipal: Sabino Castelo Branco (com 58.703 votos em 2004) e Henrique Oliveira (com 35.518 votos em 2008).

Em 2004, o segundo mais votado foi Francisco Praciano com 12.502 votos. Em 2008, o segundo vereador mais votado foi Luiz Alberto Carijó que se elegeu com 13.865 votos.

Representatividade
Apesar de representarem maioria no eleitorado, a participação feminina nos espaços de poder é historicamente baixa. Na CMM, as mulheres ocupam apenas sete das 38 cadeiras. Sendo que das 62 Câmaras de Vereadores, a representação feminina é de 11,46%.

O Município de Manacapuru, que é o maior do interior em número de eleitoras, conta com apenas uma mulher na Câmara Municipal de um total de dez vereadores. A cidade tem 29.891 eleitoras.

Exposição feita no Congresso Nacional, em homenagem ao Dias das Mulheres, evidenciou a desigualdade entre homens e mulheres do Amazonas no parlamento federal. Em 80 anos, apenas seis mulheres foram eleitas para representar o Estado em Brasília.

Minoria nos municípios do  interior
Dos 62 municípios do Amazonas, apenas em quatro as mulheres representam a maioria no eleitorado: Manaus, Benjamin Constant, Tefé e Tabatinga. Os seis são comandados por homens.

Apesar disso, a minoria feminina nos municípios não fica abaixo de 41% do total de votos, em cada um dos municípios, e a opinião delas também serão decisivas nas urnas do interior do Estado.

Nos seis municípios, o que registra maior número de eleitoras é Tefé com 17.351 mulheres aptas a votar. Os homens eleitores são 16.688. Em Benjamin Constant as mulheres representam 51% do eleitorado, somando 257 eleitoras a mais.

Nos Municípios de Itacoatiara, Parintins, Manacapuru e Novo Airão, as mulheres emparelham com os homens em número de eleitores com 50% dos votos. Em todos os outros municípios elas representam a minoria do eleitorado com percentuais variando entre 45% e 49%.

O Município de Manacapuru é o que tem maior número de eleitoras, no interior. São 29.891 mulheres com títulos de eleitor. O município onde há menor número eleitoras mulheres é Japurá com 1.539 votantes, enquanto os homens são 3.359.

Voto feminino completa 80 anos
Há um século, o Brasil não tinha eleitora. Hoje, segundo levantamento exposto esta semana no Senado, a proporção é de 52 eleitoras para 48 eleitores em todo país. Em 2012, completa 80 anos da conquista ao direito ao voto pelas mulheres no Brasil.

A permissão para que as mulheres pudessem votar foi dada pelo então presidente  Getúlio Vargas num decreto publicado em 1932. Segundo assessoria de comunicação do Senador, o texto definia que o eleitor era “o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo”.

No entanto, não eram todas as mulheres que podiam participar da vida política do país. A apenas as casadas (e com a autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria poderiam votar, segundo o texto do código eleitoral de 1932. Em 1934, ocorreram algumas alterações na lei. Mas o voto feminino, sem restrições, só veio mesmo em 1946. Neste ano, ele passou a ser obrigatório para todos os brasileiros.

A exposição do Senado mostrou que Vargas só concedeu o direito às mulheres por conveniência política. Em 1932, enfrentou a Revolução Constitucionalista  e era do interesse dele ter um eleitorado maior.

Análise
Afrânio Soares
Presidente da Action/Pesquisa de Mercado

Candidatos atentos
O professor de Marketing da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e presidente da Action Marketing Pesquisa de Mercado, Afrânio Soares, declarou que os candidatos atentos ao eleitorado feminino levarão vantagem nas Eleições 2012. “O voto das mulheres não é o único ponto de preocupação do candidato. Mas considero um ponto muito importante ao ponto de ser considerado fundamental nesta eleição”, declarou o analista político.

Por serem maioria no eleitorado, Afrânio Soares indica que a votação das mulheres pode, sim, ser decisiva nas eleição. Ele esclarece que dificilmente as mulheres irão se unir e votar em bloco num só candidato, mas os políticos que estiverem atentos ao que desejam as mulheres do futuro prefeito de Manaus podem atrair melhor votação. “Costumo dizer que o voto de religiosos não elege um prefeito, por cada igreja tem um candidato. Mas o voto das mulheres elege um prefeito”, declarou.

Afrânio Soares disse que o candidato que não se preocupar em colocar na sua plataforma de governo as expectativas das mulheres pode ter a campanha prejudicada.

Personagem
Socióloga Da Ufam - Marilene Corrêa

‘São poucas, mas melhores’
A socióloga e uma das fundadoras do PT no Amazonas, Marilene Corrêa, afirmou que as mulheres ainda têm preconceito em relação às candidatas que tentam ocupar os espaços de poder no país.

Apesar disso, a professora ressalta que os mandatos femininos refletem maior qualidade em relação às conquistas sociais. “Tem preconceito, existe. Exatamente porque as mulheres têm baixa representatividade. No poder, é minoria. Ou seja, é ciclo vicioso”, disse.

A socióloga destacou que a maioria das conquistas que melhoraram as condições de trabalho da mulher, o acesso ao crédito para casa própria e combate a violência ocorreram a partir de 2003. “Elas não são muitas. Mas qualitativamente estão bem mais empenhadas. Mesmo que não sejam muitas, se engajam, se interessam. São elas que estão lutando por essa questão que beneficiam toda sociedade”, declarou.

Saiba mais
Discriminação

Segundo estudo da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, atualmente as mulheres ocupam menos de 10% das prefeituras do Brasil. Já nas Câmaras Municipais elas são cerca de 12% do total de vereadores. O estudo, que foi feito logo após as eleições de 2008, mostra que em apenas 17 municípios brasileiros, dos mais de 5 mil do País, as mulheres conquistaram a maioria nas Câmaras Municipais.