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Município do Rio Preto da Eva (AM) está isolado por terra

Ao contrário de outras cidades que estão alagadas, decreto de emergência no Município é por conta de estradas intrafegáveis 21/05/2012 às 07:09
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Mais de 800 quilômetros estão prejudicados; prefeitura aguarda recursos para colocar máquinas nas piçarras
Florêncio Mesquita Manaus

Enquanto 44 municípios do Amazonas decretaram situação de emergência por conta da cheia histórica dos rios, incluindo Manaus, Rio Preto da Eva (a 80 quilômetros de Manaus) passou a ocupar a lista das cidades prejudicadas pela enchente por conta do isolamento terrestre. Ao contrário das outras cidades que estão alagadas, Rio Preto da Eva continua longe da subida das águas porque está localizada acima do nível do rio que dá nome à cidade e corta a região. O município decretou situação de emergência por conta da ocorrência “anormal” de chuva que fez com que 800 quilômetros de um total de 30 estradas vicinais ficassem intrafegáveis.

As estradas são feitas de piçarra, mistura de areia, barro e pedras, e tiveram quase 100% da extensão danificada pela chuva. O prejuízo nas vicinais fez com que pelo menos 1,2 mil pessoas em 11 comunidades rurais ficassem isoladas.

Já a cheia no município afetou apenas 40 famílias que moram em oito comunidades às margens do rio Preto. O número de áreas alagadas, segundo o prefeito da cidade, Fúllvio Pinto, corresponde a 20% apenas da emergência do município.

“Rio Preto da Eva é diferente dos outros municípios em situação de emergência. A particularidade é que enquanto outras cidades estão alagadas, Rio Preto da Eva também está em emergência, mas devido à situação crítica das estradas vicinais que estão isoladas”, disse.

A comunidade mais próxima da sede da cidade, conhecida como Redenção, fica a 40 minutos, descendo o rio a partir do balneário da cidade e está entre as mais afetadas.

O isolamento, por conta das más condições das estradas, já afeta o escoamento da produção agrícola, o transporte escolar dos alunos que moram nas comunidades e não têm como chegar aos polos de educação, além do deslocamento de equipes de saúde que precisam atender os moradores dessas áreas.

A maioria das famílias é de produtores rurais, que plantam desde legumes a limão, tangerina, banana, abacaxi, além de criarem peixe em cativeiro. Os produtos abastecem o próprio município, além de cinco feiras em Manaus e a rede estadual de Educação com a merenda escolar.

Entre as feiras que recebem os produtos de Rio Preto em Manaus estão a do Produtor, feirão da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) e a do Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica (Cassam).

Na última semana, o principal criador de peixes do município perdeu 30 mil exemplares da espécie matrinchã porque a barragem onde ele cria os peixes estourou, devido ao grande volume de chuva na região. O prejuízo dos produtores por conta do problema ainda não foi levantado.

Recursos serão destinados a tratores
O município decretou emergência em abril, mas só este mês o pedido foi homologado pelo Estado, que reconheceu a situação. Enquanto em Manaus e em outros 43 Municípios as prefeituras correm para se adiantar à subida dos rios, construindo pontes e marombas, em Rio Preto da Eva a atenção é volta para as máquinas que trabalham nas estradas. Pelo menos sete tratores da Prefeitura trabalham para tentar desobstruir as vicinais enquanto os recursos não chegam.

De acordo com o prefeito da cidade, Fúllvio Pinto, apesar dos danos serem grandes, bem como, o número de pessoas afetadas, o município deve receber apenas R$ 59 mil para resolver a situação. “Disseram que esse recurso era emergencial, o que significa que é para ser repassado rapidamente, mas ainda estamos esperando”, destacou.

O prefeito afirma que os recursos serão priorizados na recuperação dos ramais. “Temos que colocar aterro, usar as máquinas nas estradas tudo isso demanda o emprego de recursos. Com o dinheiro colocaremos mais cinco máquinas aumentando para 13 tratores consertando as estradas”, frisou.

Pequeno efetivo
Apenas 5 agentes trabalham no cadastro das famílias prejudicadas. De acordo com a prefeitura, quando a ajuda chegar, esse número aumentará para 30.

Casos de doença
Ao contrário de outras cidades, Rio Preto registra poucos casos de doenças.

Áreas afetadas
Entre as comunidades isoladas estão Francisca Mendes; Baixo e Alto Rio, ZS7, ZS9, Tumbira, Casa Branca, Amazonas, Novo Horizonte e ramal 6 e 7. Já entres as alagadas estão Baixo Rio, Manápolis, Miriti, Pedra, Coco, São José, Redenção e Santa Cruz.

Decreto
O Subcomando de Ações de Defesa Civil do Estado (Subcomadec) incluiu Rio Preto da Eva na lista dos municípios em situação de emergência no último dia 10 junto com Tefé e Jutaí, no médio Solimões, além de São Sebastião do Uatumã, na região do médio Amazonas e Japurá. A lista das cidades em situação emergência subiu para 45.